O mapa geopolítico do velho continente pode estar a preparar-se para sofrer uma alteração com a possível integração de um novo membro. As movimentações políticas recentes indicam que um país situado no extremo norte pode ser o próximo a entrar para a União Europeia. O cenário de guerra no leste europeu alterou de forma drástica a perceção de segurança de várias nações que se mantinham formalmente independentes.
A resposta para esta expansão territorial aponta diretamente para a Islândia, uma nação insular conhecida pelos seus vulcões e pela abundante energia geotérmica. A informação detalhada sobre este processo político é avançada pela revista The Economist, prestigiada publicação britânica focada em assuntos económicos e relações internacionais. O governo islandês tem agendada a realização de um referendo nacional para o dia 29 de agosto com o objetivo de reiniciar as negociações de adesão ao bloco comunitário.
Os motivos económicos e a transição monetária
As razões para esta aproximação prendem-se fortemente com a necessidade de estabilizar a economia local e abandonar a atual moeda nacional. Indica a mesma fonte que a adoção da moeda única europeia traria vantagens financeiras muito significativas face à enorme volatilidade da coroa islandesa. A integração plena garantiria também aos cidadãos insulares uma voz ativa na elaboração das rigorosas regras comerciais que regem o espaço económico comum.
A ilha pertence atualmente ao Espaço Económico Europeu, mas esta posição subalterna obriga à aceitação de regulamentos impostos a partir de Bruxelas sem margem negocial. Esta fragilidade diplomática ficou evidente no ano transato quando o bloco europeu aplicou tarifas pesadas sobre metais produzidos em grande escala no território nórdico.
As ameaças externas e a segurança regional
O panorama militar e comercial da região ártica gera uma enorme preocupação entre os quase 400 mil habitantes da ilha devido às crescentes ambições de potências estrangeiras. A Islândia apresenta uma vulnerabilidade estratégica única por ser o único Estado integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte que não possui forças armadas próprias.
A postura diplomática imprevisível dos Estados Unidos da América agravou o sentimento de insegurança na região após as tentativas governamentais de apropriação do território da Gronelândia. Explica a referida fonte que a diplomacia islandesa reconhece agora a enorme proteção económica e política que a filiação europeia confere aos seus Estados membros perante atos de intimidação internacional.
O histórico de negociações e o setor pesqueiro
A vontade de acolher esta nação nórdica encontra forte eco nos corredores institucionais europeus, existindo abertura declarada para retomar de imediato os trabalhos diplomáticos suspensos. O processo original de candidatura registou avanços muito rápidos no ano de 2009, tendo ficado concluídos 11 dos 35 dossiês de avaliação exigidos em apenas três anos de diálogo.
O principal obstáculo histórico para um acordo definitivo reside na gestão partilhada das águas territoriais e no controlo absoluto sobre a lucrativa indústria pesqueira local. Indica a mesma fonte que os líderes islandeses vão exigir concessões especiais e intransigentes nesta matéria vital para a sua balança comercial.
O ambiente político interno e a ida às urnas
As exigências insulares podem encontrar enorme resistência junto de alguns responsáveis europeus que rejeitam a criação de tratados excecionais para novos integrantes. Contudo, figuras políticas de grande relevo na Europa Central já sugeriram publicamente uma abordagem bastante mais flexível para facilitar a integração pacífica desta democracia nórdica.
No plano político interno, a resistência fervorosa à perda de soberania continua a ser uma força social muito expressiva com raízes históricas seculares. Os partidos da oposição governamental rotulam a retoma do diálogo diplomático como um exercício inútil que resultará numa submissão inaceitável às leis estabelecidas pelos parceiros comunitários.
A consulta popular agendada para o verão constitui um marco cívico histórico, uma vez que a população nunca foi diretamente ouvida sobre a matéria europeia. Explica ainda a The Economist que o resultado desta ida às urnas servirá como um mandato claro para ditar o rumo da política externa islandesa nos próximos anos.
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