Um grupo de 140 executivas e empresárias, reunido sob o nome Sororitê, já investiu mais de 6 milhões de reais (cerca de 915.000 euros) em 16 startups fundadas por mulheres. A empresa nasceu em 2021 com o objetivo de conectar investidoras-anjo a empreendedoras em início de trajetória e, agora, prepara-se para lançar um fundo de venture capital com 25 milhões de reais (3.815.000 euros).
De acordo com a Forbes, o Sororitê Fund 1 será gerido pelas cofundadoras da rede, Erica Fridman e Jaana Goeggel. A proposta é investir exclusivamente em empresas com, pelo menos, uma mulher entre os fundadores. A ideia, explicam, não se restringe ao impacto social. “Diversidade é inovação e constrói organizações resilientes e com bons resultados”, defende Jaana, suíça de origem, residente no Brasil há mais de uma década e com passagens pela McKinsey e pela American Express.
O caminho até ao primeiro fundo
A transição da rede informal de investidoras-anjo para um fundo estruturado implicou um percurso de preparação.
Nos últimos 12 meses, as duas sócias mergulharam nos aspectos legais e operacionais do modelo FIP (Fundo de Investimento em Participações) e participaram numa startup sediada no Vale do Silício. O objetivo: desenhar uma estratégia sólida para captar investimento institucional e individual.
Segundo a mesma fonte, o fundo destina-se a startups em fase inicial, com modelos escaláveis e base tecnológica. As decisões de investimento terão como foco a equipa fundadora e o problema que a startup procura resolver.
O impacto da representatividade no capital de risco
No Brasil, apenas 3% do capital de risco global é destinado a empresas fundadas por mulheres. Quando o recorte se aprofunda, a ausência de dados sobre mulheres negras, maioria da população brasileira, torna visível uma lacuna ainda mais grave. A Sororitê quer contrariar essa tendência.
Escreve a Forbes que, quando os venture capitals apostam em startups fundadas por mulheres, os retornos financeiros tendem a ser superiores.
A explicação, para Erica Fridman, passa pela diversidade de pensamento e pela construção de empresas mais sólidas. “Queremos encontrar a próxima Cristina Junqueira ou as irmãs Binatti”, afirma, em referência às fundadoras do Nubank e da Pismo, esta última vendida por mil milhões de dólares à Visa.
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A tese do fundo e os primeiros passos no mercado
Com o lançamento do Sororitê Fund 1, Erica Fridman e Jaana Goeggel enfrentam agora o desafio de comunicar a sua tese de investimento ao mercado.
A proposta, centrada em startups com fundadoras mulheres, destaca-se pela sua singularidade no panorama brasileiro. “Como temos uma tese única no mercado, a aceitação é muito boa, tanto entre homens quanto entre mulheres”, afirma Erica, sublinhando que os resultados e o potencial económico do modelo têm facilitado a recepção positiva junto de diferentes perfis de investidores.
Jaana acrescenta que “uma grande oportunidade do Brasil é que o mercado é gigante, um dos poucos suficientemente grande para sustentar o crescimento de uma startup até o estágio de unicórnio” sendo este mais um ponto a favor da sua tese quando apresentada.
Os primeiros investimentos estão previstos ainda para 2024, com um calendário de aportes a decorrer ao longo dos próximos cinco anos. A selecção das startups passará por critérios técnicos e estratégicos, com ênfase na capacidade da equipa e na dor que o produto resolve.
O outro lado da desigualdade: quem assina os cheques
Refere a Forbes que, além da escassez de investimento dirigido a mulheres, há um problema estrutural quanto a quem toma as decisões nos fundos. Menos de 5% dos gestores de fundos no Brasil são mulheres, segundo levantamento da Quantum Finance. Esta assimetria afecta directamente a forma como o capital circula.
Erica sublinha que mudar o cenário exige intencionalidade. “O movimento começa no gestor, no alocador, no family office, no herdeiro ou na herdeira”, explica. Em alguns mercados, como os Estados Unidos, já há exigências explícitas para que os fundos tenham mulheres entre os seus sócios.
Erica Fridman, cofundadora da Sororitê, ainda observa que “existem poucas mulheres em cargos de decisão no venture capital, e quem tem o dinheiro direciona como o mundo gira”. Esta realidade evidencia a necessidade de reequilibrar o poder financeiro e ampliar a representatividade feminina nas estruturas que moldam o ecossistema de inovação.
Um futuro com mais mulheres a liderar o investimento
A tendência, concluem as fundadoras da Sororitê, é de crescimento da participação feminina no topo dos fundos, das startups e das decisões estratégicas de investimento. As resistências existem, mas os resultados alcançados por equipas diversas têm reforçado o argumento económico da inclusão.
O Sororitê Fund 1 surge como uma proposta concreta para transformar a lógica de quem investe e em quem se investe. A expectativa é que outras iniciativas semelhantes sigam o mesmo caminho nos próximos anos.
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