A vida continuou para Miguel Frazão após ter ficado ‘à porta’ de Paris2024, com o esgrimista português a ter ainda mais vontade de estrear-se em Jogos Olímpicos ao mesmo tempo que aponta às medalhas em Taranto2026.
“Acaba por não ser tão difícil, porque logo a seguir àquela prova tive outras e, portanto, cai a ficha um dia ou dois depois, mas uma semana a seguir já tenho que estar a concentrar-me para outra prova porque a vida, ao fim e ao cabo, continua”, assume, em entrevista à agência Lusa.
Há dois anos, o sonho olímpico do jovem de 24 anos terminou apenas na final de espada da Prova Zonal de Apuramento Olímpico, perdida para o neerlandês Tristan Tulen.
“Os Jogos são de quatro em quatro anos, não posso esconder que esse é o objetivo, mas há sempre outros objetivos e outras metas para além dos Jogos. Movo-me muito pelo que vou tendo a oportunidade de fazer. Obviamente que é sempre aquele sabor amargo de ‘estive quase’”, confessa.
Por outro lado, “olhando para a parte positiva”, Miguel Frazão saiu dessa final com a certeza de estar entre os melhores e de ter a possibilidade de lutar pela qualificação para Los Angeles2028.
“Saber que posso ser uma das pessoas a conseguir esta vaga mais tarde é bom, porque estou a treinar e estou no caminho certo”, pontua.
Ter ficado tão perto da qualificação olímpica deu “mais vontade” e força ao ‘espadista’ para manter o nível, melhorar o que fez de errado na competição “e tentar em Los Angeles uma outra oportunidade”. “E, se não conseguir, tentar outra vez”, acrescenta.
Garantido para já estar “tranquilo”, o também jornalista do Postal do Algarve lembra que a partir da parte final desta época os resultados começam a contar para o apuramento para os Jogos.
“É uma realidade que vai estando mais presente e um pensamento que vai estando mais presente, mas o foco acaba por estar muito em cada prova e em tentar superar-me a mim e ser cada vez melhor hoje do que estava ontem, no fundo”, afirma.
Em Taranto2026, Frazão está a começar uma época nova, “numa experiência diferente com outras modalidades”, considerando motivador ter “a oportunidade de estar num palco” como os Jogos do Mediterrâneo, que tem “algumas semelhanças” com os Olímpicos.
“Ao longo da época passada, fui mostrando que essa medalha aqui pode ser possível. A esgrima não é um desporto muito linear, ou seja, hoje posso ficar no topo, amanhã estou em último. Não depende só de mim, porque estou a lutar contra um adversário. Obviamente que é uma aspiração, mas nunca se sabe. É manter os pés na terra e dar o meu melhor”, antecipa.
Após ser 10.º na prova de espada há quatro anos em Oran, na Argélia, o jovem luso inicia no domingo a sua segunda participação em Jogos do Mediterrâneo, na Pala Ricciardi de Taranto, competindo novamente nesta vertente com o irmão Filipe.
“Acabo por fazer todas as competições em família. Mas sim, tem um sabor especial começar a época assim”, admite Miguel Frazão, que nesta aventura ‘mediterrânica’ é ainda acompanhado pelo pai e treinador Nuno.
Aliás, o destino do vice-campeão dos Jogos Europeus de 2023 não podia mesmo ser outro que não a esgrima, como o próprio reconhece, enquanto conta à Lusa que começou a praticar a modalidade com apenas três anos.
“Foi graças ao meu pai que acabei por chegar à esgrima, um pouco por ter acompanhado muito. Desde que saía da escola estava sempre presente naquele ambiente e acho que foi esse o bichinho que também despertou em mim para vir para a esgrima”, justifica.
Texto de Ana Marques Gonçalves, da agência Lusa
A agência Lusa viajou a convite do Comité Olímpico de Portugal
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