No âmbito das celebrações do Dia do Município, que se assinala a 24 de junho, o Postal do Algarve entrevistou Ana Paula Martins, presidente da Câmara Municipal de Tavira. A autarca traça um balanço detalhado do último ano de governação, sublinhando os investimentos realizados nas áreas da saúde, educação, habitação, mobilidade e requalificação urbana. A entrevista revela ainda os esforços da edilidade na valorização do património cultural – com destaque para a Dieta Mediterrânica como marca identitária da cidade – e os desafios de harmonizar o crescimento turístico com a qualidade de vida dos residentes. Com uma visão de desenvolvimento sustentável e de proximidade com os cidadãos, Ana Paula Martins partilha a sua mensagem para os tavirenses, reafirmando o compromisso com uma Tavira inclusiva, dinâmica e preparada para o futuro.
P – Em mês de comemoração do Dia do Município, que balanço faz do percurso de Tavira ao longo do último ano? Que marcos destacaria como mais significativos para o concelho?
R – A preocupação desta autarquia com o bem-estar das pessoas e das famílias é um dos nossos eixos prioritários e isso revela-se, sobretudo, nas áreas sociais.
Com a transferência de competências da saúde para a Câmara Municipal, a edilidade recebeu a gestão dos trabalhadores, reforçou a equipa de pessoal para suprir lacunas e ficou responsável pela manutenção das instalações existentes, ampliação de espaços e criação de valências com o objetivo de preservar e acautelar as condições de trabalho e a prestação de serviços aos utentes /munícipes.

Neste sentido, e com o objetivo de ir ao encontro das necessidades da população, o município lançou a empreitada de execução de edifícios de serviços de saúde em Tavira: unidades de consultas externas de alta resolução (UCEAR) e diagnóstico ambulatório e sede do ACES do Sotavento, num investimento aproximado de 10 milhões de euros.
A par disso, a edilidade avançou com o procedimento administrativo para a empreitada de beneficiação, adaptação funcional e ampliação da unidade de saúde de Cabanas – Conceição de Tavira, pelo preço base que ascende aos 500 mil euros e está a preparar o projeto de beneficiação e ampliação do Centro de Saúde existente.
Os jovens e a sua educação continuam a ser uma das nossas prioridades. No ano letivo 2024/2025, a autarquia continuou a apoiar a comunidade escolar, através de um conjunto de medidas de apoio à família que visaram minimizar o suporte de despesas educativas. Vamos atribuir aos jovens universitários mais de 200 bolsas de estudo num investimento financeiro de quase 400 mil euros, porque acreditamos que apoiar os jovens é apostar no futuro.

Estamos a desenvolver, também, o projeto para a requalificação da Escola Secundária Dr. Jorge Augusto Correia de modo a dotá-la de todas as condições que permitam melhorar a “vida” dos nossos alunos. Criámos também programas inovadores destinados à população mais jovem, destacando o Ideias à Maré – Empreendedorismo Jovem que ofereceu formação profissional a 21 jovens que se candidataram, um apoio financeiro para frequentar a formação e, ainda, premiou os três melhores projetos, com um incentivo de 2.500 euros, 4.000 euros e 6.000 euros para o terceiro, segundo e primeiro prémio respetivamente.
Também, numa altura em que a desinformação ganhou escala, obrigámo-nos a sair da zona de conforto e desenvolvemos o programa de literacia política e democrática: “É pra descomplicar” (@epradescomplicar) comunica no TikTok e Instagram, porque queremos jovens informados e cidadãos empoderados. Mantivemos o investimento na criação de uma política integrada de apoio à família global com um conjunto de medidas e boas práticas capazes de garantir o pleno exercício das suas responsabilidades e competências de forma a prevenir e apoiar situações de risco e vulnerabilidade.

