No momento de usar uma caixa Multibanco, a atenção costuma estar centrada na transação: levantar dinheiro, consultar o saldo, pagar contas. Mas há um hábito aparentemente inofensivo que pode representar um risco real para a segurança bancária. Um gesto repetido por muitos, sem reflexão, pode facilitar o acesso indevido às contas.
De acordo com o jornal The Collegian, é comum que os utilizadores deixem para trás o talão impresso após uma operação no Multibanco.
Embora pareça irrelevante, esse comprovativo inclui informações, como o nome do banco, a localização da máquina, o saldo da conta e os últimos quatro dígitos do cartão e do número de conta, dados suficientes para alguém com intenções fraudulentas iniciar um processo de usurpação de identidade.
Pequenos dados, grandes riscos
Segundo a mesma fonte, um criminoso pode utilizar essas informações básicas para contactar o banco, identificar-se como titular da conta e, caso encontre um assistente mais complacente, obter acesso indevido a fundos, encerrar contas ou até mesmo solicitar empréstimos em nome de outra pessoa.
Escreve o jornal que esta prática, conhecida como account takeover, envolve o uso progressivo de fragmentos de informação até conseguir assumir o controlo de uma conta bancária. A presença de dados no talão pode tornar essa impostura mais credível.
Grupos mais vulneráveis a este tipo de fraude
Acrescenta a publicação que os estudantes universitários, por exemplo, são frequentemente visados por este tipo de crime. Vivem em espaços partilhados e, por vezes, deixam documentos ou dados expostos, sendo menos cuidadosos com a protecção da sua informação pessoal. Além disso, muitos já possuem um histórico de crédito, o que os torna alvos viáveis.
A combinação de elementos aparentemente inofensivos pode ser suficiente para que um criminoso movimente dinheiro ou solicite crédito em nome da vítima. Tudo começa com a recolha de dados acessíveis, como os que constam num talão esquecido.
Quatro passos para reduzir o risco
Sabe-se que é possível evitar este tipo de situações com medidas simples: levar sempre o talão consigo e guardá-lo durante alguns dias, até confirmar que a transação foi corretamente processada.
Depois disso, o comprovativo deve ser destruído. Pode rasgá-lo cuidadosamente ou, idealmente, triturá-lo. Se não tiver trituradora, o recomendável é dividir os pedaços por diferentes caixotes de lixo. Outra precaução útil é consultar o saldo da conta com regularidade, pelo menos uma vez por semana.
O detalhe impresso que pode abrir o acesso não autorizado
Volta a referir o The Collegian que há especialistas que consideram desnecessária a impressão dos últimos dígitos do cartão e da conta nos talões. Rob Douglas, consultor em gestão de risco de roubo de identidade, afirma que esses elementos, combinados com outras informações disponíveis, são suficientes para encenar uma identidade e realizar alterações bancárias em nome da vítima.
Sublinha o mesmo especialista que a maioria das pessoas ignora estes riscos por desconhecimento ou distração. Mas num cenário em que os dados pessoais têm valor elevado e são alvo constante de tentativa de acesso, cada pequeno gesto conta.
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