As férias de verão trazem consigo milhares de quilómetros percorridos por estrada. Mas entre portagens, postos de abastecimento e percursos traçados em aplicações de navegação, há agora mais uma variável que exige atenção redobrada: uma burla nas estradas em expansão na Europa.
A nova burla tem vindo a surgir em estradas de países como França, onde condutores estão a ser enganados por indivíduos que utilizam plataformas como o Waze para se fazerem passar por profissionais de assistência.
De acordo com o jornal El Economista, esta burla, apelidada de “golpe da grua”, tira partido das funcionalidades colaborativas do Waze, app popular entre condutores por permitir o registo em tempo real de informações sobre trânsito, acidentes e controlos policiais.
Uma app útil que está a ser desviada
Ao permitir que qualquer utilizador reporte um incidente, o Waze criou um ecossistema colaborativo que, segundo a mesma fonte, passou a ser explorado por grupos organizados. Estes monitorizam os alertas gerados pelos utilizadores e deslocam-se rapidamente ao local assinalado.
Chegam com veículos de reboque, vestem-se como técnicos e apresentam-se como prestadores de serviços autorizados. Aparentemente legítimos, os falsos profissionais oferecem ajuda imediata, ganhando a confiança de quem se encontra vulnerável, sem necessidade de recorrer a força ou ameaças.
O que acontece depois? Uma conta elevada
O truque é eficaz porque aproveita momentos de desorientação. Conforme acrescenta o El Economista, muitos condutores aceitam a “ajuda” sem confirmar a origem do serviço, sendo posteriormente confrontados com cobranças que podem chegar aos 3.500 euros.
Estas quantias incluem reboques não solicitados, taxas de deslocação e armazenamento, ou outros encargos que não constam de qualquer tabela oficial. Muitas vezes, os condutores são pressionados a pagar de imediato, sob ameaça de confisco do veículo.
Alvo: condutores em viagem
Os casos reportados até agora incidem sobretudo sobre viajantes em deslocação, o que tem feito crescer o alerta em zonas de grande circulação internacional.
Escreve o jornal que o risco aumenta nos períodos de maior movimento nas estradas, como o verão, quando condutores atravessam fronteiras com menor familiaridade com os serviços locais.
Ainda que o esquema tenha ganho força em França, existe receio de que se propague a outros países europeus, incluindo Portugal, especialmente tendo em conta a facilidade de acesso aos dados de tráfego partilhados nas aplicações.
Como se proteger sem deixar de usar o Waze
As autoridades recomendam manter a utilização das apps de navegação, mas com precaução. Em caso de necessidade, o ideal é contactar directamente a seguradora ou o serviço de assistência incluído na apólice antes de aceitar qualquer ajuda que surja no local.
A chegada demasiado rápida de um veículo de reboque que não tenha sido chamado deve ser motivo de desconfiança.
Refere o El Economista que é fundamental pedir identificação e confirmação da empresa junto da central de assistência, especialmente se a intervenção não tiver sido solicitada.
Um esquema difícil de detetar
A sofisticação do esquema reside precisamente na sua aparência de legitimidade. Conforme explica a publicação, os burlões utilizam viaturas aparentemente legais e uniformes que simulam os de empresas reais, dificultando a distinção imediata.
A situação é agravada quando o condutor está sozinho, sem testemunhas, ou com dificuldades linguísticas, o que é comum em viagens internacionais.
Autoridades reforçam o alerta para os próximos meses
Com o aumento esperado de circulação nas estradas da Europa durante o verão, várias entidades europeias reforçaram os avisos para este tipo de burla. Recomenda-se que os condutores planeiem as suas viagens com antecedência e tenham os contactos dos serviços oficiais sempre à mão.
A partilha de informação entre utilizadores mantém-se como uma das maiores vantagens do Waze, mas também uma das suas vulnerabilidades, alerta o El Economista. Estar informado e desconfiar de soluções que parecem rápidas demais continua a ser a melhor forma de evitar ser apanhado.
Leia também: Conheça a aldeia que é ‘pintada’ de roxo todos os anos e não fica ‘muito longe’
















