Conheça os Tugas do autor neozelandês Christopher L. Jones chega-nos em duas versões. O Clube do Autor acaba de lançar, em simultâneo, duas edições, em português e em inglês, do livro Conheça os Tugas / Meet the Tugas.
Não se trata, note-se, de uma edição bilingue, mas sim de dois livros distintos, publicados quer na língua portuguesa quer na língua inglesa. Por isso mesmo, optou-se, nesta edição do Cultura.Sul, por fazer uma entrevista ao autor, em inglês, que será partilhada online no original no nosso site, e em português, na tradução que pode ser lida no caderno distribuído em papel.
Este livro apresenta-se como uma visão única sobre o nosso país e a nossa gente, descrita por alguém que durante três anos fez milhares de quilómetros de viagens a pé, de carro, de avião e de ferry por todos os cantos de Portugal.

Doutorado em Literatura na UAlg
e Investigador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC)
Uma leitura divertida, dado o humor irreverente do autor, e interessante, quer para quem visita o país e quer saber mais, quer para os que aqui vivem e o tomam como adquirido
O autor passou inúmeras horas de conversa (por vezes consigo próprio), a imaginar, a recriar, a ouvir e a descobrir o espírito e a história do nosso país. Este livro surge assim como testemunho do seu amor por um país que escolheu, há alguns anos, como a sua nova casa. Mas é também uma leitura crítica, e preciosa, do país pois parte de alguém que vê o país de fora. Uma leitura divertida, dado o humor irreverente do autor, e interessante, quer para quem visita o país e quer saber mais, quer para os que aqui vivem e o tomam como adquirido, podendo agora explorar a sua história, cultura, curiosidades – é claro desde o início da leitura que o autor é um aficionado pela História de Portugal.
Conheça os Tugas – Meet the Tugas, de Christopher L. Jones, é uma longa viagem no espaço e no tempo “por uma nação beijada pelo sol, com cicatrizes de batalhas, barcos atracados e vinho a rodos, vista pelos olhos de um viajante que quer compreender o seu coração e a sua alma. Um livro para descobrir a glória, a tragédia, as armadilhas e os triunfos que estão gravados, por vezes secretamente, na terra, nos seus edifícios e nas suas gentes.”
O volume reparte-se em várias regiões, ou locais, como o Norte (Berço de Portugal), o Centro (Terra de Cavaleiros entre Florestas), o Oceano (A Europa já está conquistada e é demasiado pequena), o Alentejo (Vasto, Plano, e Apimentado com Lendas e Castelos), o Algarve (A maldição da popularidade) e, por último, Lisboa (Cor e beleza. Leveza e luz).
Na sua passagem pelo Algarve, detém-se sobretudo nas principais cidades – Faro, Lagos, Portimão. Talvez fique para uma próxima oportunidade um livro sobre as explorações do autor pelo interior algarvio, por exemplo a serra de Monchique ou a serra do Caldeirão.
Christopher L. Jones, uma alma europeia presa pelo nascimento no corpo de um neozelandês, um flâneur profissional (e empreendedor e investidor imobiliário), que transformou a sua paixão por viajar e especular loucamente sobre tudo em dois relatos de viagem. Atualmente reside em Lisboa com a sua mulher inglesa e o seu filho português.
«Ao chegar com centenas de milhares de outros — a que nos referimos como “expatriados” —, apercebi-me de que, se tivesse pensado em Portugal uma década antes, teria considerado este país (…) como um país da América Latina. Nunca adivinharia que era uma nação cuja história remonta há mil anos, e um povo ainda mais antigo. Mas, após três anos a viajar por todos os cantos, costas, ilhas, vulcões, vinhedos, aldeias e cidades deste país, compreendi a essência da sua grandeza, do orgulho. A razão pela qual Portugal marcou o mundo, e, por sua vez, o mundo cunhou este cantinho de país. Era imperativo descobrir a razão pela qual a minha renda disparou, e o que atraía pessoas de todas as partes do mundo a refazerem as suas vidas aqui.»
