A tecnologia avança a um ritmo imparável e os robots humanoides estão prestes a deixar de ser ficção científica para fazerem parte da vida quotidiana. A empresa norte-americana Figure AI anunciou um plano ambicioso: produzir e distribuir até 100 mil robots nos próximos quatro anos, destinados tanto a ambientes industriais como ao uso doméstico.
De acordo com o jornal espanhol AS, a notícia foi avançada pelo diretor executivo da empresa, Brett Adcock, que revelou a existência de um novo acordo com uma das “maiores companhias dos Estados Unidos”. Embora o nome do parceiro comercial não tenha sido divulgado, Adcock afirmou que esta colaboração permitirá acelerar a produção em massa e otimizar os custos operacionais.
Esta iniciativa surge numa altura em que a China, através da empresa Zhiyuan Robotics, também procura liderar este mercado, tendo como meta produzir mil humanoides até ao final do ano. A competição tecnológica entre as duas potências está a intensificar-se, com cada lado a apostar fortemente na automatização de tarefas domésticas e industriais.
Robots pensados para o lar e para a indústria
A Figure AI tem dois grandes objetivos para os seus robots: responder a necessidades comerciais em larga escala, como fabrico e logística, e apoiar tarefas mais delicadas no contexto doméstico, incluindo mudanças ou até cuidados de saúde.
Adcock explicou numa publicação no LinkedIn que, numa primeira fase, a empresa vai focar-se num número reduzido de clientes para crescer verticalmente. Esta estratégia, segundo defende, é mais eficaz do que dispersar recursos por múltiplos utilizadores.
A empresa já tinha antes estabelecido uma parceria com a BMW, e esta nova aliança poderá reforçar a recolha de dados para o desenvolvimento da inteligência artificial dos robots, além de contribuir para a redução dos custos de fabrico.
Avanços técnicos e versões já em teste
Desde a sua fundação, a Figure AI tem apresentado progressos significativos. O seu primeiro modelo, o Figure 01, foi lançado apenas 31 meses após a criação da empresa. Seguiu-se o Figure 02 e, neste momento, uma terceira versão encontra-se já em testes laboratoriais.
A versão inicial, apresentada em janeiro de 2024, deslocava-se a apenas 17% da velocidade média de marcha humana. Hoje, o modelo mais recente consegue atingir 1,2 metros por segundo (aproximadamente 3,7 km/h), sete vezes mais rápido que o original.
Inteligência artificial como base de tudo
A grande aposta da empresa é a aprendizagem automatizada. Segundo Adcock, a equipa começou recentemente a utilizar “uma rede neuronal de ponta a ponta” para adaptar os robots ao caso de uso de um novo cliente.
“O único caminho é aprender com inteligência artificial”, afirmou o CEO, citado pelo AS. “Seria impossível escrever regras fixas (heurísticas) para todas as situações do quotidiano.” Essa abordagem pretende tornar os humanoides mais autónomos e eficazes a longo prazo.
Este avanço representa um novo patamar na aplicação da IA ao serviço da robótica, com potencial para transformar rotinas domésticas e operacionais nos próximos anos.
Leia também: Adeus Rússia: país da UE descobre uma das maiores reservas de petróleo da história e ‘ameaça’ hegemonia russa
















