O Município de Loulé formalizou esta terça-feira a aquisição de mais 20 fogos habitacionais no concelho, numa operação que pretende reforçar a resposta pública à crise da habitação. A iniciativa contou com a presença da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, que regressou a Loulé poucos meses depois da visita realizada em fevereiro.
As habitações localizam-se na Urbanização de Vale de Rãs, na freguesia de São Clemente, e correspondem a tipologias T1, T2 e T3. O investimento ascendeu aos 4,8 milhões de euros, tendo a autarquia submetido uma candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para apoiar financeiramente a operação.

Uma das principais vantagens apontadas pelo Município prende-se com o facto de os fogos já se encontrarem construídos e em condições de habitabilidade imediata, permitindo acelerar a resposta às necessidades habitacionais no concelho.
“Cerca de 60 pessoas terão aqui um novo projeto de vida, uma lufada de ar fresco para poderem emancipar-se do ponto de vista financeiro”, afirmou a secretária de Estado da Habitação.
Município quer avançar com até 200 casas até ao final do ano
O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, explicou que estes fogos integram uma política de habitação “estruturada e sustentada ao longo do tempo” e que “não se limita a uma resposta única, mas incorpora diferentes soluções, ajustadas à diversidade das realidades sociais”.
Segundo o autarca, a Estratégia Local de Habitação contempla não apenas arrendamento apoiado para famílias mais vulneráveis, mas também soluções de arrendamento acessível destinadas à classe média.

Atualmente, a Câmara de Loulé tem em curso várias operações habitacionais que totalizam 107 fogos, incluindo o empreendimento CLONA, a reabilitação do Bairro Municipal Frederico Ulrich e uma intervenção em Salir. A estes juntam-se ainda outros 60 fogos adquiridos em fevereiro na mesma urbanização.
Em declarações à comunicação social, Telmo Pinto revelou que a autarquia pretende avançar, até ao final do ano, “em regime de conceção/construção, com cerca de 100 a 200 casas”, recorrendo a terrenos já adquiridos em Loulé, Quarteira e Parragil.
Autarquia alerta para aumento do preço da habitação
A gestão do parque habitacional municipal e a promoção de novos fogos passaram, desde outubro de 2025, para a empresa municipal Loulé Concelho Global, numa tentativa de garantir “maior capacidade operacional e uma gestão mais especializada, ajustada à complexidade desta área”.
O Município pretende igualmente reforçar o apoio ao arrendamento, procurando chegar “muito em breve, às 400/500 famílias apoiadas”.

Num território que regista atualmente 1128 agregados familiares em situação de carência habitacional, Telmo Pinto considerou necessário um “esforço coletivo para acelerar a oferta habitacional e devolver o sorriso a tantas famílias”.
O autarca alertou ainda para o aumento do preço médio dos imóveis no concelho, que terá crescido cerca de 75% entre 2020 e 2025.

“É alarmante! Exige que o Governo olhe para esta situação que tem impactado nos agregados familiares de classe média, estamos a empobrecer e isso trará consequências graves para a nossa segurança, para a nossa educação e, consequentemente, para o desenvolvimento económico do nosso país”, afirmou.
Para a governante, “A habitação pública é mais do que construção. É a estabilidade social, é a fixação da população, é a qualidade de vida, e num projeto como este, é a qualificação das nossas cidades, a regeneração dos nossos territórios”.















