Aqui onde canto e ardo, primeiro romance de Francisco Mota Saraiva, foi vencedor do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís, em 2023, e encontra-se publicado pela Gradiva.
A sua escrita rompe claramente com as convenções, aproximando-se – bastante – do estilo de Lobo Antunes, e este seu projeto literário teve continuidade no mais recente Morramos ao menos no Porto, cujo título foi pedido emprestado a Séneca e conquistou o Prémio José Saramago no final de 2024, tendo chegado às livrarias a 20 de março com carimbo da Quetzal Editores.

Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC)
Aqui Onde Canto e Ardo é uma caixa de ressonância – porque relembra, como referi, o estilo de um grande nome da literatura portuguesa – mas sobretudo por a história se contar, mediante um trabalho complexo de linguagem, a oito vozes, numa prosa livre, solta, onde vários fios parecem cruzar-se e desemaranhar-se aqui e a
O romance inicia com um menino, que queria ser cornaca, e imagina tigres e elefantes em Lisboa, como quem evoca um passado colonial sobreposto à vida na metrópole. Serão oito fios ou sentidos dispersos que, segundo a sinopse, tomam um só corpo que arde na escuridão, cantando o absurdo da morte, a fragilidade e o desconcerto dos homens perante a sua condição fatal.

Francisco Mota Saraiva afirma que o romance, “passado entre Tete, em Moçambique, Lisboa e Serpa, com vagas referências aos períodos pré e pós-colonial, pretende ser um conjunto de diversas narrativas que, entrelaçadas umas nas outras, e através de um coro de oito vozes, de algum modo se unem para contarem a história do absurdo da morte, tanto através da imagística como do quotidiano mais corriqueiro”. No entanto, entre os vários topónimos, destaca-se a aldeia de Magos, terra que volta a surgir no segundo romance do autor.
Francisco Mota Saraiva nasceu em Coimbra em 1988. É licenciado em Direito pela Universidade Nova de Lisboa e tem um mestrado em Direito e Gestão, pela Nova School of Business and Economics. Em 2021, foi-lhe concedida uma bolsa de criação literária, pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, e, em 2023, uma residência literária pela Fundação Eça de Queiroz.
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