Margaret, de 67 anos, e David, de 69, passaram de visitantes regulares do Algarve a candidatos a residentes em Portugal através do visto D7, uma autorização destinada a pessoas com rendimentos regulares que pretendem viver no país sem depender de um emprego local. O casal britânico começou a preparar a mudança depois de David se reformar, em 2024.
A história começou a ganhar forma no final de novembro de 2025, quando os dois procuraram ajuda junto da consultora MJR Associates, que partilhou a história. Durante anos tinham falado sobre a possibilidade de viver em Portugal, depois de várias férias passadas no Algarve. A reforma tornou a hipótese mais concreta, mas o casal precisava de perceber qual seria a solução legal para permanecer no país.
Reforma com destino ao Algarve
A principal dificuldade não estava nos rendimentos. David recebia uma pensão profissional do Governo britânico, enquanto Margaret tinha uma State Pension e uma pequena anuidade. Em conjunto, os dois dispunham de um rendimento mensal regular e previsível, considerado suficiente para a vida em Portugal.
O problema era perceber de que forma essa situação financeira poderia dar origem a um direito de residência. O casal tinha encontrado informações sobre diferentes vistos, incluindo referências ao Golden Visa, mas não tinha uma ideia clara sobre as alternativas disponíveis. Foi nesse contexto que surgiu o D7.
O visto escolhido pelo casal
De acordo com a MJR Associates, o D7 destina-se a pessoas cujo rendimento não depende de uma atividade profissional exercida em Portugal. Entre os potenciais beneficiários estão reformados e pensionistas, mas também pessoas com outras fontes regulares de rendimento, como anuidades, rendas ou retornos de investimentos.
A candidatura exige, entre outros elementos, a demonstração de rendimentos e a apresentação de uma solução de alojamento em Portugal. No caso de Margaret e David, o rendimento conjunto ultrapassava o valor de referência indicado para o visto. A preparação concentrou-se, por isso, sobretudo na documentação necessária para comprovar a situação financeira e pessoal do casal.
Da documentação à entrega do pedido
A preparação começou em dezembro de 2025. O casal reuniu declarações de pensões certificadas, extratos bancários que comprovavam os depósitos regulares, um contrato de arrendamento para uma propriedade no Algarve e um seguro de viagem com a cobertura exigida.
Os dois trataram também da obtenção dos números de identificação fiscal portugueses, conhecidos como NIF, antes da apresentação do pedido, através de um representante fiscal local. O objetivo era chegar à fase consular com os principais documentos já preparados e organizados.
O passo dado em Londres
A candidatura ao D7 é composta por duas fases. A primeira passa pela apresentação do pedido junto do consulado português no país de origem do requerente. Só depois da aprovação e da entrada em Portugal surge a segunda etapa, relacionada com a obtenção da autorização de residência junto da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, AIMA.
No caso de Margaret e David, a candidatura foi apresentada em Londres, depois de a consultora ter ajudado a conseguir uma marcação em janeiro de 2026. O processo encontra-se, de acordo com o caso apresentado pela empresa, a aguardar uma decisão dentro do prazo considerado habitual.
O que acontece depois da aprovação
Se o visto for concedido, o casal deverá entrar em Portugal e concluir o processo junto da AIMA para obter uma autorização de residência com validade de dois anos. Essa autorização pode ser renovada, permitindo manter uma residência legal no país de forma continuada.
O percurso poderá ainda prolongar-se no futuro. Após cinco anos de residência legal contínua, existe a possibilidade de candidatura à residência de longa duração da UE.
Uma solução para quem quer ficar
Para Margaret e David, a questão central não era obter rapidamente um passaporte português. Pretendiam sobretudo deixar de depender das regras aplicáveis a estadias temporárias e poder viver no Algarve de forma regular.
O D7 não é a única possibilidade para cidadãos britânicos que pretendam mudar-se para Portugal, mas é uma das vias destinadas a quem dispõe de rendimentos regulares e não necessita de exercer uma atividade profissional no país. A mesma solução pode abranger pessoas com pensões, anuidades, rendimentos de propriedades ou determinados retornos de investimentos.
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