A reforma é um momento aguardado por muitos, mas nem sempre traz o descanso prometido. Para alguns pensionistas, a pensão não chega para cobrir as despesas básicas, obrigando-os a procurar alternativas. Foi o que aconteceu a Ángel Martín, reformado de 77 anos, que apesar da idade avançada continua a trabalhar.
Durante o programa televisivo “Y Ahora Sonsoles”, o reformado espanhol partilhou a sua história, e explicou que, apesar de receber uma pensão de 850 euros, o valor era praticamente absorvido pela renda da casa, que lhe custava 840 euros mensais.
Sem margem para outras despesas, tomou uma decisão difícil: regressar ao mundo laboral para conseguir equilibrar o orçamento familiar, segundo avançou o portal espanhol Noticias Trabajo.
Uma reinvenção tardia
Martín reconhece que não lhe restava outra alternativa. “Se tivesse uma pensão digna, não estaria a trabalhar”, afirmou o reformado no programa. A realidade levou-o a procurar novas formas de rendimento.
Aos 73 anos, decidiu aprender uma profissão totalmente diferente daquela a que tinha dedicado toda a vida. Foi nessa altura que subiu pela primeira vez para uma retroescavadora.
Até então, tinha sido sempre eletricista, ofício que começou a exercer aos 16 anos e que manteve durante décadas.
Investir para poder trabalhar
No ano passado, avançou com a compra da sua própria máquina. A decisão representou um investimento considerável, mas abriu-lhe caminho para criar um pequeno negócio, de acordo com a mesma fonte.
Hoje, combina metade da pensão, cerca de 450 euros, com os rendimentos que consegue através dos trabalhos de retroescavadora. Dependendo do mês, os ganhos situam-se entre 3.000 e 3.500 euros.
Apesar dos valores, o reformado lembra que a atividade é incerta, já que o pagamento é feito à hora e a procura varia bastante.
O exemplo e a realidade
Na televisão, a história foi apresentada como um exemplo de coragem e resiliência. No entanto, o próprio protagonista insiste que foi a necessidade que o empurrou para o empreendedorismo.
“Com 65 anos, quem te dá trabalho? Ninguém. O que tive de fazer foi investir para poder continuar a trabalhar”, contou.
O testemunho de Martín reflete um problema crescente: muitos pensionistas enfrentam dificuldades em encontrar habitação acessível e em manter um nível de vida estável apenas com a pensão.
Uma tendência preocupante
O envelhecimento da população e as pensões reduzidas colocam novos desafios sociais. Casos como o deste reformado não são isolados e estão a multiplicar-se entre quem depende exclusivamente da reforma para viver, de acordo com o Noticias Trabajo.
A precariedade habitacional e a subida dos custos básicos aumentam a pressão sobre os mais velhos, obrigando-os a escolhas que antes pareciam inimagináveis.
O percurso de Ángel Martín, entre a reforma e o regresso forçado ao trabalho, deixa um alerta sobre as condições de vida de muitos idosos e a urgência de respostas adequadas.
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