A nota de 500 euros está cada vez mais perto de desaparecer do dia a dia dos portugueses. Embora continue a ser legal e possa ainda ser usada em pagamentos, o Banco Central Europeu deixou de a produzir e os bancos centrais da área do euro já não a emitem desde 2019. Em Portugal, estas notas estão agora a ser retiradas de circulação de forma gradual sempre que chegam ao Banco de Portugal.
De acordo com a SAPO, os dados mais recentes mostram que, ao longo de 2025, entraram no Banco de Portugal 400 mil notas de 500 euros, no valor total de 204,7 milhões de euros. Segundo o Relatório da Emissão Monetária de 2025, estas notas são destruídas à medida que regressam ao banco central, numa estratégia que acompanha a decisão europeia de abandonar esta denominação.
A retirada da nota de 500 euros não é nova, mas continua a ganhar expressão. O BCE excluiu esta denominação da série Europa, lançada em 2013, e pôs fim de forma permanente à sua produção. Apesar disso, as notas mantêm-se válidas e conservam o seu valor facial, podendo ser trocadas ou utilizadas.
Quantas notas de 500 euros chegaram ao Banco de Portugal
O número de notas entregues tem vindo a cair de forma progressiva nos últimos anos. Em 2023, deram entrada cerca de 900 mil notas de 500 euros, no valor de 276,4 milhões de euros.
Já em 2024, esse volume desceu para 500 mil notas, correspondentes a 263,5 milhões de euros. Em 2025, a redução voltou a notar-se, com 400 mil exemplares recebidos pelo Banco de Portugal.
Esta evolução confirma uma tendência de recuo contínuo na circulação desta nota em território nacional. Ainda assim, o montante continua a ser significativo, o que mostra que a denominação continua a entrar em Portugal, mesmo estando em fase de desaparecimento.
Turismo ajuda a explicar entrada destas notas em Portugal
De acordo com o relatório, as notas de valor mais elevado entram no circuito nacional sobretudo através do turismo. Como muitas vezes não são absorvidas pela economia portuguesa, acabam por ser depositadas no Banco de Portugal.
O banco central explica que, em 2025, entraram 383,3 milhões de notas no total, menos 22,6 milhões do que no ano anterior. A quebra foi sentida em todas as denominações, mas foi mais visível entre as notas de maior valor, entre os 50 e os 500 euros.
Esta realidade mostra que nem todas as notas que chegam ao país acabam por circular de forma expressiva no comércio e nos pagamentos habituais. No caso das mais elevadas, o destino tende a ser o regresso ao banco central.
A nota de 20 euros é a mais pedida pelos bancos
Embora a nota de 500 euros continue a chamar a atenção, a mais requisitada em Portugal é a de 20 euros. Segundo o mesmo documento, esta denominação representou 49% das notas entregues às instituições de crédito em 2025.
O relatório indica ainda que o valor líquido desta nota quadruplicou nos últimos 20 anos. Isso ajuda a perceber o peso crescente que mantém no quotidiano, sobretudo em levantamentos e pagamentos mais correntes.
Já na área do euro, a nota de 50 euros continua a ser a mais utilizada. No final de 2025, quase metade das notas em circulação correspondia precisamente a esta denominação.
No conjunto da zona euro, o número de notas em circulação atingiu um novo máximo no final de 2025, ultrapassando os 31 mil milhões de unidades, num valor total de 1,6 biliões de euros. Apesar disso, a nota de 500 euros segue um caminho diferente e está a sair de cena de forma gradual, ainda que sem perder validade.
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