O impacto de obras vizinhas o valor de uma casa é um tema que também preocupa os portugueses, sobretudo em zonas costeiras onde as vistas para o mar são um dos principais atrativos. No Reino Unido, uma proprietária viu a sua casa desvalorizar dezenas de milhares de euros depois de perder a paisagem que valorizava a habitação, segundo o jornal digital Noticias Trabajo.
Liz Bates, inspetora de habitações de 42 anos, vive em Southbourne, uma localidade britânica onde se destaca a procura por casas com vista para o mar. Instalou-se ali há mais de uma década, beneficiando da valorização imobiliária que atingiu a região. No entanto, a construção de um novo empreendimento mudou radicalmente a situação.
Em frente à sua varanda, onde antes se avistava o mar, ergueu-se um muro de betão. A obra é promovida pela empresa Vivir Estates, que está a construir um complexo de luxo. Segundo denunciou ao jornal britânico The Sun, o projeto avançou sem a devida autorização.
Uma casa desvalorizada
A perda da paisagem teve impacto imediato. De acordo com agentes imobiliários que avaliaram o imóvel, a casa de Liz perdeu cerca de 58.000 euros em valor de mercado. “Era maravilhoso, agora construíram um muro à frente e a minha casa vale menos 58.000 euros”, lamentou em declarações ao The Sun.
Liz afirma que, dois meses antes, surgiram suportes metálicos diante da sua habitação. Ao questionar os trabalhadores, foi informada de que serviriam para uma varanda. Mas, pela sua experiência profissional, tinha a certeza de que não existia licença aprovada para aquele tipo de estrutura.
Confrontados, os operários alegaram apenas cumprir ordens. De acordo com a fonte acima citada, a moradora dirigiu-se então ao município, que acabou por ordenar a suspensão das obras devido à falta de autorização.
O muro que não para de crescer
Apesar da ordem de suspensão, o promotor continuou a construção. Para Liz, trata-se de “arrogância”, acreditando que a empresa espera conseguir a aprovação posterior. “Isto não é um ajuste pequeno, é uma alteração de grande impacto”, defendeu em declarações ao mesmo jornal, citada pela mesma fonte.
O projeto global inclui vários blocos de quatro pisos erguidos num antigo parque de estacionamento. O terreno foi colocado à venda em 2017 e só obteve autorização após recurso a um inspetor urbanístico, mesmo perante a contestação de mais de 1.500 moradores.
Os vizinhos queixam-se não apenas da perda de valor patrimonial, mas também da quebra de privacidade e de luminosidade. “Sentimo-nos encurralados. Perdemos vista, luz natural e até a possibilidade de aproveitar o exterior”, desabafa Liz.
Posição da promotora
A empresa Vivir Estates pretende regularizar a situação através de uma “modificação não material” ao licenciamento já existente. Este mecanismo legal permite alterações consideradas menores sem a necessidade de aprovação completa, desde que não afetem o desenho ou o impacto da obra.
Para os moradores, o argumento não convence. “Não apresentaram plantas da localização exata da varanda. Pensávamos que ficaria à frente do edifício, nunca sobre o muro do primeiro andar. O impacto é brutal”, explica Liz, citada pelo Noticias Trabajo.
Um problema que ecoa em Portugal
Embora o caso se desenrole em Inglaterra, a questão não é estranha ao mercado português. Em locais como Lisboa, Porto ou Algarve, a valorização de imóveis com vista mar ou rio é significativa, e qualquer alteração urbanística pode afetar fortemente o preço das casas.
A polémica em Southbourne levanta, assim, um debate que extravasa fronteiras: até que ponto a especulação imobiliária e a pressão para construir em zonas valorizadas podem prejudicar quem já investiu numa habitação?
