«Cheguei à praça ribeirinha de Lisboa ao início da noite e assisti, com outras pessoas espalhadas por toda a zona, à transformação do céu em tons de rosa e púrpura. As pessoas sentavam-se em grupos, com vinho entre as pernas; famílias e casais passeavam pela elegante praça no meio da grandiosidade dos seus edifícios, enquanto o castelo da cidade, iluminado por baixo e coroado por árvores impressionantes, assistia a tudo. No centro da praça estava o arco triunfal de Lisboa, construído para dar as boas-vindas aos que chegavam de barco a uma cidade que se erguera graciosamente das suas cinzas, encimado por uma estátua de Aglaia – a deusa grega da Glória. Esta cidade, para mim, foi como uma massagem ao meu cérebro, um estimulante parque de diversões para a mente, e apercebi-me nesse dia de que faria dela a minha casa.»
P – O Christopher vive atualmente em Portugal, mais concretamente em Lisboa, com a sua mulher e o seu filho. Como chegou até aqui?
R – Sempre que o meu filho de 16 meses grita e atira o prato ao chão, faço a mim mesmo essa pergunta… A forma como vim parar a Lisboa foi a seguinte: visitei a cidade em 2016 enquanto trabalhava para uma empresa britânica que estava a considerar abrir aqui um escritório. No fim, não avançámos com a ideia e, dois anos depois, tendo saído da empresa, voltei para começar de novo. Trabalho no setor do imobiliário comercial e, já na altura, conseguia perceber que Lisboa estava a transformar-se numa cidade internacional — e senti a oportunidade que isso trazia.
Esta transformação está também a acontecer noutros lugares, como por exemplo em partes do Cazaquistão. Mas, tendo viajado bastante pela Ásia Central —escrevi, aliás, um livro sobre isso — posso dizer com toda a certeza: não vais conseguir sentar-te rodeado por uma multidão cosmopolita, a ver o pôr do sol entre edifícios decorados ao estilo barroco do século XIX, a beber um vinho tão barato quanto saboroso, enquanto ouves o canto de um fadista. Lisboa parecia boa demais para ser verdade.
É verdade que os benefícios fiscais de vir para cá eram apelativos. Mas isso foi apenas um incentivo adicional. A oportunidade e a beleza serena do país ter-me-iam atraído de qualquer modo.

P – Embora não haja indicações de datas, ao ler a narrativa desta viagem pelo país, de Norte para Sul, parece tratar-se de um diário. Pode esclarecer-nos quanto tempo durou esta aventura?
R – Quatro anos. Tenho duas empresas em Portugal que exigem a minha atenção e começam a “gritar” comigo através do saldo bancário se não lha dou, por isso tive de arranjar tempo à força para muitas viagens curtas de 3 a 7 dias. Planeava itinerários intensos, quase ao minuto, e marchava pelas ruas como um metrónomo, de forma quase neurótica, nos sítios que visitava — a tirar notas, a tirar fotografias, a visitar o máximo possível de pontos de interesse e de museus. À noite, no hotel onde estivesse hospedado, ficava acordado a organizar as notas e a tirar conclusões daquilo que tinha descoberto, sempre com a sensação ansiosa de que não tinha feito o suficiente, até adormecer num sono agitado, apenas para acordar e repetir tudo no dia seguinte. De qualquer forma, é assim que levo a minha vida — por isso, foi bastante divertido.
“O Porto é o meu verdadeiro amor neste país”
P – Houve alguma cidade onde sentiu necessidade de voltar novamente, antes de concluir o livro?
