O arroz é um dos alimentos mais presentes nas cozinhas portuguesas, seja como acompanhamento simples, em pratos de forno, em saladas ou em receitas mais elaboradas. Mas a variedade disponível nas prateleiras dos supermercados também levanta uma questão importante: nem todos os tipos de arroz têm o mesmo perfil de qualidade e segurança alimentar.
Um estudo publicado pela revista francesa 60 Millions de consommateurs, em fevereiro de 2024, voltou a chamar a atenção para a presença de resíduos indesejáveis em algumas referências de arroz vendidas em grandes superfícies.
A análise incidiu sobre 40 produtos, incluindo arroz basmati, arroz thai, arroz da Camargue e arroz de grão longo.
Foram analisadas 40 referências
De acordo com a publicação francesa, os testes procuraram resíduos de pesticidas, aflatoxinas e arsénio inorgânico, três elementos relevantes quando se avalia a segurança deste cereal. O estudo teve em conta os limites máximos definidos pela regulamentação europeia e comparou diferentes marcas e origens disponíveis no mercado francês.
Os resultados indicaram que 15 das 40 referências analisadas continham resíduos de pesticidas. A conclusão mais relevante é que o arroz basmati não biológico surgiu entre os produtos mais afetados, sobretudo quando importado da Índia e do Paquistão, regiões onde esta variedade é tradicionalmente cultivada.
Basmati não biológico foi o mais visado
Segundo os relatos publicados com base no estudo da mesma revista, algumas referências de arroz basmati não biológico concentraram mais resíduos do que outras variedades. Entre as substâncias referidas em artigos sobre a análise surgem pesticidas como o butóxido de piperonilo, o tebuconazol, a cipermetrina e o isoprotiolano.
O que dizem as regras europeias
Na União Europeia (UE), os limites máximos de resíduos, conhecidos como LMR, definem a quantidade mais elevada de um pesticida legalmente tolerada num alimento quando os produtos fitofarmacêuticos são usados corretamente. A Comissão Europeia explica que estes limites existem para controlar os resíduos que podem ficar nos alimentos tratados.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) publicou a 14 de maio de 2025 o relatório europeu sobre resíduos de pesticidas em alimentos relativo a 2023. A conclusão geral foi que o risco para a saúde humana continuava baixo, em linha com anos anteriores, embora a vigilância continue a ser necessária.
Arsénio também entra na avaliação
Além dos pesticidas, o arroz merece atenção por poder acumular arsénio inorgânico, uma substância presente no ambiente e que pode chegar às plantas através da água e do solo. A UE atualizou em 2023 os limites máximos de arsénio em certos alimentos, incluindo arroz e produtos à base de arroz.
Este ponto é particularmente relevante porque o arroz é cultivado em campos alagados, o que facilita a absorção de certos contaminantes naturalmente presentes no solo. Por isso, a segurança alimentar não depende apenas da marca, mas também da origem, do tipo de cultivo, do processamento e dos controlos feitos ao longo da cadeia.
Como escolher com mais cautela
Para o consumidor, a principal recomendação é fazer escolhas informadas. Optar por arroz biológico pode reduzir a probabilidade de encontrar resíduos de pesticidas, embora não seja uma garantia absoluta contra todos os contaminantes. Também pode ser útil variar os tipos de arroz consumidos, alternando entre basmati, carolino, agulha, integral, thai ou outras variedades.
Quando possível, vale a pena consultar a origem do produto no rótulo e preferir marcas com informação clara. No caso do basmati, a origem indiana ou paquistanesa é comum e faz parte da identidade desta variedade, mas o estudo francês mostra que alguns produtos não biológicos dessa categoria merecem maior atenção.
Lavar o arroz continua a ser uma boa prática
Antes de cozinhar, lavar o arroz ajuda a remover o excesso de amido e melhora a textura final, sobretudo no caso do basmati. Em muitas receitas, recomenda-se passar os grãos várias vezes por água até esta ficar mais límpida e, depois, deixar o arroz de molho durante alguns minutos.
No caso do arroz basmati, ajuda a manter os grãos mais soltos e firmes depois da cozedura, uma das características que tornam esta variedade tão apreciada.
Uma escolha do dia a dia que merece atenção
O estudo francês não significa que o arroz deva ser retirado da alimentação. O ponto principal é outro: um alimento tão comum também pode ter diferenças importantes de qualidade consoante a origem, o modo de produção e a marca escolhida.
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