Uma burla telefónica está a preocupar as autoridades italianas. Os criminosos recorrem a números que aparentam ter origem em Espanha, o que torna o esquema mais convincente e dificulta a desconfiança inicial.
A técnica, conhecida como vishing, tem como objetivo roubar dados pessoais e bancários através de chamadas que parecem legítimas.
Como atuam os burlões
De acordo com o jornal espanhol AS, as chamadas surgem no visor dos telemóveis com o indicativo internacional +34, associado a Espanha. Na realidade, trata-se de uma máscara criada por tecnologia VoIP, que permite esconder o verdadeiro local de origem da comunicação. Muitos destes números parecem inclusive ser de linhas fixas, o que aumenta a credibilidade junto das vítimas.
O guião utilizado é quase sempre o mesmo. O interlocutor apresenta-se como funcionário do banco e afirma que foram detetados movimentos suspeitos na conta. Para ganhar a confiança, chega a referir o nome real da instituição financeira. Perante o medo de perder dinheiro, a vítima acaba por fornecer dados confidenciais, como códigos de acesso ou números de cartão.
Fraudes semelhantes em Espanha e Portugal
Segundo a Polícia Nacional espanhola, citada em comunicado oficial, estas chamadas são feitas em massa e podem imitar não apenas bancos, mas também empresas de serviços essenciais. Em alguns casos, basta a vítima responder “sim” para que a gravação da voz seja utilizada como forma de validação fraudulenta de operações.
O alerta foi também reforçado pelo Banco de Espanha, que sublinha a importância de confirmar sempre a legitimidade de qualquer contacto.
Em Portugal já foram identificadas situações semelhantes, embora com menor escala. O portal português Pplware, especializado em tecnologia, explica que alguns utilizadores têm recebido chamadas internacionais com prefixos suspeitos e que, ao devolver a chamada, podem ser cobradas tarifas elevadas ou conduzidos para esquemas fraudulentos. De acordo com a fonte, a Polícia Judiciária tem vindo a alertar para este tipo de burlas, aconselhando os cidadãos a nunca fornecerem dados pessoais ou bancários por telefone.
Como se proteger destas chamadas
Os especialistas ouvidos pelo AS e por outros meios de comunicação recomendam que, perante uma chamada inesperada que invoque urgência ou problemas na conta bancária, a reação deve ser simples: desligar de imediato e contactar a instituição através dos canais oficiais.
É igualmente aconselhável ativar filtros de spam nos telemóveis, bloquear números suspeitos e reportar todas as tentativas às autoridades policiais. Em Portugal, os casos podem ser comunicados à PSP, à GNR ou diretamente à Linha Internet Segura.
Um problema europeu em crescimento
O AS sublinha que, em Itália, esta fraude ganhou escala nos últimos meses, mas os métodos utilizados podem facilmente ser replicados noutros países europeus. A sofisticação tecnológica e a exploração da componente emocional das vítimas tornam o fenómeno difícil de controlar.
As autoridades recordam que nenhum banco legítimo solicita códigos confidenciais, transferências urgentes ou dados pessoais por telefone. A prudência e a prevenção são, por isso, as melhores formas de evitar cair num esquema que continua a expandir-se e que ameaça também os consumidores portugueses.
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