António José Seguro classificou este sábado, 5 de setembro, como uma “excelente notícia” a subida do rating de Portugal pela Fitch, de A para A+, defendendo que o reforço da credibilidade financeira pode beneficiar o Estado, as empresas e as famílias, embora sem efeitos automáticos ou imediatos.
Numa nota publicada no site da Presidência da República, o chefe de Estado considerou que esta será “seguramente uma das notícias económicas mais relevantes” de 2026.
“O Presidente da República congratula-se com a decisão da agência Fitch de elevar a notação financeira da República Portuguesa de ‘A’ para ‘A+’, com perspetiva estável”, refere a nota.
António José Seguro atribuiu o resultado a uma evolução de médio e longo prazo, sustentada pelo esforço dos portugueses e por uma orientação de responsabilidade mantida ao longo de diferentes governos.
Seguro destaca estabilidade e responsabilidade
Para o Presidente da República, a decisão da agência de notação financeira confirma “a importância da estabilidade, da previsibilidade e da responsabilidade na condução do país”.
“A credibilidade conquistada deve ser preservada com responsabilidade e colocada ao serviço de uma economia mais produtiva, de melhores salários, de serviços públicos fortes e de uma sociedade mais justa e coesa, na qual ninguém fique para trás”, defendeu.
António José Seguro salientou também a importância da decisão num momento em que famílias e empresas receiam um novo agravamento das taxas de juro.
Na sua perspetiva, o reforço da credibilidade financeira de Portugal pode ajudar a atenuar os efeitos de condições internacionais de financiamento mais exigentes.
“Embora essa repercussão não seja automática nem imediata, uma melhor notação irá favorecer as condições de financiamento do Estado, das empresas e das famílias, apoiar o investimento e a criação de emprego e permitir que mais recursos públicos sejam dirigidos às necessidades das pessoas”, afirmou.
Fitch destaca redução da dívida e prudência orçamental
A Fitch justificou a subida do rating com o reforço das finanças públicas portuguesas, incluindo a trajetória projetada de redução da dívida pública e a existência de saldos orçamentais mais fortes do que os de países com classificação semelhante.
Segundo a agência, esta evolução é sustentada por um “forte compromisso político com a prudência orçamental”.
A Fitch assinalou igualmente que a classificação portuguesa beneficia de indicadores de governação superiores à mediana dos países integrados na categoria A.
A agência destacou ainda as “forças institucionais” resultantes da integração de Portugal na União Europeia e na zona euro.
Estes fatores positivos são, contudo, contrabalançados pelos níveis ainda elevados de dívida pública e de dívida externa acumulada.
Apesar dessas fragilidades, a Fitch considerou que a prudência na condução das políticas, o desempenho orçamental repetidamente superior ao previsto e os excedentes persistentes da balança corrente reforçaram a capacidade da economia portuguesa para enfrentar choques.
Governo diz que Portugal fica ao nível de França e Bélgica
O Ministério das Finanças considerou que a melhoria da classificação coloca Portugal ao nível de França e da Bélgica e demonstra a confiança dos investidores internacionais.
Citado num comunicado do ministério, Joaquim Miranda Sarmento classificou a decisão como “mais uma grande vitória de Portugal”.
O ministro das Finanças destacou que a subida ocorre “num contexto geopolítico e económico ainda marcado por incerteza e instabilidade”.
O rating é uma avaliação realizada por agências de notação financeira sobre o risco de crédito de um país ou de uma empresa. A classificação pode influenciar as condições em que Estados e empresas conseguem financiar-se nos mercados.
A.Pinto / HDF
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