Numa altura em que muitos jovens procuram empregos ligados à tecnologia e ao trabalho remoto, há quem opte por seguir um caminho mais tradicional e manual. Aos 28 anos, Sergio Menéndez trabalha numa carpintaria de alumínio em Barcelona e garante que a metalurgia continua a oferecer bons salários e procura constante. O jovem começou durante a pandemia no pequeno negócio do pai e prepara-se para assumir a empresa familiar, numa profissão que muitos da sua geração ignoram, embora esta profissão não exija experiência prévia, segundo o jornal digital HuffPost.
Sergio procurava emprego como mecânico quando, em 2020, viu as portas fecharem-se por falta de experiência. Entrou então no atelier do pai e descobriu um ofício que considera exigente, mas criativo. Diz que o que mais o motiva é pensar soluções e montar peças de grandes dimensões, entre o ruído das roscadoras e as cargas de perfis de alumínio logo às primeiras horas da manhã.
Cinco anos depois, mantém a rotina fora do escritório e sem ar condicionado. Acorda cedo, levanta pesos e passa o dia entre ferramentas. Considera o trabalho muito físico, mas sustenta que, com cuidado e proteções adequadas, é possível prevenir lesões e aguentar o ritmo.
Quem é quem no negócio de família
No enquadramento legal espanhol, Sergio é autónomo colaborador. A figura permite a filhos ou cônjuges trabalharem com o titular da empresa, inscritos por conta própria, com contribuições à Segurança Social e algumas bonificações, mas sem constarem em folha salarial. Como vive com o pai e este é o titular, não pode ser contratado como empregado e optou por esta via para dar continuidade ao projeto.
A escolha trouxe responsabilidades adicionais, do papelório às decisões do dia a dia. Ainda assim, fala em vocação. O que começou como solução temporária transformou-se num caminho profissional com margem para crescer no ofício e no negócio, refere a mesma fonte.
Margens mais apertadas
Desde que começou, Sergio viu o preço do alumínio subir e os custos comprimirem as margens. Gostaria de uma carga fiscal mais leve para as pequenas empresas e de recuperar a rentabilidade de outros tempos. Reconhece, porém, que as encomendas de particulares e de empresas têm garantido trabalho e estabilidade.
Defende que a metalurgia e a carpintaria de alumínio continuam a ser áreas estáveis e bem pagas. Na sua perspetiva, o desinteresse de muitos jovens liga-se à exigência física e à atração por empregos de escritório. Ainda assim, insiste que há futuro para quem queira aprender, ser resolutivo e concentrar-se em cada etapa, da fabricação à instalação. Considera que esta é uma profissão onde a experiência conta, mas também uma profissão que pode ser aprendida com o tempo e com vontade.
Passagem de testemunho
Dentro de alguns meses, o pai de Sergio reforma-se e será o filho a assumir o comando do pequeno atelier Tacoal. De acordo com o HuffPost, o objetivo é manter o ritmo das obras e a carteira de clientes, preservando um ‘saber-fazer’ que assenta em precisão, segurança e prazos cumpridos.
Entre ruídos de metal e medidas ao milímetro, o jovem resume a aprendizagem com três ideias simples: aprender sempre, resolver com método e focar-se em cada passo. Considera que, quando se gosta do que se faz, o esforço compensa e a profissão pode oferecer uma vida confortável.
Porque muitos não olham para este ofício
Para Sergio, a distância entre a sua geração e os ofícios prende-se com perceções. Imagina-se um futuro sentado diante de um ecrã, mas o mercado continua a pedir quem saiba cortar, roscar, soldar, montar e resolver no terreno. Vê esta profissão como uma oportunidade para quem tem pouca ou nenhuma experiência e quer ganhar bem dentro de uma profissão que continua a oferecer estabilidade.
Apesar dos custos mais altos e das margens mais curtas, o balanço é positivo: “a profissão é bem paga, há sempre trabalho e um caminho claro para crescer dentro do setor” refere Sergio. No seu caso, essa progressão fará a ponte entre duas gerações e manterá o negócio de portas abertas.
Indústria metalúrgica em Portugal
Em Portugal, a fileira metalúrgica e metalomecânica continua a ser uma das maiores empregadoras da indústria transformadora, com empresas que procuram operadores qualificados, soldadores, serralheiros e técnicos de fabrico e montagem. Tal como em Espanha, a dificuldade em atrair jovens para os ofícios convive com a existência de vagas por preencher e com perspetivas de estabilidade para quem aposta na formação prática e certificada.
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