Albufeira transformou-se, em poucas décadas, de vila piscatória e rural de terceira categoria num centro turístico internacional, mas essa evolução ocorreu ao abrigo do planeamento deficiente e rudimentar existente na altura.
O crescimento não aconteceu da forma estruturada que uma transformação desta escala exigia e ainda hoje exige.
Urbanização descoordenada
A expansão fez-se através do “urban sprawl”, ou seja, do crescimento para as periferias, por adição de infraestruturas e não por estratégia: as ruas estreitas mantiveram-se, os acessos foram improvisados e a mobilidade nunca acompanhou o ritmo do turismo.
A renovação urbana, necessária perante os constantes desafios enfrentados pelo município, ainda aguarda por melhores dias.
A pressão turística permanente dificultou a organização urbana em todos os sentidos
A baixa tornou-se palco de fluxos intensos de TVDE, tuk-tuks, táxis, autocarros turísticos e descargas comerciais, criando ruído, bloqueios constantes e conflitos de circulação que afetam residentes e visitantes.
Um plano de mobilidade urbana e de regulação da logística nunca existiu
Centenas de toneladas de mercadorias chegam a qualquer hora, os veículos ocupam vias críticas e a coexistência entre turismo, comércio e vida local tornou-se caótica, sem janelas horárias nem zonas de carga e descarga definidas.
Necessidade de ordem e visão estratégica
Hoje, mais do que nunca, Albufeira carece de uma organização rigorosa da mobilidade e da logística, com regras claras, fiscalização e planeamento estratégico, para que a cidade turística não continue a sufocar a cidade que lhe deu origem e que, afinal, representa uma das mais importantes atrações para quem nos visita.
Um plano de mobilidade urbana, aliado e conjugado com os respetivos regulamentos de tráfego e de ruído, será um instrumento indispensável para o futuro, que começa hoje.
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