Entre Lagos e Faro, o Verão Azul prolonga em 2026 a sua programação no Algarve com a exposição coletiva “Core Cuore”, patente até 26 de setembro, e a segunda edição da Escola Verão Azul, marcada para 19 a 25 de setembro.
As duas iniciativas são promovidas no âmbito da linha programática do Festival Verão Azul, organizado pela casaBranca, associação cultural sediada em Lagos. O festival de artes performativas regressará na primavera de 2027.
Culturas digitais ocupam o Centro Cultural de Lagos
Inaugurada a 18 de julho, “Core Cuore” apresenta no Centro Cultural de Lagos obras de cinco artistas internacionais cujas práticas cruzam imagem, som, performance e culturas digitais contemporâneas. A entrada é livre.
Com curadoria de Ana Borralho e João Galante, a exposição surge como um prolongamento das questões exploradas na 12.ª edição do Festival Verão Azul, realizada em 2025, transportando para o espaço expositivo uma reflexão sobre o corpo, a tecnologia e as formas de viver numa sociedade hiperconectada.
A mostra centra-se nos modos de sentir, percecionar e habitar um mundo marcado pela sobrecarga de informação e pela crescente mediação tecnológica. O título estabelece um jogo entre “core”, palavra inglesa que remete para centro ou essência, e “cuore”, coração em italiano, aproximando o pensamento crítico da experiência emocional.
A exposição inspira-se também na estética digital conhecida como corecore, caracterizada pela fragmentação e sobreposição de imagens, sons e narrativas.
Esta linguagem, difundida sobretudo através de plataformas como o TikTok, recorre frequentemente a memes, publicidade, excertos de filmes e momentos do quotidiano para refletir sobre a experiência emocional, social e política de uma vida permanentemente ligada ao ambiente digital.
Cinco artistas refletem sobre a experiência contemporânea
“Core Cuore” reúne trabalhos de Andy Thomas, Jordan Stone, Molly Soda, John Rising e Noper, apresentados através de instalações imersivas, colagens audiovisuais, vídeos, ambientes sonoros e narrativas híbridas.
As obras abordam temas como a alienação, a nostalgia, a construção da identidade na Internet, a intimidade mediada pelas redes sociais, a memória coletiva e os novos imaginários produzidos no espaço digital.
Andy Thomas trabalha a relação entre som e imagem, transformando vocalizações da natureza em experiências visuais que cruzam o orgânico e o tecnológico. Jordan Stone explora a linguagem cinematográfica contemporânea através de referências à cultura digital e à estética publicitária. Molly Soda dedica-se à identidade construída no espaço virtual e aos códigos afetivos das redes so-
ciais, enquanto John Rising recorre a montagens audiovisuais para refletir sobre a fragmentação do presente. Noper apresenta ambientes entre o sonho e a inquietação, nos quais se cruzam memória, repetição e nostalgia.
A exposição resulta de uma encomenda do Festival Verão Azul e da casaBranca, numa produção conjunta com a Câmara Municipal de Lagos e o Centro Cultural de Lagos, e poderá ser visitada até 26 de setembro.
Escola Verão Azul regressa a Faro
A programação prossegue em setembro, desta vez em Faro, com a segunda edição da Escola Verão Azul, um programa intensivo de formação dedicado à performance, ao corpo e às práticas transdisciplinares.
Sob o mote “Um Pequeno Passo para a Humanidade”, a iniciativa decorre entre 19 e 25 de setembro em vários espaços da cidade e cruza dança, teatro, artes visuais, voz e experimentação artística.
A Escola Verão Azul dirige-se a artistas, intérpretes, estudantes e profissionais das artes, estando igualmente aberta ao público interessado, independentemente da nacionalidade ou experiência anterior.
O programa inclui quatro oficinas orientadas por Julia Bardsley, André Uerba, Flora Détraz e pelo artista visual e curador algarvio Miguel Cheta.
Corpo, voz, intimidade e memória em quatro oficinas
André Uerba orienta “Æffective Choreography”, uma oficina centrada nas políticas da intimidade e do afeto através do corpo, recorrendo a exercícios somáticos, narrativas autobiográficas e práticas de vulnerabilidade.
Alguns dos participantes poderão ser convidados a integrar a apresentação da obra com o mesmo nome, marcada para 26 de setembro no Teatro das Figuras, no âmbito do Festival Dance Dance Dance.
A artista britânica Julia Bardsley apresenta “Black Box Curiosidades + Encantamentos”, um laboratório de performance e artes visuais que propõe a chamada “caixa negra” como espaço de descoberta, adaptação e pensamento. Flora Détraz conduz “GRITAR”, uma exploração da relação entre voz e movimento que percorre diferentes expressões, do sopro ao grito, do riso ao canto.
Miguel Cheta orienta “Arquivar o Quotidiano”, proposta dedicada ao arquivo enquanto prática artística. A oficina recorre ao desenho, à fotografia, à cianotipia e à recolha de objetos para observar e documentar gestos habitualmente invisíveis do dia a dia.
As atividades vão decorrer na CAMADA — Centro Coreográfico, no LAMA Black Box e no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve. As inscrições estão disponíveis através dos canais do Festival Verão Azul.
A.Pinto / HDF
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