Apesar de a maioria das fraudes atuais ocorrerem online, como através de mensagens no WhatsApp ou e-mails falsos, as burlas presenciais continuam a fazer vítimas em Portugal e em Espanha. Segundo as autoridades espanholas, e de acordo com o jornal do mesmo país, AS, há criminosos que se aproximam das pessoas na rua com uma conversa convincente e emocional, e é precisamente essa burla direta que torna mais difícil recusar ajudá-los.
Nos últimos dias, a Polícia Nacional espanhola alertou para um novo tipo de esquema, partilhado através da rede social TikTok. Os burlões fazem-se passar por conhecidos ou por pessoas com problemas urgentes e criam um enredo emocional, com o objetivo de levar as vítimas a entregar dinheiro de forma voluntária.
A técnica é simples: o burlão aproxima-se da vítima e começa a contar uma história triste, envolvendo problemas de saúde, dificuldades familiares ou emergências que exigem apoio imediato. Segundo a mesma fonte, o discurso é tão bem ensaiado que, como ironiza a própria polícia, “até o teu cunhado caía”.
Dinheiro emprestado a desconhecidos
Em muitos casos, a vítima não conhece o burlão, mas o tom emotivo e a situação narrada geram empatia. O impulso de ajudar fala mais alto e, sem perceber, a pessoa acaba por entregar quantias consideráveis, e só mais tarde percebe que foi enganada.
A Polícia Nacional sublinha que, embora ser solidário seja uma atitude louvável, é essencial confirmar a identidade da pessoa antes de prestar qualquer ajuda financeira. Quando houver dúvidas sobre a veracidade do pedido, o melhor é denunciar a situação.
Esta publicação feita nas redes sociais rapidamente se tornou viral, gerando centenas de comentários. Alguns internautas garantem que não emprestam dinheiro nem a familiares próximos e, por isso, dificilmente cairiam num esquema destes. No entanto, outros partilharam experiências reais, como o caso de uma utilizadora que escreveu: “Disse-me que era uma vizinha nova e que a filha estava doente… precisava de medicamentos e tirou-me 45 euros.”
Burlas em videochamadas no WhatsApp
Para além dos esquemas presenciais, continuam a surgir novas formas de burla digital. Uma das mais recentes envolve videochamadas no WhatsApp. Os criminosos fazem-se passar por técnicos da plataforma e pedem às vítimas que carreguem no botão ‘partilhar ecrã’.
A partir desse momento, enviam um código de verificação e conseguem aceder à conta da vítima, controlando todas as suas conversas e informações pessoais. Este método é altamente intrusivo e pode ter consequências graves, sobretudo se forem comprometidos dados bancários.
As autoridades recomendam que nunca se partilhem códigos, senhas ou dados pessoais com desconhecidos, mesmo que estes se façam passar por representantes oficiais. Em caso de dúvida, deve contactar-se diretamente a plataforma ou recorrer às autoridades competentes.
Denunciar pode evitar novas vítimas
Tal como noutros tipos de fraude, o passo mais importante é fazer queixa. Denunciar uma burla, mesmo que pareça de pequena dimensão, pode impedir que outras pessoas passem pelo mesmo. A Polícia Nacional e a Guardia Civil estão disponíveis para registar queixas e investigar estes casos, segundo o AS.
A prevenção continua a ser a melhor forma de proteção. Desconfiar de histórias emocionais contadas por estranhos e confirmar sempre a identidade de quem pede ajuda são atitudes que fazem toda a diferença.
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