A SkyExpert alertou para o impacto significativo em Portugal do anunciado fecho da base da Ryanair em Berlim, previsto para o final de outubro, apontando consequências diretas para as ligações aéreas com o país.
Segundo a consultora especializada em aviação e turismo, a decisão da companhia aérea traduz-se numa redução acentuada da conetividade, sobretudo nos aeroportos do Porto e Faro.
Apesar do encerramento da base, composta por sete aeronaves, a Ryanair manterá operações na capital alemã a partir de outras bases, assegurando ligações a vários destinos europeus.
No entanto, para Portugal, a situação é distinta, uma vez que os voos diretos entre Berlim e os aeroportos nacionais terminarão a 24 de outubro.
Redução significativa da oferta aérea
Para avaliar o impacto da decisão, a SkyExpert analisou os dados relativos a novembro de 2025, período em que a Ryanair operava ligações diretas entre Berlim e Lisboa, Porto e Faro.
Nesse mês, a companhia realizou 22 voos para Faro, 30 para Lisboa e 17 para o Porto, totalizando mais de 13 mil lugares disponíveis.
Estes números representavam cerca de metade da capacidade aérea entre a capital alemã e Portugal em época baixa.
Com o fim destas ligações, o cenário projetado para novembro de 2026 aponta para uma quebra significativa da oferta.
Faro e Porto sem ligações diretas
A partir do próximo inverno, Faro e Porto deixam de contar com voos diretos para Berlim, enquanto Lisboa passa a concentrar as ligações existentes.
A SkyExpert sublinha que esta situação cria um cenário de menor concorrência, com a capital a assumir uma posição dominante nas ligações entre os dois países.
No total, a oferta mensal deverá cair de cerca de 30 mil para 16 mil lugares, com o número de voos a reduzir de 156 para 89.
Este cenário é considerado particularmente preocupante para o turismo na época baixa.
Impacto no turismo e incerteza no mercado
A consultora aponta ainda para uma redução global de cerca de 50 mil lugares entre Alemanha e Portugal durante o inverno, tendência que deverá manter-se nos meses seguintes.
“Estamos perante uma contração mensal abrupta da conetividade aérea entre Portugal e um dos seus mercados mais valiosos. Não se trata apenas de uma questão de ter menos voos. O que vamos ter é menos acessos diretos, menos concorrência e, inevitavelmente, isso vai refletir-se no número de turistas deste mercado de proximidade na época baixa”, afirma Pedro Castro, diretor da SkyExpert.
O responsável admite que é ainda incerto se outras companhias irão compensar esta redução de oferta.
“Ainda é muito prematuro afirmar se a TAP, easyJet ou Eurowings irão ou não ajustar a sua oferta para compensar esta quebra da Ryanair”, acrescenta.
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