R – Sim, algumas. Muitas vezes, voltava para casa e monopolizava o tempo da minha mulher enquanto lhe explicava em detalhe o que tinha descoberto na minha última viagem, e depois arrastava-a — e, por vezes, arrastava amigos também — de volta aos locais para lhes mostrar tudo pessoalmente. Fátima, Tomar, Marvão, Mafra, a Serra da Estrela e, mais ou menos, todo o canto nordeste do país, já me puxaram de volta mais do que uma vez. Fátima pelo espetáculo que é, Tomar pelo seu encanto, Marvão pela experiência dramática de pernoitar dentro de uma fortaleza no alto de um penhasco, Mafra para mostrar aos amigos — muitas vezes a caminho da Ericeira — o Palácio que quase levou o país à falência, e a Serra da Estrela, que adoro pelas caminhadas e pela paisagem.
Mas é o Norte que me chama. O Porto é o meu verdadeiro amor neste país, e as pequenas cidades à volta — como Amarante, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima, Monção — exalam todas um charme sofisticado. E parecem ligeiramente menos descaracterizadas pelo boom do turismo que se vive no país.
P – Em vários momentos, sentimos que está deslumbrado e espantado com o peso da história, e leva o leitor em sucessivas viagens no tempo. É seguro dizer que aquilo que mais o inspirou a escrever sobre Portugal é a sua história?
P – Sim. Começaria por dizer que a história de muitos países é verdadeiramente impressionante, especialmente a dos países europeus, que foram palco de tanto movimento humano e de mudanças profundas ao longo do tempo — tanto violentas como triunfantes. Mas, no caso de Portugal, há uma dimensão adicional: sendo um país unificado há tanto tempo — ao contrário, por exemplo, de Espanha, Itália ou Alemanha —, existe uma continuidade histórica mais coesa. E isso torna a experiência ainda mais gratificante.
Há muitas vezes queixas, tanto por parte de estrangeiros como de portugueses, sobre como o país não funciona como deveria. Mas basta parar por um momento, olhar à volta para os ambientes construídos que nos rodeiam e perceber que há uma razão para estarmos aqui — e essa razão nasce da história do país. Uma história desproporcional ao seu tamanho geográfico — objetivamente pequeno —, o que, por si só, torna essa história ainda mais inspiradora.
“O meu livro centra-se na reinterpretação da história do país”
P – Mais do que um guia de viagens, este livro impõe-se como um itinerário pessoal, da sua própria descoberta do país, com as suas impressões. Mas há também diversos locais por onde passa em que a sua atenção se centra sobretudo na arqueologia do lugar. Ou seja, a sua atenção parece mais focada no passado do que no presente. Concorda?
P – Há muitos lugares que visito que são apenas sombras do que foram em tempos. Muitas vezes, vilas e aldeias no interior que, outrora cheias de vida e atividade, são agora locais tranquilos habitados sobretudo por pessoas idosas. Trata-se de um fenómeno global, mais do que exclusivamente português, à medida que as populações se concentram cada vez mais nas cidades. Por isso, nesse sentido, sim — o passado é muitas vezes mais entusiasmante do que o presente.
E claro, o meu livro centra-se na reinterpretação da história do país, pelo que o foco recai naturalmente sobre o passado. No meu quotidiano, contudo, especialmente no que diz respeito a Lisboa e ao Porto, o meu olhar está totalmente virado para o futuro — para onde a mudança que está a acontecer em Portugal é cada vez mais evidente.
P – É muito curioso como, ao dividir a sua viagem por regiões (Norte, Centro, Algarve), o livro contém uma seção autónoma para o Oceano – ou seja, os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Para um neozelandês, como foi este contacto de um insular com as ilhas portuguesas?
R – Estando num canto remoto do mundo, onde somos cercados a oeste por uma nação de bêbados (os australianos), os nossos destinos de viagem mais confortáveis e próximos são as Fiji e as Ilhas Cook, que consideramos verdadeiras ilhas. Tudo isto para dizer que nós, neozelandeses, muitas vezes esquecemo-nos e não nos consideramos realmente ilhéus. Dito isto, o que achei fascinante foi o quão semelhante a natureza dos Açores era à da Nova Zelândia, possivelmente porque se situam em latitudes muito semelhantes (embora opostas).
