A ameaça de um confronto nuclear voltou a surgir nas conversas sobre segurança internacional, impulsionada pelas novas tensões geopolíticas no Leste Europeu. A guerra na Ucrânia e o discurso mais assertivo das potências atómicas têm reacendido o debate sobre os riscos que pairam sobre o continente europeu.
Apesar de ser um cenário extremo e pouco provável, o uso de ogivas nucleares está previsto nas doutrinas de defesa de vários países, o que levanta questões sobre os seus impactos reais, diretos e indiretos, numa região densamente povoada como a Europa.
O impacto de uma explosão nuclear na Europa
Segundo o site Meteored, uma ogiva nuclear teria efeitos imediatos devastadores num raio de 1 a 2 quilómetros, provocando uma onda de choque capaz de destruir infraestruturas, incêndios de grandes proporções e libertação de radiação gama.
A exposição direta a esta radiação causaria sintomas graves como vómitos, hemorragias internas e, em muitos casos, a morte em poucos dias. Para além disso, os efeitos secundários poderiam estender-se por centenas de quilómetros através da chamada precipitação radioativa.
A ameaça invisível da precipitação radioativa
As partículas radioativas libertadas após uma explosão podem ser transportadas pelos ventos, contaminando solos, águas e atmosferas de regiões longínquas.
Ainda segundo a mesma fonte, esta “chuva radioativa” tornaria perigosas zonas afastadas dos pontos de impacto direto, o que significa que nenhum país europeu estaria completamente a salvo.
A configuração geográfica e os padrões atmosféricos são, por isso, fatores determinantes no grau de exposição de cada nação.
Alemanha, Polónia e Itália entre os mais vulneráveis
Entre os países mais expostos destacam-se a Alemanha, a Polónia e a Itália. De acordo com o mesmo artigo, a Alemanha, por exemplo, alberga várias bases da NATO, nomeadamente em Ramstein e Büchel, que são consideradas alvos estratégicos em caso de conflito.
A Polónia enfrenta riscos acrescidos devido à sua proximidade com a Rússia e a Bielorrússia. No caso italiano, o norte do país estaria particularmente exposto às consequências de ataques nas bases militares de Aviano e Ghedi.
O fator meteorológico que agrava os riscos
Os ventos dominantes de oeste para leste podem acelerar a propagação da radiação por toda a Europa Central. Países como os Bálticos, mesmo com menor densidade populacional, seriam afetados por estarem alinhados com as rotas atmosféricas que transportariam as partículas radioativas.
Durante o outono e o inverno, os ventos de leste também se tornam mais frequentes, o que pode inverter os padrões esperados e alastrar a contaminação a outras regiões.
Portugal entre os países com menor exposição direta
Entre os que estariam mais resguardados encontram-se Portugal, Espanha, Irlanda, Suécia e Noruega. Portugal, em particular, beneficiaria da sua posição ocidental e da ausência de bases militares de grande dimensão ligadas à NATO.
A Irlanda, graças à sua neutralidade e isolamento geográfico, é apontada como uma das nações menos afetadas, escreve o Meteored. Já os países escandinavos, apesar da sua integração na NATO, teriam uma exposição limitada devido à sua localização a norte e à baixa densidade populacional.
Segurança relativa, mas não garantida
Ainda assim, os especialistas citados pelo site Meteored alertam que nenhuma região do continente está totalmente imune. A precipitação radioativa pode atravessar fronteiras em poucas horas, atingindo mesmo os países considerados mais seguros.
O que diferencia estas nações é, sobretudo, a menor probabilidade de serem alvos diretos e o menor impacto esperado da radiação, salvo condições atmosféricas adversas.
Portugal, embora afastado das linhas de confronto, não está completamente fora de perigo. No entanto, a sua posição periférica poderá representar uma vantagem significativa num eventual conflito nuclear, colocando o país entre os que apresentam menor vulnerabilidade direta.
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