O cinema português vai estar em destaque na 11.ª edição da iniciativa “Filmes com Estrelas”, com exibições ao ar livre nas 11 freguesias do concelho de Loulé, entre 16 de julho e 1 de agosto, destacou o programador.
Manuel Baptista, coordenador do Loulé Film Office e programador da iniciativa, explicou à agência Lusa que o “Filmes com Estrelas” começou a realizar-se em 2015, tendo na base uma iniciativa do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) com exibição de dois filmes, e foi crescendo nos anos seguintes até chegar às 11 freguesias do concelho algarvio, onde é feita a projeção gratuita de um título português adaptado à realidade de cada local.
“Nós procuramos trabalhar sempre com filmes, com cinema português, recente, ou seja, cinema português do ano passado, de há dois anos, não vamos muito mais do que os quatro. Estamos sempre com atenção ao que vai saindo, porque é um tipo de projeção mais familiar e, por isso, temos de ter algum cuidado com os filmes que colocamos”, explicou.
Manuel Baptista salientou que há freguesias, sobretudo no interior, onde o público é composto por avós e netos e os próprios habitantes pedem comédias, o que faz com que o programador tenha “atenção” aos títulos desse género que saem e se adaptam à realidade de um público composto por duas gerações, uma delas infantil.
“E quando são filmes menos comerciais, menos populares e mais intelectuais ou com algum grau de profundidade maior, tentamos levá-los para as zonas mais urbanas”, acrescentou.
O programador apontou o exemplo das aldeias de Querença e Tôr, “que são a muito poucos quilómetros uma da outra”, mas Tôr “aceita um tipo de cinema um bocadinho mais aberto”, porque há muitos habitantes que são de fora e utilizam a localidade como dormitório, enquanto Querença tem uma população que gira “em torno da igreja”.
“Júlia Palha de uma forma mais madura enquanto atriz”
As exibições começam precisamente em Tôr, no dia 16, com a exibição de “Lavagante”, de Mário Barroso, que “apresenta Júlia Palha de uma forma mais madura enquanto atriz”, disse Manuel Baptista, referindo-se à adaptação do último argumento de António-Pedro Vasconcelos, baseado numa obra de José Cardoso Pires, sobre Portugal “num contexto marcado pela repressão da ditadura, pela censura, pela ação da polícia política e pela contestação estudantil” na década de 1960.
O documentário “Damas”, de Cláudia Alves, é o filme a exibir no dia 17, em São Clemente, e conta a “história negligenciada das enfermeiras voluntárias portuguesas que estiveram em França durante a Primeira Guerra Mundial”, enquanto no dia 18 será a vez de Querença acolher a exibição de “Banzo”, de Margarida Cardoso, que ganhou vários prémios Sophia, da Academia Portuguesa de Cinema, em 2026, destacou o programador.
“Projeto Global”, de Ivo Ferreira, vai ser exibido em Alte, a 22 de julho, refletindo um “dos períodos mais tensos da história recente de Portugal” e “a atividade das FP-25 no início da década de 1980”, e no dia seguinte, em São Sebastião, o público poderá assistir a “Lulu”, de Ana Campina.
Em Almancil vai ser exibido “Entroncamento”, o mais recente filme de Pedro Cabeleira (24 de julho) e “Hotel Amor”, de Hermano Moreira (dia 25), enquanto “O Barqueiro”, de Simão Cayatte (29 de julho), vai ser projetado em Salir.
No dia 30 de julho, a iniciativa estará em Quarteira, com “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, e em 31 de julho vai ser exibido “Lindo”, de Margarida Gramaxo, documentário sobre um ex-caçador de tartarugas marinhas na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.
O encerramento do ciclo de cinema português ao ar livre nas freguesias de Loulé faz-se a 1 de agosto, com a exibição de “O Lugar dos Sonhos”, de Diogo Morgado.
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