Na primeira vez que visitei as ilhas, levei comigo uma amiga que tinha crescido numa quinta no extremo norte da Nova Zelândia, e ela ficou maravilhada ao apontar flores nos Açores que o pai lhe tinha dito que só existiam na Nova Zelândia. Mas o mais notável são as árvores Pohutukawa, que para um neozelandês são quase emblemáticas do país. Foi, por isso, com alguma surpresa que as vi alinhadas nas ruas de Ponta Delgada. Descobri que tinham sido introduzidas nos Açores no século XIX.
A primeira vez que viajei para a Madeira, em 2018, quando o único escritório do SEF que os meus advogados conseguiram encontrar com disponibilidade estava lá, e conduzi até à ponta oeste, ficando sobre falésias que mergulhavam abruptamente num oceano revolto, senti-me mesmo isolado. Houve uma altura — há cerca de dez anos — em que Portugal parecia exótico. E dar esse passo extra de apanhar um avião regional e voar durante três horas sobre um oceano azul para chegar à ponta do país, parecia ainda mais exótico. Agora há um Starbucks na ilha.

P – Quando nos apresenta Lisboa, fala sobretudo da cidade que encontrou quando ainda estava a descobrir o país, antes de decidir mudar. Como apresentaria a Lisboa de hoje?
R – Uma cidade que está agora no mapa. Desejada por investidores internacionais, viajantes e imigrantes. Desejada pelas mesmas razões que me trouxeram até cá. Uma cidade banhada por luz solar e com uma temperatura amena durante todo o ano, construída com edifícios decorados em estilo barroco do século XIX que – graças à topografia da cidade – oferece ao olhar vistas em camadas, estimulantes e únicas, e rodeada pela natureza à distância de apenas 45 minutos em qualquer direção. Segura, bonita e soalheira, e uma porta de entrada para esse continente europeu (agora) iluminado.
Contudo, é uma cidade que mudou significativamente desde a minha chegada, em grande parte devido a esses mesmos novos investidores, viajantes e imigrantes. Uma cidade que agora ostenta comodidades cosmopolitas para servir uma população igualmente cosmopolita. Mas uma cidade que também começa a dar sinais de estar a ceder sob o seu próprio peso. Com pressão sobre o sistema de saúde, sobre a educação e, acima de tudo, sobre a habitação. Passar de 0 a 100 no espaço de uma década revelou-se demasiado rápido para os governos, tanto a nível nacional como municipal, que têm reagido lentamente aos desafios de integrar tantos imigrantes e à necessidade urgente de aumentar a construção de habitação.
A cidade de hoje apresenta novas oportunidades — especialmente no que toca ao emprego e até a encontrar um parceiro, dado o fluxo constante de novas pessoas a chegar — talvez os dois aspetos mais importantes da vida. Mas também traz novos desafios. Sobretudo no acesso à habitação.
Lisboa corre o risco de se tornar vítima do seu próprio sucesso, e caberá aos governos e aos seus cidadãos traçarem o rumo certo.
“A exploração do lítio representaria receitas enormes para Portugal”
P – Num epílogo muito breve, mas claramente muito pensado, há um horizonte de esperança, onde toca a juventude, a criatividade e, sobretudo, o crescente interesse dos estrangeiros por Portugal. Não só os que vêm em Turismo, mas aqueles que aqui decidem ficar – e não apenas sazonalmente. Pensa que Portugal continua a ser pleno de potencial?