Reduzimos, ao longo do mandato, a Taxa de IMI, estando, neste momento, na taxa mínima e reduzimos a comparticipação do IRS para 2,5%, devolvendo dinheiro às famílias. Apesar de sabermos que, neste ano de 2025, não foi sentida esta redução como o ano passado, importa que as pessoas saibam que reduzimos a taxa de IMI e que por isso foram mitigados os efeitos do aumento que alguns sentiram e que sentiriam muito mais se não fosse aplicada a taxa mínima em Tavira – muitos não sabem o motivo do aumento que se deveu à atualização automática trienal do Valor Patrimonial Tributário (VPT), decidida pela Autoridade Tributária e publicada em Diário da República, que ajustou os coeficientes de desvalorização da moeda com base na inflação.
Desenvolvemos também o programa Tavira + Segura com vista a salvaguardar os valores como a segurança e o bem-estar da população. O município encontra-se a implementar este programa, o qual visa propiciar uma política de policiamento e apoio de maior proximidade para com os cidadãos, permitindo uma atuação imediata e eficaz, em contexto de emergência e proteção civil, bem como de prevenção de ilícitos.
Ainda a pensar na segurança de todos celebrámos um protocolo com a PSP com vista à implementação de câmaras de videovigilância.
Habitação acessível é prioridade no combate à crise habitacional
P – Um dos problemas mais sentidos pelas famílias tavirenses é a dificuldade de acesso à habitação, face aos preços elevados do mercado. Que medidas concretas está a autarquia a implementar para responder a esta crise habitacional e garantir que os residentes não sejam forçados a abandonar o concelho?
R – A questão da habitação é primordial para esta Câmara Municipal. Sabemos que uma das dificuldades mais sentidas pelas famílias tavirenses é o acesso à habitação condigna, face ao agravamento dos preços de venda e ao arrendamento no mercado. Esta é uma realidade que nos preocupa profundamente e à qual o município tem vindo a dar resposta com um conjunto articulado de medidas estruturadas na nossa Estratégia Local de Habitação (ELH) 2021-2030.
Para o efeito, avançámos com projetos de construção e reabilitação de habitação municipal, nomeadamente, através da candidatura ao programa 1.º Direito – Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, o que nos permitirá apoiar diretamente mais de uma centena de agregados em situação de carência a este nível. Este programa é essencial para assegurar o realojamento de famílias em situação ou risco de vulnerabilidade habitacional. Estamos igualmente a investir na reabilitação do parque habitacional existente, com intervenções diversas para melhoria das condições de habitabilidade, eficiência energética e acessibilidade.

Paralelamente, encontramo-nos a adquirir frações no mercado para afetar ao arrendamento acessível, aumentando assim a nossa capacidade de resposta às crescentes necessidades. Um exemplo concreto dessa ação é a aquisição de 15 habitações, na sequência de um procedimento de consulta pública ao mercado, com o objetivo de adquirir imóveis já edificados, em construção ou a construir. Esta medida irá permitir-nos acelerar a resposta às famílias que mais precisam, mas também oferecer alternativas acessíveis a jovens e famílias em início de vida. De igual modo, foi já concretizada a aquisição de um loteamento no sítio da Boavista, onde será possível construir mais de 70 fogos, contribuindo significativamente para reforçar a oferta a custos acessíveis no concelho, com soluções pensadas para as necessidades das famílias locais.
Uma das medidas inovadoras foi a atribuição de apoios financeiros ao arrendamento, que têm permitido às famílias com rendimentos intermédios aceder a habitação sem comprometer excessivamente o seu orçamento familiar.
Complementarmente, estamos a promover benefícios tributários e incentivos urbanísticos para habitação, com o objetivo de fomentar a fixação da população, incentivar o arrendamento habitacional e dinamizar a reabilitação urbana. Destacam-se, entre estas medidas, a redução da taxa de IMI para prédios urbanos arrendados para habitação permanente, bem como para imóveis destinados a habitação própria e permanente, com majoração consoante o número de dependentes do agregado familiar. Adicionalmente, está prevista a minoração da taxa de IMI em zonas objeto de operações de reabilitação urbana ou combate à desertificação, sobretudo nas freguesias do interior, incentivando a revitalização desses territórios e contrariando a sua perda populacional.
Em suma, a autarquia de Tavira está comprometida com uma resposta pública, articulada e humanizada à crise habitacional, garantindo que Tavira continua a ser uma cidade para viver com dignidade, segurança e futuro para todos/as e que cá nasceram ou escolheram viver.

