Há uma obrigação simples que pode passar despercebida no dia a dia, sobretudo quando o carro continua a circular sem sinais evidentes de avaria. Mas, quando chega uma ação de fiscalização, esse esquecimento pode transformar-se numa multa pesada e num problema de segurança rodoviária.
De acordo com a Revista Carros, que cita um comunicado da Polícia de Segurança Pública, milhares de condutores já foram apanhados este ano por uma irregularidade relacionada com o estado legal dos veículos. Os dados foram divulgados esta segunda-feira e surgem no âmbito de várias operações realizadas em todo o país.
O detalhe que muitos só confirmam tarde demais
Em causa está a inspeção periódica obrigatória. Segundo a mesma fonte, a PSP já multou 9.077 condutores por circularem com veículos sem a inspeção em dia.
Os números resultam de 6.777 operações realizadas desde janeiro, durante as quais foram fiscalizados 231.501 condutores. No mesmo período, a força de segurança detetou ainda 72.979 contraordenações rodoviárias e 4.153 crimes rodoviários.
A PSP considera que estes dados, ainda provisórios, refletem uma “tendência preocupante”. A falta de inspeção não é tratada apenas como uma falha administrativa, uma vez que pode esconder problemas técnicos no veículo e aumentar o risco para quem conduz, para os passageiros e para os restantes utentes da via.
Falha pode custar até 1.250 euros
Circular sem inspeção periódica obrigatória válida pode dar origem a uma coima entre 250 e 1.250 euros. O valor depende do enquadramento da infração, mas o impacto pode ir além da sanção aplicada pelas autoridades.
A inspeção serve para verificar se o veículo mantém condições mínimas de segurança. Entre os elementos avaliados estão os travões, a direção, os pneus, a iluminação, a suspensão e outros componentes essenciais para a circulação na via pública.
No alerta divulgado, a PSP recorda que um veículo sem verificação técnica adequada pode apresentar falhas graves. Problemas de travagem, pneus em mau estado ou luzes deficientes são situações que podem ter consequências sérias, sobretudo em viagens longas, em condução noturna ou quando as condições meteorológicas são mais exigentes.
Mais de 19 mil acidentes desde o início do ano
O balanço divulgado pela PSP inclui também dados provisórios sobre sinistralidade rodoviária. Desde o início do ano, foram registados 19.018 acidentes, dos quais resultaram 30 mortos, 253 feridos graves e 5.267 feridos ligeiros.
As vítimas mortais ocorreram em diferentes zonas do país. Lisboa registou 13 mortes, Coimbra cinco, Porto e Madeira três cada, Santarém e Setúbal duas cada, enquanto Braga e Açores registaram uma vítima mortal cada.
A força de segurança não estabelece uma ligação direta entre estes acidentes e a falta de inspeção, mas enquadra os dados num apelo mais amplo ao cumprimento das regras e à manutenção dos veículos. Um carro aparentemente em condições pode ter problemas que só uma verificação técnica permite detetar.
Inspeção pode ser feita antes da data limite
A inspeção periódica obrigatória pode ser realizada nos três meses anteriores à data limite indicada no certificado de matrícula. Ou seja, os condutores não precisam de esperar pelos últimos dias para marcar a ida a um centro de inspeção autorizado.
A PSP aconselha o agendamento atempado e recomenda uma verificação prévia ao estado geral do veículo. Pneus, travões, suspensão, luzes e outros sistemas devem ser observados antes da inspeção, tanto para evitar uma reprovação como para reduzir riscos na estrada.
Antes de circular, sobretudo em deslocações mais longas, a PSP recomenda que os condutores confirmem se a inspeção está válida e verifiquem o estado geral do veículo. Pneus, travões, luzes e suspensão estão entre os elementos que podem fazer a diferença numa ação de fiscalização e, sobretudo, na segurança em estrada.
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