P – Até há pouco tempo, Portugal era um dos países mais pobres da Europa Ocidental — se não mesmo o mais pobre. Nos últimos tempos, tornou-se um dos que mais crescem. Para o bem ou para o mal, os aeroportos do país estão sobrelotados. A taxa de desemprego está em mínimos históricos, o governo apresentou um excedente orçamental ao mesmo tempo que baixou impostos, o setor da construção está em expansão e os salários reais (ajustados à inflação) estão a crescer rapidamente. Muito disto deve-se ao facto de o país ter sido “descoberto”, por assim dizer. Descoberto por mais de um milhão de novos residentes estrangeiros só nos últimos seis anos, que trouxeram consigo ideias, empreendedorismo, capital…
Mas chegaram numa altura em que os “frutos estavam mais baixos”. Ainda há frutos hoje, mas estão mais difíceis de alcançar — embora provavelmente com recompensas maiores. Frutos que permitirão a Portugal libertar-se da sua economia de baixos salários e começar a gerar riqueza real, encerrando finalmente o fosso entre a nossa economia e a dos nossos parceiros mais ricos da União Europeia.
Ligar a nossa rede elétrica ibérica à rede europeia mais alargada, ligar o comboio de alta velocidade a Espanha, investir nas infraestruturas — incluindo a expansão do aeroporto do Porto e o arranque da construção do segundo aeroporto de Lisboa. Concluir as novas linhas de metro e continuar a sua expansão tanto em Lisboa como no Porto. E, algo cuja oposição me incomoda particularmente, aprovar as minas de lítio no país.
Nasci na Nova Zelândia, mas cresci na Austrália — um país com uma população não muito maior do que a de Portugal, mas também um dos países mais ricos do mundo graças ao desenvolvimento das suas riquezas minerais. E um país com uma qualidade de vida excecional por essa mesma razão. Portugal possui a maior reserva de lítio da Europa. Com lítio suficiente para alimentar as baterias de 500 mil a 1 milhão de carros elétricos por ano.
Pondo de parte os benefícios estratégicos que traria à Europa, e os benefícios ambientais que traria ao mundo através da mobilidade elétrica, a exploração do lítio representaria receitas enormes para Portugal. Receitas significativas a serem partilhadas e investidas numa população relativamente pequena de 10,5 milhões de pessoas.
Receio que Portugal sofra, mais do que muitos outros países, da maldição moderna do século XXI que é o NIMBYismo (“Not In My Back Yard” — “Não no Meu Quintal”). Mas, se houver vontade política para ultrapassá-lo, acredito que é precisamente aí que reside a próxima grande oportunidade — o novo potencial — de Portugal.
(Re)Discovering Portugal: Meet the Tugas – Interview with the Author Christopher L. Jones | by Paulo Serra
Meet the Tugas, by New Zealand author Christopher L. Jones, is now available in two versions. The portuguese publisher Clube do Autor has just released, simultaneously, two editions of the book: one in Portuguese and one in English.
It is important to note that this is not a bilingual edition, but rather two separate books, each published in a different language. For this reason, in this edition of Cultura.Sul, we have opted to conduct an interview with the author in English, which will be shared in its original form on our website, while the Portuguese translation can be read in the printed supplement.
This book offers a unique perspective on our country and our people, portrayed by someone who, over the course of three years, travelled thousands of kilometres on foot, by car, by plane, and by ferry through every corner of Portugal.

PhD in Literature from UAlg
and Researcher at the Center for Research in Arts and Communication (CIAC)
A fun read, given the author's irreverent humor, and interesting both for those visiting the country and wanting to know more, and for those who live here and take it for granted
The author spent countless hours in conversation (at times also with himself), imagining, recreating, listening, and discovering the spirit and history of our country. The book stands as a testament to his love for a country he chose, some years ago, to be his new home. But it is also a critical—and important—reading of Portugal, as it comes from someone viewing the country from the outside. It is an entertaining read, thanks to the author’s irreverent humour, and one that will interest both visitors keen to learn more and locals who may take their own country for granted, offering an opportunity to explore its history, culture, and curiosities. From the very first pages, it is clear the author is a true enthusiast of Portuguese history.
Meet the Tugas is a long journey through space and time “across a sun-kissed nation, scarred by battles, lined with docked ships and overflowing with wine, seen through the eyes of a traveller seeking to understand its heart and soul. A book to discover the glory, the tragedy, the pitfalls, and the triumphs that are, at times secretly, engraved in the land, in its buildings, and in its people.”
