Se convidasse o leitor a viajar comigo numa máquina do tempo, para nos mudarmos para a Europa de há 40 anos atrás, provavelmente iria preferir ficar onde está agora. O progresso feito nos últimos 40 anos é muito, e é importante ser celebrado! Esse percurso fez-se com várias conquistas e visões. No entanto, há ainda muito caminho por caminhar. Faço aqui uma reflexão de pequenas mudanças, que poderiam ter um impacto bastante grande no futuro da Europa, principalmente ligados à comunicação com os jovens.
Na minha vida, tive a oportunidade de viver a Europa de muitas maneiras, desde o meu Erasmus na Dinamarca em 2016, no interrail de 2015, até ao meu estágio no Parlamento Europeu agora em 2023. E não só nessas experiências se vive a Europa. Ela está presente todos os dias, muitas vezes sem repararmos, em tudo aquilo que fazemos, compramos e usamos.
Coincidiu com o meu regresso a Portugal, depois de 7 anos no estrangeiro, as eleições europeias de 2024, com a grande campanha de “Usa o teu voto”. Tendo em conta a importância dessas eleições, que iria influenciar grande parte da legislação nacional também nos próximos anos, apercebi-me que a informação não era abundante, até pelo contrário. Como nos poderíamos facilmente informar sobre o que tinha sido feito? Como ter um voto realmente informado?
Infelizmente, as respostas a essas perguntas não foram as melhores, toda a informação institucional em nada permitia um voto informado, visto que era sempre apartidária (“A Europa fez”, “Bruxelas aprovou”, “A Europa decidiu”), e o site oficial do Parlamento Europeu não permite de todo uma leitura fácil das votações tomadas. O site com os resultados das votações não é mais que uma lista infindável com os apelidos dos eurodeputados, impossível de tirar qualquer conclusão útil e informada de lá.
Usei a minha formação académica, de engenharia informática, para fazer um código que permitia processar esses dados e assim obter uma visão mais clara e informada das decisões tomadas, e comecei a partilhar nas redes sociais (@politicafactualeu_pt). Este projeto teve uma recetividade bastante positiva, um projeto simples, imparcial e necessário. Penso que a Europa ainda falha muito na comunicação. A pesada burocracia das instituições, e a falta de lideranças ágeis, é espelhada em tudo o que apresentam. A informação já existe, mas deveria haver uma maneira mais simples e impactante de capacitar as pessoas e se comunicar com elas.
Há muito que se fala da falta de inovação na Europa, e no entanto, pouco se investe na capacitação dos jovens em criar empresas, ou como procurar investimento. Todo esse processo assusta os jovens. Por exemplo, uma simples candidatura Erasmus+ é de uma complexidade enorme, pouco simplificado, e as associações perdem quase dois ou três meses de trabalho, só para preparar uma simples candidatura. Isto cria também distopias, em que temos profissionais de candidaturas, pessoas especializadas em fazer candidaturas, de tão complexo que o sistema é.
Espero que não sejam necessários mais 40 anos para a Europa investir numa comunicação ágil, acessível e realmente prática e impactante. Convido também todos os cidadãos a criarem projetos e trazerem inovação, quando a Europa falha, e pressionar assim as instituições a fazerem melhor, e a aprenderem também com a sociedade civil.
Sobre o autor do artigo: José d’Assis Cordeiro, tem 29 anos, é formado em Engenharia Informática, estando a concluir um segundo mestrado em Engenharia Electrotécnica, no IST, e outro em Estatística e Investigação Operacional, na FCUL. É presidente da Associação Política Factual XXI, que desenvolve projetos como a Política Factual e o Manual da Juventude.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 visões da Europa: Sem a União Europeia, nada disto seria possível | Por Maria Oliveira

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