Embora os mamíferos raramente produzam veneno, há exceções que continuam a surpreender os cientistas. A presença da musaranha-de-água foi recentemente observada na ilha dinamarquesa da Fiónia, mais precisamente na zona de Vejstrup Ådal, próxima da cidade de Svendborg, segundo o jornal digital HuffPost. Esta espécie tem menos de 15 centímetros, vive em zonas húmidas e tem uma mordedura venenosa.
Metabolismo acelerado
Esta musaranha vive junto a ribeiros, charcos e zonas alagadas, onde caça pequenos invertebrados e insetos aquáticos. Uma das suas maiores peculiaridades está no metabolismo: o seu coração pode bater até 1.200 vezes por minuto. Essa exigência fisiológica obriga-a a alimentar-se quase constantemente, já que bastam poucas horas sem comer para que entre em risco de vida.
Caça através do som e do veneno
Apesar do tamanho reduzido, a musaranha-de-água é uma predadora eficaz, de acordo com a mesma fonte. Utiliza um sistema rudimentar de ecolocalização subaquática, emitindo ondas sonoras que lhe permitem detetar presas mesmo em ambientes de baixa visibilidade, como águas turvas ou zonas cobertas de vegetação.
Esta aptidão para se orientar e caçar debaixo de água é pouco comum entre os mamíferos, e soma-se à sua agilidade: as crias começam a caçar poucos dias após o nascimento, mesmo antes de abrirem os olhos.
Mas é a sua saliva venenosa que mais surpreende os especialistas. Produzida por glândulas específicas, permite-lhe paralisar ou enfraquecer presas maiores e competir com outras espécies por alimento, conforme refere a mesma fonte.
Sem perigo para humanos
Apesar de venenosa, esta espécie não representa qualquer risco para os humanos. A substância que produz serve apenas para fins alimentares e de sobrevivência, não havendo registo de incidentes ou complicações em contacto com pessoas.
Este traço, contudo, coloca a espécie numa lista muito restrita: apenas algumas espécies de mamíferos no mundo produzem veneno, como o ornitorrinco macho (na Austrália) ou o lóris-lento (no sudeste asiático). Na Europa, é uma exceção quase absoluta, de acordo com o jornal digital HuffPost.
A sua deteção na Dinamarca, agora confirmada por observadores locais, contribui para o conhecimento da fauna europeia e levanta questões sobre os efeitos das alterações climáticas e da preservação dos habitats naturais.
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