A procura por férias de verão no estrangeiro está a atingir níveis recorde e está a levar muitos portugueses a trocar o Algarve por destinos de praia mais baratos, como as Caraíbas e a Tunísia, num contexto marcado pela inflação e pela instabilidade internacional. Mesmo com o aumento do custo de vida, os dados indicam que viajar continua a ser uma prioridade para as famílias, que preferem ajustar o destino em vez de abdicar das férias.
De acordo com o Diário de Notícias, as vendas de pacotes turísticos aumentaram 5% face a 2025 e acumulam uma subida de 20% nos últimos dois anos, atingindo um novo máximo histórico. Este crescimento surge numa altura em que a guerra no Médio Oriente tem impacto nos preços da energia e nos custos associados às viagens.
Orçamento mantém-se, o destino muda
Os dados da Associação Nacional de Agências de Viagens mostram que o valor médio das reservas para o verão ronda os 1.500 euros, mantendo-se alinhado com o ano anterior. Segundo a mesma fonte, os consumidores não estão a cortar nas férias, mas optam por destinos que se ajustem ao orçamento disponível.
A entrada de mais turistas estrangeiros em Portugal, impulsionada pelo desvio de fluxos turísticos do Médio Oriente, está a aumentar a pressão sobre os preços, sobretudo no Algarve. Escreve o jornal que esta realidade poderá afastar muitos portugueses das férias em território nacional.
Milhões de turistas mudam rotas
O setor estima que milhões de turistas que habitualmente viajariam para o Médio Oriente estejam agora a escolher destinos alternativos na Europa. Conforme a mesma fonte, este desvio já se fez sentir durante a Páscoa e deverá continuar a influenciar o verão. Face a este cenário, destinos, como as Caraíbas e a Tunísia destacam-se como alternativas mais acessíveis em comparação com o sul de Portugal. Acrescenta a publicação que estes locais têm vindo a consolidar-se como opções preferidas entre os portugueses.
Apesar da inflação, os pacotes turísticos continuam a apresentar preços relativamente estáveis, uma vez que foram contratados com antecedência. Muitos destes acordos são feitos até um ano antes, protegendo os consumidores da volatilidade recente.
Viagens por conta própria ficam mais caras
Já quem opta por organizar as férias de forma independente enfrenta custos mais elevados, sobretudo ao nível dos voos. Refere a mesma fonte que os preços das viagens aéreas aumentaram cerca de 7% na Europa e até 15% em rotas de longo curso. Entre os destinos mais procurados, o Brasil surge como uma alternativa em crescimento, com uma procura significativa por parte dos portugueses. Cabo Verde continua a liderar no segmento de médio curso, mantendo-se como um dos destinos mais vendidos.
A instabilidade internacional está também a levar muitos viajantes a adiar ou alterar planos para regiões mais afetadas por conflitos. Segundo a mesma fonte, viagens para o Médio Oriente e partes da Ásia estão a ser reagendadas para o final do ano. Com algumas opções fora do radar turístico, outros destinos assumem-se como alternativas viáveis para férias de verão. O Diário de Notícias indica que México e República Dominicana estão a captar parte dessa procura, funcionando como substitutos naturais.
Padrão que se repete em tempos de crise
O comportamento dos consumidores não é inédito e já foi observado em períodos anteriores de instabilidade económica. Viajar mantém-se como uma prioridade, ficando apenas atrás de necessidades essenciais. Mesmo com a subida generalizada dos preços, o setor do turismo continua a demonstrar resiliência e capacidade de adaptação.
Os dados apontam para uma procura consistente, sustentada pela flexibilidade dos consumidores na escolha dos destinos. O verão de 2026 deverá ficar marcado por decisões mais calculadas, com os portugueses a privilegiarem destinos que ofereçam melhor relação entre preço e experiência. Num cenário de preços pressionados no Algarve, a tendência é clara: mudar de geografia sem abdicar das férias.
Leia também: Esta ponte foi considerada uma das mais bonitas de Portugal pela arquitetura e paisagem digna de postal















