Após as críticas da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) à formulação de uma pergunta do exame de Matemática A da 2.ª fase, o EduQA rejeitou esta sexta-feira, 24 de julho, a existência de fundamento para medidas corretivas e garantiu que todas as respostas cientificamente corretas e devidamente justificadas serão avaliadas.
A prova, realizada na quarta-feira por alunos do ensino secundário, foi contestada pela SPM, que apontou uma “formulação deficiente” num dos itens e considerou que o enunciado colocava em causa o rigor matemático.
O presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), Luís Pereira dos Santos, respondeu que a expressão utilizada pela sociedade científica “peca por excessiva” e defendeu que a formulação adotada é habitual neste tipo de provas.
Pergunta sobre números naturais gera divergência
Em causa está uma questão que pedia aos alunos que considerassem “todos os números naturais com cinco algarismos diferentes” e determinassem “quantos destes números são múltiplos de cinco e maiores do que 50.000”.
Para a Sociedade Portuguesa de Matemática, a redação não era “compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação” e poderia abranger “infinitos números que satisfazem os requisitos definidos”.
“A SPM lamenta esta imprecisão no enunciado que, na realidade, é um erro formal”, afirmou a sociedade, acrescentando que “as incorreções de português são reprováveis em qualquer prova e refletem-se (…) no rigor matemático dos itens”.
O EduQA contrapôs que o enunciado utiliza uma formulação corrente na linguagem matemática escolar e “pressupõe um nível de familiaridade compatível com o percurso escolar dos alunos”.
Segundo o instituto, o essencial é saber se os estudantes conseguem compreender “de forma inequívoca” aquilo que lhes é pedido, e não avaliar “se é possível conceber interpretações alternativas particularmente criativas ou inesperadas”.
Respostas alternativas serão consideradas
Luís Pereira dos Santos afirmou não existirem fundamentos “para qualquer medida corretiva”.
O responsável assegurou, contudo, que qualquer aluno que tenha apresentado “uma interpretação cientificamente correta e fundamentada do enunciado” verá a resposta apreciada através dos mecanismos de supervisão da classificação.
O objetivo, acrescentou, é garantir a equidade e a justiça do processo de avaliação.
O presidente do EduQA sublinhou que considerar soluções diferentes, desde que cientificamente corretas e justificadas, constitui uma “prática habitual nos processos de classificação e supervisão das provas de avaliação externa”.
EduQA lamenta ausência da SPM nas auditorias
Na resposta às críticas, Luís Pereira dos Santos começou também por “lamentar a ausência” da Sociedade Portuguesa de Matemática no processo de auditorias do Conselho Científico, realizado antes da impressão da versão final dos exames.
O responsável afirmou terem sido desenvolvidas “diversas diligências” para assegurar a participação da SPM.
Na sua perspetiva, a ausência da sociedade científica “privou o sistema do seu contributo especializado para a melhoria dos instrumentos de avaliação externa”.
O exame de Matemática A integrou a 2.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário. Em 2026 haverá ainda uma época especial em setembro, criada na sequência dos problemas registados no processo de classificação digital das provas.
A.Pinto / HDF
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