Num mercado de trabalho onde salários elevados costumam andar de mãos dadas com rotinas exigentes, há histórias que continuam a surpreender. Com menos de 30 anos, uma engenheira norueguesa ganha mais de 130 mil euros por ano e trabalha num regime que lhe permite acumular cerca de 250 dias de descanso anuais, embora admita que o chamado “emprego de sonho” tem custos pessoais significativos.
Amalie Lundstad tem 29 anos e trabalha como engenheira de processos numa plataforma petrolífera ao largo de Bergen, na Noruega. Há cerca de três anos que esta é a realidade profissional, num local isolado, suspenso sobre o mar, onde a disciplina e a segurança ditam o ritmo dos dias, de acordo com a revista Men’s Health.
Apesar das ausências prolongadas, a engenheira reconhece que este estilo de vida lhe trouxe algo raro: uma sensação de liberdade pouco comum, ainda que muito diferente daquela vivida pela maioria das pessoas.
Rotinas rigorosas e elevada responsabilidade
O emprego é organizado em turnos de duas semanas, que podem começar de madrugada ou ao final da tarde. Cada jornada segue um protocolo bem definido, que inclui a passagem de turno, a distribuição de tarefas e a revisão exaustiva das normas de segurança.
Enquanto responsável de área, Amalie coordena operações onde a margem para erro é praticamente inexistente. Todas as tarefas são realizadas em equipa, seguindo o chamado princípio dos “quatro olhos”, uma prática essencial em ambientes onde circulam grandes quantidades de energia e qualquer falha pode ter consequências graves.
Em declarações à edição italiana da Men’s Health, explica que ecrãs, alarmes e sistemas automatizados controlam cada movimento, tornando a concentração permanente uma exigência constante.
Sacrifícios pessoais e compensações no local de emprego
A distância da família e dos amigos é um dos aspetos mais difíceis de gerir. O isolamento, o stress acumulado e as longas ausências afastam muitos profissionais deste tipo de carreira. “É preciso estar disposto a fazer sacrifícios; depois, a recompensa pode ser uma vida extraordinária”, resume, citada pela mesma fonte.
Para atenuar o impacto do isolamento, a plataforma dispõe de várias comodidades, como ginásio, simuladores de golfe e de caça e espaços de lazer. Apesar de ser uma das poucas mulheres no local, garante que a adaptação a um ambiente maioritariamente masculino acabou por acontecer de forma natural.
Liberdade que nem sempre coincide com a dos outros
Os longos períodos de descanso ganham verdadeiro significado quando regressa a terra firme. É nessa altura que Amalie aproveita para viajar, dedicar-se a interesses pessoais e manter uma presença ativa nas redes sociais, onde partilha o quotidiano entre turnos de trabalho e momentos de pausa.
As imagens publicadas mostram céus impressionantes e paisagens marcadas por pores do sol intensos, mas também ajudam a explicar uma realidade menos visível. Ter muitos dias livres não significa total liberdade. O calendário laboral condiciona compromissos pessoais, celebrações e férias, que ficam dependentes das escalas definidas com meses de antecedência.
“O tempo livre é muitas vezes mais controlado pelo trabalho do que pela própria vida”, explica, sublinhando que nem sempre coincide com o descanso de quem vive em terra.
Um sonho que exige adaptação
Segundo a Men’s Health, o que para muitos representa um ideal profissional, com salário elevado, estabilidade financeira e uma rotina fora do comum, implica aceitar uma vida paralela, organizada a um ritmo muito próprio. Nem todos estão dispostos a fazê-lo.
Para quem se adapta, como Amalie Lundstad, este modelo acaba por proporcionar uma forma diferente de independência, conquistada depois de aceitar os desafios de uma profissão que se desenrola para lá do horizonte marítimo.
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