Com 106 milhões de euros destinados pelo PRR ao Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve, o Ministério do Ambiente e Energia anunciou este sábado ter cumprido integralmente 51 metas sob a sua responsabilidade, num investimento total superior a 1.800 milhões.
Os investimentos abrangeram áreas como a eficiência energética e o combate à pobreza energética, a gestão e resiliência hídrica, a bioeconomia, os resíduos, os gases renováveis, o armazenamento de energia, a descarbonização dos transportes públicos e a economia azul.
“As metas previstas para estas áreas foram integralmente cumpridas e, em vários indicadores, superadas, com investimentos e reformas que deixam resultados concretos no território, nas famílias, nos serviços públicos e na capacidade do país para responder aos desafios climáticos e energéticos”, refere o ministério liderado por Maria da Graça Carvalho.
A ministra considerou que, “mais importante do que executar recursos financeiros é garantir que estes se traduzem em resultados”, sustentando que os investimentos realizados “melhoram a vida das pessoas, tornam o território mais resiliente, aceleram a transição energética e melhoram o ambiente”.
Algarve concentrou 106 milhões em eficiência hídrica
Na gestão da água e no reforço da resiliência hídrica, foram executados 106 milhões de euros, concentrados no Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve.
“Numa região particularmente exposta à seca e à escassez de água, os investimentos permitiram reduzir perdas nos sistemas urbanos e agrícolas, aumentar a reutilização de águas residuais tratadas e reforçar a capacidade de transferência de água entre diferentes zonas do Algarve”, afirma o Governo.
Nos sistemas urbanos de abastecimento, foram intervencionados 204 quilómetros de redes, acima da meta mínima de 125 quilómetros, permitindo, segundo o ministério, uma poupança de 2,56 hectómetros cúbicos de água.
Foram também realizadas intervenções em quatro estações de tratamento de águas residuais, com capacidade conjunta para disponibilizar anualmente oito hectómetros cúbicos de água para reutilização.
Os investimentos abrangeram ainda aproveitamentos hidroagrícolas coletivos que servem uma área de 10.300 hectares.
A capacidade de transferência de água entre o Sotavento e o Barlavento aumentou em 300 litros por segundo, passando para um total de 600 litros por segundo. De acordo com o ministério, este reforço aumenta a flexibilidade e a resiliência do sistema de abastecimento algarvio.
Mais de 85 mil habitações receberam apoios
Na área da eficiência energética e do combate à pobreza energética, o PRR permitiu executar cerca de 556 milhões de euros em habitações, edifícios da Administração Pública Central e edifícios destinados a serviços.
Mais de 85 mil habitações foram apoiadas através do Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis.
Foram igualmente pagos 20 mil Vales Eficiência e atribuídos 53.600 vales do programa E-LAR.
Nos edifícios públicos e de serviços, as intervenções permitiram renovar mais de dois milhões de metros quadrados.
Hidrogénio, gases renováveis e armazenamento recebem 447 milhões
Na transição energética, o Governo aponta para investimentos de cerca de 267 milhões de euros em hidrogénio e gases renováveis.
Outros 180 milhões de euros foram destinados à flexibilidade da rede elétrica e ao armazenamento de energia, encontrando-se comprometidos 100% dos investimentos previstos nestas áreas.
O PRR financiou também reformas destinadas a simplificar e acelerar a implantação das energias renováveis, incluindo a criação de Zonas de Aceleração das Energias Renováveis.
Foram ainda realizados estudos sobre uma área de dois mil quilómetros quadrados para avaliar o potencial de produção de energia eólica no mar.
Meta dos autocarros de zero emissões foi superada
Na descarbonização dos transportes públicos, o investimento permitiu atingir 952 autocarros de zero emissões, elétricos ou movidos a hidrogénio.
O resultado supera o objetivo global de 860 veículos previsto no Plano de Recuperação e Resiliência.
Na bioeconomia e na gestão de resíduos, foram apoiados projetos para desenvolver novos produtos, tecnologias e processos nos setores do têxtil e vestuário, do calçado e da resina natural.
O financiamento abrangeu também investimentos destinados à reciclagem e valorização de resíduos.
Entre as reformas concretizadas, o ministério destaca o novo Regime Geral de Gestão de Resíduos e a revisão da Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas.
Polo da economia azul construído no Algarve
Na economia azul, o investimento permitiu avançar com a Rede de Polos Azuis.
Foram construídos os polos “Smart Ocean” de Peniche, Leixões I e Algarve, renovado o polo de Aveiro e adquiridos equipamentos para diferentes infraestruturas e entidades ligadas à economia do mar.
A.Pinto / HDF
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