Cultura e Dieta Mediterrânica como pilares identitários de Tavira
P – A identidade cultural de Tavira é amplamente reconhecida como uma das mais ricas do Algarve. Que esforços tem a autarquia feito para preservar e valorizar este património, nomeadamente através da promoção da Dieta Mediterrânica como Património Imaterial da Humanidade da UNESCO?
R – Tavira tem uma riqueza patrimonial extraordinária, que vai desde o período fenício até aos nossos dias, e temos desenvolvido uma estratégia abrangente para a sua salvaguarda e valorização.
Desde 2013, quando Tavira assumiu a responsabilidade de representar Portugal como comunidade da Dieta Mediterrânica, património reconhecido pela UNESCO, temos construído um trabalho consistente. A par do trabalho com os parceiros internacionais, em 2023, foi aprovado um novo Plano Regional de Salvaguarda da DM 2023-2027, que envolve mais de 30 entidades regionais, entre elas a CCDR Algarve, a Universidade do Algarve, as escolas de hotelaria, a Câmara Municipal de Tavira, entre outras. Este plano não é apenas um documento, é um compromisso com a nossa identidade cultural que visa traduzir-se em ações concretas como a criação de mercados de proximidade, apoio aos produtores locais, educação alimentar nas escolas, preservação de mais de 100 variedades tradicionais no Banco de Germoplasma Vegetal, entre muitas outras ações, para além da destacada componente festiva da Feira da Dieta Mediterrânica.

A Dieta Mediterrânica é um património vivo que tem vindo a ganhar uma crescente importância, tanto nacional como internacional. Investigada por diversas ciências, é um legado das civilizações que moldaram a nossa identidade cultural, língua e modos de vida, produção e alimentação, sendo crucial para a valorização e o fortalecimento das economias regionais.
A Feira da Dieta Mediterrânica, a qual decorrerá de 04 a 07 de setembro, é o momento alto da celebração deste património milenar. Todavia, além deste certame, desenvolvem-se, ao longo do ano, diversas iniciativas com a finalidade de preservar e transmitir às novas gerações os benefícios deste estilo de vida.
O nosso trabalho, com ações concretas, junto da comunidade, distingue-nos. Este ano, através das oficinas de empreita de palma e construção de brinquedos de cana, chegámos a 170 estudantes do concelho, garantindo que técnicas ancestrais como a arte de trançar folhas de palma seca passam para a próxima geração. O programa “Cabaz da Terra”, relançado, este ano, pelo Museu Municipal, liga diretamente as famílias aos conhecimentos e às experiências dos produtores locais agropecuários, transformando a Dieta Mediterrânica numa experiência vivida, não apenas preservada. Estas e outras ações provam que Tavira não se limita a ter património UNESCO, vive-o, ensina-o e partilha-o, regularmente.

Recorde-se que, em novembro de 2024, realizou-se, na nossa cidade, a 14.ª Reunião Intergovernamental da Dieta Mediterrânica que juntou representantes dos sete países e comunidades que integraram a candidatura internacional que viu reconhecida a Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. O encontro marcou o encerramento da presidência portuguesa da rede. Quanto ao património imaterial, reconhecemos que muito do nosso património está nas mãos de entidades religiosas, temos prestado, regularmente, apoio técnico e financeiro às paróquias, irmandades e ordens terceiras. Com 21 igrejas só no centro histórico e muitas mais no concelho, este apoio é fundamental para garantir que estas “joias” do nosso património arquitetónico e artístico se mantenham em bom estado de conservação para as gerações futuras. O nosso Museu Municipal funciona como guardião da memória coletiva. Seguimos princípios fundamentais na programação cultural: desde a exequibilidade e o planeamento cuidadoso de exposições e programas educativos, até ao equilíbrio entre tradição e inovação. As exposições como “Balsa, Cidade Romana” ou o programa “Passeios na História de Tavira” mostram como conseguimos tornar a história viva e acessível a todos.
Estamos também a desenvolver um projeto pioneiro sobre os Bairros SAAL de Tavira e Cabanas, um trabalho de investigação que culminou numa exposição sobre este património arquitetónico e social do pós-25 de Abril. É importante preservar não só o património antigo, mas também a memória mais recente que faz parte da nossa identidade. O que nos distingue é a abordagem integrada: trabalhamos em rede com museus nacionais, universidades, centros de investigação. As parcerias com o Museu Nacional de Arqueologia e, futuramente, com o Museu Nacional do Azulejo, ou com a Universidade do Algarve, permitem-nos apresentar projetos de qualidade que sozinhos seriam mais difíceis de realizar.

