Quase oito em cada 10 idosos não conseguem pagar um lar apenas com os seus próprios rendimentos. A conclusão consta de um estudo da DECO PROteste, realizado junto de 694 familiares de utentes de estruturas residenciais para pessoas idosas, também conhecidas como ERPI.
De acordo com os dados divulgados, 79% dos idosos não conseguem suportar os custos do lar sem ajuda financeira das respetivas famílias. A organização alerta que esta realidade mostra como o acesso a cuidados na velhice continua, em muitos casos, dependente da capacidade económica dos agregados familiares.
Famílias suportam parte dos custos dos lares
Os custos dos lares acabam frequentemente por ser assumidos pelos familiares, o que representa um esforço financeiro significativo para muitas famílias. Para a DECO PROteste, esta situação levanta questões sobre a forma como o país responde ao envelhecimento da população e à necessidade de cuidados continuados.
“A forma como cuidamos dos nossos idosos diz muito sobre a sociedade que queremos construir. Não é aceitável que tantas famílias tenham de suportar um esforço financeiro tão elevado para garantir cuidados essenciais aos seus pais e avós”, defende a DECO PROteste, num comunicado sobre o estudo, ao qual o Notícias ao Minuto teve acesso.
Além da dificuldade em pagar, há também problemas no acesso a vagas. Segundo a organização, perante a falta de oferta disponível, “cerca de um terço das famílias acaba por escolher uma instituição que não era a sua primeira opção, privilegiando muitas vezes a disponibilidade em detrimento da localização ou das condições pretendidas”.
DECO PROteste pede mais resposta para idosos
Num contexto de envelhecimento da população portuguesa, a DECO PROteste considera urgente reforçar a capacidade das estruturas residenciais para pessoas idosas. A organização defende que estes equipamentos devem tornar-se mais acessíveis e financeiramente sustentáveis para as famílias.
A associação pede também maior transparência nos custos, mais recursos humanos e um reforço dos cuidados prestados, em particular nas áreas da saúde mental e do acompanhamento especializado. O objetivo, sublinha, é evitar que o acesso a um envelhecimento digno dependa sobretudo da capacidade económica das famílias.
“Num contexto de envelhecimento da população portuguesa, a DECO PROteste considera urgente reforçar a capacidade de resposta das estruturas residenciais para pessoas idosas, tornando-as mais acessíveis e financeiramente sustentáveis para as famílias”, sublinha a organização, defendendo ainda “maior transparência nos custos, mais recursos humanos e um reforço dos cuidados prestados, em particular nas áreas da saúde mental e do acompanhamento especializado, para que o acesso a um envelhecimento digno não dependa exclusivamente da capacidade económica das famílias”.
Estudo foi realizado antes do Dia dos Avós
O estudo foi divulgado à margem do Dia dos Avós, que se assinala no próximo domingo. Para a DECO PROteste, a data deve servir não só para valorizar o papel dos avós nas famílias, mas também para refletir sobre as dificuldades enfrentadas por quem precisa de garantir cuidados numa fase de maior dependência.
“No Dia dos Avós celebramos o papel insubstituível que desempenham nas famílias. Mas para milhares de portugueses, a preocupação maior é garantir-lhes cuidados dignos numa fase de maior dependência, uma missão que continua a ser dificultada pelos elevados custos dos lares e pela escassez de vagas”, conclui a organização.
O inquérito decorreu entre setembro e novembro de 2025, junto de 694 familiares de utentes que estiveram em lares nos cinco anos anteriores. Segundo a DECO PROteste, os dados foram ponderados para refletirem a distribuição nacional de camas disponíveis nestas estruturas por zona geográfica, traduzindo as experiências e opiniões dos inquiridos.
Apesar de o estudo evidenciar a dificuldade de muitas famílias em suportar estes encargos, o texto divulgado não indica um valor médio nacional para o custo mensal de um lar. A conclusão central é que, para a maioria dos idosos abrangidos, os rendimentos próprios não chegam para pagar a resposta residencial de que necessitam.
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