Num momento em que muitos reformados regressam ao trabalho por não terem pensões suficientes para fazer face ao custo de vida, há casos que fogem a essa realidade. É o que acontece com José, um homem espanhol de 75 anos que decidiu voltar a trabalhar depois de apenas quatro meses de reforma, não por necessidade financeira, mas porque não conseguiu adaptar-se à vida longe do balcão do seu café, segundo o jornal digital Noticias Trabajo.
A história passa-se em Pontevedra, na Galiza, onde José retomou a atividade na sua própria cafetaria, servindo cafés e pequenos-almoços como fez durante décadas. Prestes a completar 75 anos, voltou a inscrever-se no regime de trabalhadores independentes, abdicando, pelo menos para já, da reforma.
José admite que o período de afastamento do trabalho foi mais difícil do que imaginava. “Estive apenas quatro meses reformado e sentia-me deprimido e aborrecido”, contou.
Uma reforma que não correu como esperado
Depois de uma vida inteira de trabalho, a mudança de ritmo revelou-se demasiado brusca. José explica que passou grande parte desse tempo em casa, sem motivação, o que acabou por afetar o bem-estar físico e emocional.
Durante esse período, chegou mesmo a passar dias inteiros deitado, uma situação que o levou a tomar uma decisão pouco comum para a idade. Optou por suspender o recebimento da pensão e voltar a inscrever-se como trabalhador independente para reabrir o negócio, refere a mesma fonte.
A decisão foi encarada como um regresso à normalidade. O contacto diário com clientes, a rotina e o movimento do café devolveram-lhe a energia que sentia ter perdido durante a reforma.
“Vou trabalhar até não conseguir mais”
Na mesma reportagem, o homem de 75 anos não esconde a determinação em continuar ativo. “Vou trabalhar até cair e já não me conseguir levantar”, afirmou, deixando claro que só um problema sério de saúde o afastaria novamente do trabalho.
O testemunho contrasta com a realidade de muitos outros reformados, que regressam ao mercado laboral por razões económicas. No caso de José, o motivo é essencialmente emocional e ligado ao prazer de continuar a trabalhar.
De acordo com o Noticias Trabajo, a atividade profissional surge, assim, como uma forma de manter a saúde mental, a autonomia e o sentido de utilidade no dia a dia.
O enquadramento legal em Espanha
Em Espanha, a idade legal da reforma está atualmente fixada nos 66 anos e oito meses para quem não reúna pelo menos 38 anos e três meses de descontos. Ainda assim, existem diferentes modalidades que permitem conciliar trabalho e pensão.
Uma dessas opções é a reforma parcial, que possibilita a combinação de um emprego a tempo parcial com o recebimento de parte da pensão. Neste regime, o trabalhador pode reduzir o horário entre 25% e 75%, recebendo simultaneamente a percentagem correspondente da prestação.
Durante este período, continua a descontar como se estivesse a trabalhar a tempo completo. Quando termina a fase de reforma parcial, passa então a receber a totalidade da pensão.
Uma realidade cada vez mais visível em Portugal
Em Portugal, o regresso de reformados ao mercado de trabalho tem-se tornado mais frequente nos últimos anos, sobretudo entre quem recebe pensões mais baixas e sente dificuldades em acompanhar o aumento do custo de vida. No entanto, tal como no caso de José, também existem situações em que a motivação não é financeira, mas sim a necessidade de manter uma rotina ativa, preservar a autonomia e evitar o isolamento associado à reforma prolongada.
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