A China iniciou em junho de 2025 a construção de um centro de dados submarino ao largo da costa de Xangai, a cerca de 10 quilómetros da cidade, numa resposta direta aos crescentes desafios ambientais provocados pelo avanço da Inteligência Artificial (IA). O projeto é liderado pela empresa chinesa Hailanyun e, conforme o jornal The Guardian, propõe uma alternativa energética mais eficiente face aos tradicionais centros de dados em terra, cuja operação consome grandes volumes de eletricidade, sobretudo para manter os equipamentos a temperaturas estáveis.
Empresas como a Amazon, Microsoft e Google optaram nos últimos anos por instalar os seus centros de dados em regiões áridas, tentando reduzir os riscos associados à humidade. No entanto, mesmo nestes ambientes secos, o calor gerado pelos milhares de servidores obriga ao uso constante de sistemas de refrigeração, os quais, segundo a revista Scientific American, podem representar até 40% do consumo elétrico total.
Refrigeração natural com energia eólica offshore
O novo centro subaquático chinês aposta na refrigeração passiva proporcionada pela temperatura da água do mar. Segundo a Hailanyun, o sistema utiliza tubagens para canalizar água até radiadores instalados atrás das prateleiras de servidores, o que permite dissipar o calor de forma mais eficiente e com menor impacto ambiental.
A infraestrutura será alimentada em 97% por energia eólica proveniente de um parque offshore, prometendo consumir pelo menos menos 30% de eletricidade em comparação com centros terrestres.
A primeira fase do projeto prevê a instalação de 198 prateleiras, com capacidade para entre 396 e 792 servidores otimizados para aplicações de IA. Conforme a empresa, esta estrutura poderá treinar modelos avançados de linguagem, como o GPT-3.5, em apenas um dia. A data prevista para entrada em funcionamento é setembro de 2025.
Da experiência-piloto à escala comercial em dois anos
O conceito de centros de dados submersos não é novo. A Microsoft iniciou há mais de uma década o chamado Project Natick, onde submergiu um contentor com mais de 800 servidores ao largo da Escócia. Os testes demonstraram que este tipo de instalação não só era viável como também mais fiável, devido à ausência de oxigénio corrosivo e à selagem hermética.
O futuro da infraestrutura digital poderá estar debaixo de água
Segundo o The Guardian, o projeto iniciado em Xangai evoluiu rapidamente desde a fase-piloto, conduzida em Hainan, até à atual implementação comercial.
Este tipo de solução poderá ganhar tração à medida que a procura energética associada à computação intensiva da IA continua a crescer. Ainda assim, a experiência da Microsoft e os alertas ambientais mostram que o caminho é experimental e requer monitorização cuidadosa.
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