A Polícia Nacional espanhola voltou a alertar para uma burla em caixas multibanco que tem vitimado sobretudo pessoas idosas: criminosos simulam uma “avaria”, aproximam-se para “ajudar” e conseguem deixar o terminal pronto a ser usado para levantar dinheiro sem autorização. Em Madrid, uma investigação levou à detenção de cinco suspeitos e à atribuição de pelo menos 21 crimes.
Segundo o portal espanhol La Información, a notícia tem sido divulgada por vários órgãos de comunicação social que associam o aviso a uma operação policial na Comunidade de Madrid, com ocorrências em vários municípios da região.
O padrão preocupa as autoridades por explorar vulnerabilidades comuns: pressa, menor familiaridade com tecnologia e a tendência para aceitar ajuda de desconhecidos quando o equipamento “não responde”. Foi também nesse contexto que a Polícia reforçou recomendações preventivas dirigidas especificamente a pessoas mais velhas e às famílias.
Como funciona a burla no multibanco, segundo a investigação
De acordo com a informação divulgada em Espanha, a burla começa com a manipulação física do multibanco para provocar erro no teclado e criar a perceção de que o terminal está avariado. A partir daí, o objetivo é gerar confusão e abrir espaço para a aproximação do burlão.
Quando a vítima hesita, o suspeito apresenta-se como alguém “prestável” e sugere alternativas para concluir a operação, explorando o uso de funcionalidades sem contacto. A Polícia descreve este momento como crítico: é aí que a vítima pode, sem se aperceber, deixar o processo numa fase vulnerável.
Segundo a mesma descrição, após a vítima se afastar, convencida de que o multibanco não funciona, os autores conseguem atuar rapidamente e retirar dinheiro até ao limite permitido. Em vários casos, as pessoas só percebem a burla quando tentam pagar uma compra, usar outro multibanco ou consultam movimentos.
O que a Polícia aconselha a fazer para reduzir o risco
As recomendações oficiais insistem em hábitos simples, mas eficazes: preferir multibancos no interior das agências, ir acompanhado por alguém de confiança, desconfiar de desconhecidos que ofereçam ajuda e tapar sempre o teclado ao introduzir o PIN.
Outra orientação recorrente é “parar e sair” perante sinais estranhos no terminal: se notar peças fora do normal, teclado a falhar ou comportamento irregular, o mais prudente é cancelar a operação e procurar outro multibanco, de preferência num local vigiado. A Polícia espanhola tem repetido este tipo de alertas em notas públicas e conteúdos nas redes sociais.
Aconselha-se ainda a não levantar grandes quantias, a rever com frequência os movimentos bancários e a ativar alertas (SMS/app) quando disponíveis. O objetivo é detetar rapidamente qualquer operação não reconhecida e travá-la o mais cedo possível.
E em Portugal: medidas práticas para famílias e cuidadores
Em Portugal, a recomendação de base é a mesma: pessoas mais velhas devem evitar operar sozinhas em multibancos isolados e recusar “ajuda” de estranhos, mesmo quando parece bem-intencionada. Para a família, vale a pena combinar rotinas (por exemplo, levantar dinheiro acompanhado) e explicar que, perante dúvidas, a prioridade é terminar a operação e sair do local em segurança.
Se houver suspeita de burla, a regra é agir depressa: contactar o banco para bloquear cartões e credenciais, verificar movimentos e guardar informação útil (local, hora, eventuais talões). A participação às autoridades deve ser feita logo que possível, porque a rapidez aumenta a probabilidade de travar movimentos e identificar padrões.
De acordo com o La Información, a mensagem central que vem de Espanha é clara: esta burla não depende de “hackers” sofisticados, depende de momentos de distração e de confiança. Por isso, a melhor defesa continua a ser prevenção básica, atenção ao ambiente do multibanco e uma desconfiança saudável quando alguém se aproxima para “ajudar”.
Leia também: Se pagar com Multibanco faça isto com a mão enquanto insere o código: vai proteger o seu dinheiro
