Turismo sustentável e valorização do território como estratégia de futuro
P – O turismo continua a ser um dos pilares económicos do concelho. Que estratégias tem o município adotado para equilibrar o crescimento turístico com a preservação do território e da qualidade de vida dos residentes?
R – Esta é talvez uma das questões mais desafiantes que enfrentamos. Tavira tem características únicas, somos simultaneamente uma cidade histórica com um centro preservado e um destino turístico em crescimento. O segredo está em fazer do nosso património cultural o nosso maior ativo turístico, em vez de o ver como um obstáculo ao desenvolvimento.
O município aprovou em sessão ordinária da Assembleia Municipal (dezembro 2024), o Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico e de Marketing (PEDTM) que estabelece a estratégia de desenvolvimento turístico do concelho para os próximos cinco anos.
Este plano traça uma visão clara: queremos um turismo de qualidade, não de quantidade. Um turismo que valorize a nossa identidade em vez de a diluir.

O PEDTM define quatro eixos estratégicos fundamentais para Tavira: Sol e Mar, Dieta Mediterrânica, Touring Cultural e Paisagístico e ainda Turismo de Natureza. O plano estabelece uma visão de Tavira como destino turístico sustentável e diferenciador, ancorado na Dieta Mediterrânica – Património Cultural Imaterial da UNESCO – e nos seus valores naturais e culturais únicos. Nesse sentido, criámos também um website dedicado ao turismo de Tavira (visitartavirta.pt), o qual está adaptado para mobile e que mostra aos visitantes não só as nossas praias, mas toda a riqueza cultural que nos diferencia.
A nossa estratégia passa por mostrar aos turistas o que nos torna únicos: um centro urbano atrativo (com os famosos “telhados de tesoura”), as igrejas do centro histórico, a tradição da Dieta Mediterrânica… Temos centenas de imóveis e sítios arqueológicos inventariados como de valor patrimonial e somos a comunidade portuguesa representativa da Dieta Mediterrânica como património UNESCO.
O nosso Plano Estratégico é pioneiro ao abordar todo o território de forma integrada, das praias com Bandeira Azul aos 607 km 2 que incluem litoral, barrocal e serra. Cada uma das nossas freguesias tem especificidades únicas: desde Cachopo, reconhecida “Aldeia de Portugal”, até Santa Catarina da Fonte do Bispo com o inovador Museu Zero de Arte Digital.
Esta abordagem territorial permite-nos combater a sazonalidade, oferecendo produtos complementares: turismo de natureza na Serra, turismo cultural na cidade e no interior, e o produto âncora sol e mar no litoral.
Uma cidade só preserva a sua identidade se os próprios residentes a valorizarem. Por isso, as nossas iniciativas culturais procuram o envolvimento local. A Feira da Dieta Mediterrânica reúne expressões culturais desde Espanha à Macedónia, mas também dos Caretos de Podence ao Cante Alentejano. É uma forma de mostrar aos tavirenses que a nossa cultura tem valor universal.
Preferimos receber visitantes que vêm por vários dias para conhecer realmente Tavira, do que autocarros que passam algumas horas e vão embora. O turista cultural tende a gastar mais, a respeitar mais o património e contribui para a economia local de forma mais sustentável. Consideramos que a formação e a capacitação de recursos humanos é essencial para sermos um destino diferenciador e acolhedor, sendo que em parceria com o Turismo de Portugal, através da sua Escola de Hotelaria de Vila Real de Santo António, temos proporcionado, através do programa Formação + Próxima, desde 2022, formação a mais de 400 pessoas que trabalham no turismo e comércio.
A implementação do PEDTM tem início em 2025, com um horizonte temporal até 2030, prevendo um conjunto de programas e ações que visam reforçar a competitividade e a sustentabilidade do turismo em Tavira.
O nosso objetivo é fazer de Tavira um exemplo de como uma cidade histórica pode crescer turisticamente sem perder a alma. Queremos que daqui a 20 anos os nossos filhos e netos ainda reconheçam a Tavira onde cresceram, mas com mais oportunidades económicas e uma identidade cultural ainda mais forte e valorizada.
Requalificação urbana transforma cidade e promove vivência pública
P – Nos últimos anos, Tavira tem apostado na requalificação urbana e em projetos de regeneração do espaço público. Que iniciativas recentes destacaria nesse âmbito e que impacto espera que tenham na vivência da cidade?
R – A obra do Teatro Municipal é, sem dúvida, uma das intervenções com grande impacto na vida da cidade e do concelho. A autarquia pretendeu dotar este espaço, em pleno centro da cidade, com condições de segurança e salubridade, assim como adaptá-lo às necessidades que decorrem de diferentes disciplinas culturais (dança, teatro, cinema e música), tornando-o num equipamento polivalente, infelizmente problemas no complexo sistema de AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) que estamos a resolver têm impedido a receção da obra e atrasado a sua abertura. Também, no centro de Tavira, a autarquia apostou na obra de requalificação da Rua do Cais. Esta intervenção, no valor de €715.182,01, teve como objetivo a promoção de melhores condições de acessibilidade e mobilidade na Rua do Cais e no Largo da Caracolinha.
Os trabalhos consistiram na beneficiação geral das guardas, ao longo do paredão do rio, na substituição da iluminação pública no Jardim do Coreto, assim como de pavimentos e mobiliário urbano. A intervenção contemplou, igualmente, o alargamento da plataforma pedonal de ligação entre o jardim e o Mercado da Ribeira, a formalização dos acessos à Ponte Gilão, a redefinição do perfil viário e o enterramento das infraestruturas elétricas.
Com esta intervenção, a autarquia deu mais um passo na beneficiação de toda a frente ribeirinha da cidade.
Simultaneamente, o município continua firme na sua missão em proceder a obras de conservação e beneficiação da rede viária do concelho.
A autarquia lançou, pelo valor base de €1.289.145,06, o concurso público para a empreitada, na freguesia da Luz de Tavira e Santo Estêvão, assim como em Tavira.

