À primeira vista, as luzes, a música e o ambiente festivo de uma feira transmitem a ideia de negócio fácil e lucros rápidos. No entanto, por detrás de cada carrossel ou barraquinha, escondem-se histórias de famílias inteiras que dedicam a vida a esta atividade, enfrentando uma realidade bem diferente da perceção popular.
Um vídeo recente publicado por Víctor BZ, criador de conteúdo no YouTube, trouxe à tona testemunhos de vários feirantes que descrevem o seu dia a dia, marcado por muito esforço, longas jornadas de trabalho e, muitas vezes, ganhos abaixo do esperado, segundo relata o portal espanhol Noticias Trabajo.
“Dormimos na feira, trabalhamos sem parar”
Manuel, um dos entrevistados, admite que o ofício é duro, mas fala com paixão: “Quero que as pessoas valorizem o esforço que fazemos para que desfrutem. Dormimos na feira, trabalhamos sem parar… é duro, mas gostamos”.
Também Lola, feirante de longa data, reforça a ideia de que este não é um trabalho escolhido por acaso. “Isto vem de gerações. Era do meu sogro, passou para o meu marido e agora continuamos nós”, explicou, sublinhando o peso da tradição familiar neste setor.
Ganhos incertos e muitos gastos escondidos
Apesar da crença comum de que os feirantes ficam ricos em poucos dias, os números mostram outra realidade. Um dos responsáveis pela famosa “Olla Loca” explica: “As pessoas veem uma volta a três euros e fazem as contas, mas não são essas. Temos empregados, camiões, gasóleo, eletricidade… há muitos gastos. No fim, sobrevives”.
Em dias excecionais, é possível atingir receitas de cinco dígitos, mas essas ocasiões são raras. Mais comum é enfrentar dias fracos, como confessa Juan, feirante há 20 anos: “Hoje, com chuva e pouca gente, foram 250 euros”.
Investimento elevado em equipamentos
Outro fator que pesa no orçamento são os custos de instalação e manutenção das atrações. Uma máquina simples pode custar 2.500 euros, enquanto uma de maior dimensão pode ultrapassar os 150 mil. Para além disso, muitos feriantes vivem em caravanas durante grande parte do ano, algumas chegam a valer 300 mil euros, comparáveis a uma casa em Lisboa ou Madrid.
Estes investimentos, a par dos gastos diários com transportes e combustível, reduzem bastante os lucros que o público imagina fáceis, de acordo com a mesma fonte.
Um modo de vida que exige sacrifício
Entre abril e outubro, a vida dos feriantes passa-se quase sempre na estrada. O inverno é, muitas vezes, o único período em que regressam a casa. O resto do tempo é passado em viagens, desmontagens, montagens e noites mal dormidas.
“Qualquer pessoa não aguenta isto. Há que nascer feirante e aprender desde criança. As noites, os gastos e os imprevistos não são para todos”, partilhou uma das entrevistadas mais veteranas.
A responsabilidade de fazer a feira girar
Para além do cansaço, existe ainda o peso da responsabilidade. Operar uma atração significa garantir a segurança de dezenas de pessoas ao mesmo tempo. “Quando metes o turbo na Olla, tens 40 pessoas lá dentro e não podes distrair-te nem um segundo”, alertou Juan.
Os relatos sublinham que a feira não é apenas um espetáculo, mas também uma atividade que exige concentração, profissionalismo e cumprimento rigoroso de normas de segurança.
A paixão que mantém tudo de pé
Apesar dos sacrifícios, há algo que todos os entrevistados têm em comum: o amor pela feira. Para muitos, é a vida inteira. “Eu nasci nisto e adoro”, resumiu um dos feirantes, que garante que, mesmo com todas as dificuldades financeiras e pessoais, não se imagina a fazer outra coisa.
Assim, e de acordo com o Noticias Trabajo, a magia das feiras continua a brilhar noite após noite. Mas, por detrás das luzes, há famílias que lutam para equilibrar contas, manter tradições e oferecer momentos de alegria a quem as visita.
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