Itália voltou a emitir um alerta alimentar por presença de anisakis em cavala com origem em Espanha, numa nova notificação validada pelas autoridades europeias no sistema RASFF. O caso foi classificado como de “risco potencial” para o consumidor e levou à retirada dos lotes afetados deste peixe do mercado italiano.
Segundo o jornal espanhol El Correo, a nova ocorrência surge depois de uma primeira notificação, feita por Itália a 20 de março, também relacionada com cavala proveniente de Espanha. Nessa altura, o alerta incidia sobre cavala fresca refrigerada, igualmente por deteção de larvas de anisakis.
De acordo com o registo europeu mais recente, a nova notificação foi validada na sexta-feira passada e refere-se a um lote de cavala originária de Espanha onde foram detetadas larvas de anisakis. O RASFF, o sistema europeu de alerta rápido para géneros alimentícios e alimentos para animais, identifica o caso como um risco potencial e indica medidas de retirada do produto.
Segundo alerta em poucas semanas
O facto de se tratar de uma segunda notificação em poucas semanas volta a colocar o foco sobre este peixe azul, frequentemente consumido em vários países europeus. No primeiro caso, a deteção foi reportada em cavala fresca; agora, o alerta voltou a ser desencadeado por Itália em relação a nova cavala proveniente de Espanha.
Para já, não existe qualquer comunicado público recente das autoridades espanholas que contrarie ou detalhe esta nova notificação. O dado confirmado no sistema europeu é que a ocorrência foi validada e que foram tomadas medidas sobre o produto em causa no mercado italiano.
O anisakis é um parasita que pode estar presente em diferentes espécies de peixe e cefalópodes marinhos. O risco para a saúde surge sobretudo quando o pescado é consumido cru ou pouco cozinhado, ou em preparações que não eliminem o parasita.
O que recomenda a AESAN
Em Espanha, a AESAN recomenda comprar peixe eviscerado sempre que possível e cozinhar o produto a temperatura suficiente para destruir o parasita. Quando o peixe vai ser consumido cru, marinado ou em preparações semelhantes, a recomendação oficial passa por congelar previamente o produto a -20 ºC durante pelo menos cinco dias em congelador de três estrelas ou mais.
Esta precaução aplica-se sobretudo a espécies mais associadas ao anisakis, entre as quais se incluem a cavala, a sardinha, o biqueirão, a pescada, o bacalhau, o carapau, a lula e a sépia. Já os peixes de água doce e muitos bivalves apresentam risco muito inferior.
Os especialistas recordam ainda que o problema não está necessariamente na origem espanhola do peixe, mas sim na presença do parasita em determinadas espécies marinhas. Ainda assim, a repetição de notificações em pouco tempo aumenta a atenção das autoridades sanitárias e dos consumidores. Esta última frase é uma inferência com base na repetição de alertas em março e abril.
O que devem fazer os consumidores
Para os consumidores, o essencial é garantir uma preparação segura do pescado. Se o peixe for bem cozinhado, o risco baixa de forma significativa. Se for para consumo cru ou pouco cozinhado, a congelação prévia continua a ser a principal medida de proteção recomendada pelas autoridades de segurança alimentar.
A nova notificação europeia mostra que a vigilância alimentar continua ativa e que os mecanismos de alerta permitem retirar produtos do mercado quando é detetado um risco potencial. No caso da cavala com origem em Espanha, foi isso que aconteceu novamente em Itália.
Leia também: Novo membro a caminho? Este país pode ser o próximo a entrar na União Europeia
