O objetivo consiste em valorizar a circulação e proporcionar condições de segurança para pessoas e bens. Atualmente, as estradas e os caminhos, nestas freguesias, apresentam diversas patologias, sobretudo, ao nível do pavimento.
Importa relembrar também a obra de requalificação da Rua Capitão Jorge Ribeiro, em Cabanas, inaugurada em 2023, pelo valor de €1.492.658,99.
Também, na mesma freguesia, está prevista uma intervenção na marginal, uma das mais apelativas do concelho para passear e relaxar e isso deve-se ao passadiço que se estende ao longo de toda a zona ribeirinha.
De modo a proporcionar agradáveis momentos aos que lá vivem e visitam esta vila, e a pensar na segurança de todos, a Câmara Municipal lançou a empreitada para a intervenção, no Passadiço de Cabanas, pelo valor de €1.689.979,59.
A obra assenta na manutenção e conservação do passadiço, mobiliário e canteiros existentes (novas plantas, mais resistentes a pragas e doenças, com reduzida exigência hídrica, enquadrando-se na típica paisagem mediterrânica), na instalação de novos contentores enterrados, construção de passadeiras sobrelevadas na marginal e as estruturas de ensombramento (toldos) serão contempladas de maneira a tornar o local mais aprazível em dias de muito calor.
Com esta intervenção, o município pretende garantir a segurança dos transeuntes, bem como preservar uma infraestrutura de especial relevância para a vila.

Temos vindo a trabalhar, igualmente, na requalificação das frentes ribeirinhas, desde o Parque Verde do Séqua que pretendemos ampliar e consolidar, na ótica da criação de um corredor verde que integre um conjunto de valências e que garanta a sustentabilidade ecológica e física do local.
Pretende-se que seja um espaço dinâmico, de utilização diária para todos e que, ao longo de todo o ano, contribua para a melhoria da qualidade de vida e da imagem da cidade. Este foi concebido com visão de sustentabilidade, com utilização de energias renováveis e através de baixos custos de manutenção, encontrando-se em fase de projeto de execução. A requalificação estender-se-á a toda a margem esquerda, visando valorizar várias ruas, travessas e largos.
A intervenção dotada de uma linguagem contemporânea, assente nos elementos estruturantes pré-existentes no local e na sua estreita ligação à margem do Rio Gilão, assume como principal objetivo a promoção da acessibilidade, a criação de espaços de estadia e fruição, com zonas de sombra e condições de fácil e reduzida manutenção integradas no quadro da gestão do território com o cuidado do devido acompanhamento na evolução das alterações climáticas.
Igualmente e seguindo a tendência europeia procuramos devolver o espaço público às pessoas e temos desenvolvidos projetos como os Jar-
dins Alimentares, um projeto vencedor do Orçamento Participativo, que visa que cidadãos criem e cuidem de jardins em espaços públicos não utilizados, e promovendo uma Tavira mais verde e colorida.
Fundos comunitários e investimento externo impulsionam desenvolvimento local
P – Comparando com outros municípios algarvios, sente que Tavira tem conseguido captar investimento e aproveitar os fundos comunitários de forma eficaz? Que áreas têm beneficiado mais dessa capacidade de execução?|
R – Tavira tem demonstrado um esforço significativo na captação de investimento e na utilização de fundos comunitários, tanto no anterior quadro comunitário Portugal 2020, como no Plano de Recuperação e Resiliência e no atual quadro comunitário Portugal 2030, para além de projetos de cooperação transfronteiriça.
Nos últimos anos, Tavira tem obtido financiamento em áreas como o património cultural, regeneração urbana, mobilidade, rede escolar, turismo, eficiência energética, entre outros.

