A declaração de falência da iRobot, empresa responsável pelos aspiradores robóticos Roomba, levantou dúvidas sobre o futuro deste segmento tecnológico e sobre a continuidade de uma marca que se tornou sinónimo de limpeza automatizada. Apesar do colapso financeiro, a empresa garante que a atividade não vai parar no imediato, numa fase marcada pela venda dos seus ativos e por uma mudança profunda na estrutura acionista.
Criada em 1990 nos Estados Unidos, a iRobot enfrentava há vários anos dificuldades financeiras, agravadas pela quebra de vendas, pelo aumento da concorrência e pela pressão nos custos. A situação culminou agora num processo de falência que surge após sucessivos alertas ao mercado e aos investidores.
Uma falência com continuidade anunciada
De acordo com o Jornal de Negócios, os ativos da iRobot foram adquiridos pela Picea Robotics, uma empresa de origem chinesa que é atualmente o maior fornecedor de componentes para os aspiradores Roomba. A operação envolve a transferência total do capital da empresa, passando a iRobot a ser integralmente detida pela nova proprietária.
A tecnológica norte-americana explica em comunicado que esta solução permitirá reduzir o endividamento acumulado e manter a operação ativa, assegurando o desenvolvimento de novos produtos e a presença global da marca. No curto prazo, a declaração de falência não deverá significar o desaparecimento dos aspiradores robô do mercado.
De símbolo da inovação à pressão financeira
O percurso da iRobot conheceu o seu momento mais alto em 2021, durante a pandemia, quando a empresa foi avaliada em 3,56 mil milhões de dólares. Escreve o jornal que os anos seguintes trouxeram uma realidade diferente, marcada por menor procura e por um mercado cada vez mais competitivo.
Acrescenta a publicação que, atualmente, o valor da empresa caiu para cerca de 140 milhões de dólares. Segundo a BBC, esta desvalorização reflete um período prolongado de perdas e a dificuldade em recuperar a rentabilidade num setor onde surgiram dezenas de novos concorrentes.
Resultados negativos e alertas públicos
A própria iRobot reconheceu, num documento regulatório divulgado em março, a dimensão do problema financeiro. A empresa admitiu perdas operacionais significativas nos últimos anos e antecipou dificuldades em alcançar resultados positivos no futuro previsível.
Este reconhecimento público serviu como aviso claro aos investidores de que a sustentabilidade do negócio estava em risco, mesmo com tentativas de reorganização interna e redução de custos.
Tentativa falhada de salvação
Em 2022, a iRobot esteve perto de ser adquirida pela Amazon, num negócio avaliado em 1,4 mil milhões de dólares. A operação era vista como uma das últimas hipóteses de estabilização financeira da empresa.
O processo acabou por cair por terra em 2024, após o veto da Comissão Europeia. Segundo a mesma fonte, nem a compensação de cerca de 90 milhões de dólares paga pela Amazon pelo fim do acordo foi suficiente para inverter a trajetória negativa da tecnológica.
Saída da bolsa e o futuro
Na última sessão antes do anúncio, as ações da iRobot fecharam com uma queda de 13,60%, fixando-se nos 4,32 dólares. Conforme o Jornal de Negócios, a empresa deixará de estar cotada no Nasdaq e em qualquer outra bolsa norte-americana.
A passagem para uma estrutura privada, totalmente controlada pela Picea Robotics, marca o fim de um ciclo para a tecnológica. A falência não dita, para já, o desaparecimento dos aspiradores robô, mas confirma que o setor entrou numa nova fase, com menos espaço para erros e maior pressão sobre marcas históricas.
Leia também: Segurança Social vai suspender estas pensões em 2026 a quem não cumprir estes requisitos até esta data
















