Num momento em que o debate sobre a ocupação ilegal de imóveis continua a gerar polémica em Espanha, um caso ocorrido na ilha de Fuerteventura voltou a expor as dificuldades enfrentadas pelos proprietários para recuperar espaços ocupados ilegalmente. Um parque de diversões transformou-se, ao longo de mais de dois anos, num local de ocupação massiva por ‘okupas’, sem que, segundo os responsáveis, exista uma resposta eficaz da polícia.
Segundo o jornal La Razón, o caso envolve um parque de atrações situado em Fuerteventura, nas Canárias, que deixou de funcionar como espaço de lazer e passou a estar ocupado por dezenas de pessoas. A denúncia foi tornada pública por Manolo Millán, administrador do parque.
Ocupação prolongada e número crescente de pessoas
Segundo Manolo Millán, a ocupação ilegal do parque não é recente e tem vindo a agravar-se com o passar do tempo. O responsável afirma que a presença de ocupantes começou há mais de dois anos e que o número aumentou de forma significativa.
“Estamos a falar de nada mais nada menos do que 75 okupas lá dentro, e cada vez há mais”, afirmou o administrador, sublinhando que a situação se arrasta sem solução à vista. O próprio explica que, numa fase inicial, o número rondava as quatro dezenas, mas foi crescendo progressivamente até ao cenário atual.
Denúncias sem resposta das autoridades
De acordo com o responsável, foram feitas várias participações formais às entidades competentes, incluindo tribunais e forças de segurança, sem que tenha havido intervenção concreta no terreno. Manolo Millán afirma que a sensação de abandono é total por parte das autoridades.
“Estamos a denunciar ao tribunal, a denunciar à Guardia Civil, mas aqui ninguém faz nada”, relatou, citado pela mesma fonte, acrescentando que a inação se mantém apesar da gravidade do caso. É neste contexto que surge a frase que resume o sentimento de frustração dos proprietários, quando questionam a eficácia da lei: “Há 75 ‘okupas’ lá dentro e a polícia não faz nada”.
Problemas de segurança e salubridade
Para além da ocupação em si, o administrador denuncia uma degradação profunda das instalações do parque. Segundo o relato, existem incêndios recorrentes, acumulação de lixo e condições que considera insalubres. Manolo Millán descreve que os resíduos são deixados a céu aberto, incluindo restos orgânicos e dejetos, criando um ambiente considerado perigoso para a saúde pública.
Destruição de equipamentos e ocupações improvisadas
O responsável denuncia ainda danos significativos no património do parque. Equipamentos foram destruídos, infraestruturas vandalizadas e diversas áreas adaptadas para habitação improvisada.
Segundo o administrador, algumas pessoas instalaram construções com paredes, mobiliário e até zonas ajardinadas, enquanto outras áreas do parque foram deliberadamente danificadas. O contraste entre as estruturas originais e o estado atual é apontado como prova do impacto da ocupação ilegal prolongada.
Ligações ilegais à eletricidade
Outro dos problemas identificados prende-se com o fornecimento de energia elétrica. Manolo Millán explica que o parque deixou de ter eletricidade após a destruição das câmaras de vigilância e o roubo de cabos de cobre.
De acordo com o administrador, os ocupantes terão recorrido a ligações ilegais para obter eletricidade, ligando-se a uma infraestrutura próxima que ainda dispunha de energia. Esta situação levanta preocupações adicionais relacionadas com segurança e risco de incêndio, refere a mesma fonte.
Investimento milionário e impacto económico
O parque de atrações representou, segundo os responsáveis, um investimento superior a 35 milhões de euros e chegou a empregar cerca de 200 pessoas. Para além dos postos de trabalho diretos, a infraestrutura atraía turistas e dinamizava a economia local, segundo o La Razón.
Os proprietários questionam agora como um projeto com este impacto económico e social pode permanecer ocupado pelos ‘okupas’ durante anos sem uma resposta eficaz por parte da polícia.
















