Com a chegada do verão e o aumento habitual da pressão no tráfego aéreo, os atrasos nos aeroportos europeus voltam a ganhar destaque, sobretudo numa altura em que milhões de passageiros se preparam para viajar e o sistema continua longe de estar estabilizado.
Portugal surge no centro desse problema. Apesar de uma ligeira melhoria global na aviação europeia, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, destacou-se no ano passado pelos piores nÃveis de pontualidade do continente, segundo dados citados pela Euronews com base em relatórios do EUROCONTROL.
Com o verão à porta, fase do ano em que o volume de operações aumenta de forma significativa, as autoridades europeias alertam que a situação continua preocupante e que milhares de passageiros permanecem expostos a atrasos e longos tempos de espera.
Lisboa no fundo da tabela europeia
O desempenho do aeroporto de Lisboa foi particularmente fraco. Em 2025, apenas 49% dos voos partiram dentro da hora prevista, o pior resultado entre os principais aeroportos europeus e, segundo a mesma fonte, o mais baixo do continente.
A capital portuguesa aparece ainda entre os aeroportos mais penalizados nas chegadas tardias, ao lado de cidades como Atenas e Luxemburgo, num retrato que expõe limitações operacionais e problemas de capacidade já identificados.
Tráfego já supera nÃveis pré-pandemia
O problema surge numa fase em que o tráfego aéreo europeu já ultrapassou os valores registados antes da pandemia. No ano passado, o sistema europeu atingiu 100,2% dos nÃveis de 2019, sinal de uma recuperação completa, mas também de maior pressão sobre toda a rede.
Esse crescimento está a colocar aeroportos, rotas e centros de controlo a operar muito perto do limite, com pouca margem para acomodar imprevistos sem provocar perturbações em cadeia.
Razões para atrasos dos voos
Segundo o EUROCONTROL, os atrasos não resultam de uma única causa, mas sim da acumulação de vários fatores que pressionam o sistema ao mesmo tempo.
No caso de Lisboa, destacam-se as condições meteorológicas, as restrições no espaço aéreo e os constrangimentos de capacidade aeroportuária, fatores que acabam por afetar não apenas o aeroporto, mas também a fluidez da rede europeia.
Os chamados atrasos reativos, isto é, aqueles que começam num voo e se propagam ao longo do dia, continuam a ser apontados como a principal origem dos problemas. É referido pela mesma fonte que estes atrasos permaneceram como a razão dominante em 2025, ainda que tenham melhorado face ao ano anterior.
No conjunto do ano, a pontualidade de partida da rede europeia ficou nos 70,1%, o que significa que perto de três em cada dez voos não saÃram dentro da margem de pontualidade. O atraso médio à partida foi de 14,6 minutos por voo.
Norte da Europa lidera pontualidade
Enquanto vários aeroportos do sul da Europa continuam a enfrentar maiores dificuldades, algumas cidades do norte destacam-se pelos melhores resultados operacionais.
Bergen, Oslo, Estocolmo, Copenhaga e Leipzig aparecem entre os exemplos mais consistentes, todos com taxas de pontualidade nas partidas acima dos 80%, o que mostra uma resposta mais eficaz à pressão do tráfego. Já Munique, Roma Fiumicino e Londres Heathrow foram dos aeroportos que mais melhoraram em 2025.
Verão pode agravar o problema
A pressão pode intensificar-se nos próximos meses. O relatório anual de operações do EUROCONTROL refere que, em 2025, a rede europeia registou mais de 30 mil voos por dia em média e que, entre maio e agosto, esse valor subiu para 35.122 voos diários.
As autoridades europeias defendem que continuam a ser necessárias melhorias estruturais, mais coordenação e uma aceleração da inovação tecnológica para evitar novos estrangulamentos. Sem essas mudanças, o risco de um verão marcado por mais atrasos, esperas prolongadas e frustração para milhões de passageiros mantém-se elevado, com Lisboa novamente entre os aeroportos mais expostos.
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