No Portugal 2020, que se encontra em fase de encerramento, foram financiados vários projetos ao nível do património cultural, destacando-se a reabilitação do Cine Teatro António Pinheiro, a Dieta Mediterrânica enquanto Património Cultural Imaterial, onde Tavira é a comunidade representativa de Portugal, a Programação Cultural em Rede, Muralhas do Castelo de Tavira e, ainda, a requalificação de património religioso, como as Ermidas de São Sebastião, Santa Ana e a Igreja de Santa Maria do Castelo. No que respeita à regeneração/requalificação urbana, o município beneficiou de financiamentos, entre outros, para a Rua 9 de Abril, Rua José Pires Padinha, Requalificação das frentes Ribeirinhas (Rua do Cais e Ponte sobre o Rio), Recuperação do edifício do compromisso marítimo.
No âmbito do Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável, foram financiados a EN 270 em Santa Catarina, a Rua Capitão Jorge Ribeiro em Cabanas e vários troços da Ecovia do Litoral. Já, no âmbito do Plano de Ação Integrado para as Comunidades Desfavorecidas (PAICD), foram alvo de financiamento a requalificação dos arranjos exteriores do bairro social da Atalaia e da Porta Nova, bem como a beneficiação dos Parques Infantis dos Bairros da Bela Fria, Porta Nova e Atalaia. Destacamos ainda o investimento na rede escolar, nas escolas básicas da Conceição de Tavira e Santo Estêvão, bem como a remoção total do fibrocimento nos espaços escolares da Escola D. Paio Peres Correia e na Escola Secundária Dr. Jorge Augusto Correia.

Foram ainda aprovados projetos referentes à eficiência energética, bem como projetos de modernização administrativa, Simplex 2.0 e Algarve Mais Digital.
A baixa densidade também não foi descurada, com um investimento muito significativo em Cachopo, que incluiu entre outros, a intervenção na Casa da Aldeia, na Fonte Férrea de Cachopo e no Centro de Meios Aéreos de Cachopo, este último financiado através de um Programa de Cooperação Transfronteiriça, POCTEP, num investimento superior a 2 milhões de euros.
O financiamento global dos projetos financiados, entre fundos comunitários e fundos nacionais, ultrapassou os €10.750.00.
No atual Portugal 2030, que ainda está no início, foi aprovada a candidatura da requalificação/ampliação da EB1 de Santa Catarina da Fonte do Bispo, com um financiamento de cerca de 620 mil euros e foram submetidas outras candidaturas que ainda se encontram em fase de análise.
No que se refere ao PRR encontra-se aprovado um financiamento que ultrapassa os €6.950.000, destacando-se as intervenções nos atuais centros de saúde de Tavira e Conceição/Cabanas, bem como a construção de um edifício novo de serviços de saúde e ainda, no setor da habitação, a aquisição e construção de fogos.
P – Que mensagem gostaria de deixar aos tavirenses neste Dia do Município, tendo em conta os desafios atuais e as prioridades que traça para o futuro de Tavira?
R – Gostaria de agradecer aos tavirenses a confiança que depositam no executivo municipal e reforçar a nossa vontade em continuar a trabalhar em prol da comunidade e do desenvolvimento sustentável do concelho.

Vivemos tempos de desafios significativos: as alterações climáticas, a problemática da habitação, a sustentabilidade do turismo, a mobilidade urbana e as expetativas dos nossos jovens.
A Câmara Municipal está ao lado dos tavirenses, com escuta ativa, transparência e determinação. Juntos iremos garantir que o nosso concelho continua a ser um lugar onde é bom viver, passear e investir. Contem connosco!
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