The volume is divided into several regions or locations, including: the North (The Cradle of Portugal), the Centre (Land of Knights among Forests), the Ocean (Europe is already conquered and far too small), the Alentejo (Vast, Flat, and Spiced with Legends and Castles), the Algarve (The Curse of Popularity), and finally Lisbon (Colour and Beauty. Lightness and Light).
During his time in the Algarve, the author focuses mainly on the major cities — Faro, Lagos, and Portimão. Perhaps in a future work the author will explore the interior of the Algarve, such as Monchique and Caldeirão mountain ranges.
Christopher L. Jones is a European soul trapped by birth in the body of a New Zealander—a professional flâneur (as well as entrepreneur and real estate investor) who has turned his passion for travelling and wildly speculating about everything into two travel narratives.
He currently resides in Lisbon with his English wife and Portuguese son.

Q – Christopher, you are currently living in Portugal, more specifically in Lisbon, with your wife and son. How did you end up here?
R – Every time my 16-month-old screams and throws his plate on the floor, I ask myself the same question. But how I ended up in Lisbon was that I visited in 2016 while working for a UK company that was looking to setup an office here. We didn’t in the end, and two years later having left the company, I came back to start afresh. I am in the commercial property industry, and I could sense a shift taking place as Lisbon matured into an international city and could sense the opportunity that came with that.
There’s a shift taking place in parts of, amongst others, Kazakhstan too. But having travelled extensively through Central Asia – indeed I wrote a book about it – I can tell you now, that you won’t be able to sit down surrounded by a cosmopolitan crowd, watching the sun set between baroque decorated 19th century buildings, drinking inexpensive yet tasty wine, being serenaded by a fado singer. Lisbon seemed too good to be true.
Admittedly the tax advantages of moving here were attractive. But that was a mere lubrication of my move to the country. The opportunity and gentle beauty would have pulled me here regardless.
Q – Although there are no dates mentioned, when reading the narrative of this journey through the country, from North to South, it feels like a diary. Can you tell us how long this adventure lasted?
R – Four years. I have two companies in Portugal which demand my attention and start shouting at me through my bank balance if I don’t give it to them, so I had to steal time for many short 3–7-day trips. I’d plan intense 3 day-7-day itineraries almost down to the hour and neurotically march like a metronome through the streets of wherever I was visiting, jotting down notes, taking photos, visiting as many sights and museums as was feasible. I’d stay up each night in whatever hotel I found myself in, collating my notes and drawing conclusions from what I’d discovered, anxiously feeling as if I hadn’t done enough, before falling into a fitful sleep, only to wake up and do it over again. I lead my life this way anyway, so it was a lot of fun.

Q – Was there any city with which you felt the need to return, before finishing the book?
R – Yes, a few. Often, I’d return home and monopolise my wife’s time as I explained in detail what I’d discovered on my latest trip and then drag her and sometimes friends back to show them myself. Fatima, Tomar, Marvao, Mafra, Serra Estrela and more or less the entire north eastern corner of the country, have pulled me back more than once. Fatima for the spectacle of it all, Tomar for its charm, Marvao for the drama of staying inside a fortress perched high atop a rocky outcrop, Mafra to show friends, often on the way to Ericeira, the Palace that almost bankrupted the nation, and Serra Estrela which I love for its hiking and scenery. But the north calls to me. Porto is my true love in this country, and the surrounding small towns like Amarante, Arco de Valdavez, Ponte de Lima, Monçao all exude a sophisticated charm. And feel slightly less scathed by the tourism boom in this country.
Q – At several points, the reader may feel you are in awe, astonished even, by the weight of history, as you also take us on successive journeys through time. Is it fair to say that what inspires you most about the country is its history?
R – Yes. I would preface this by saying the history of many countries is awe inspiring, especially those in Europe which has been the site of so much human movement and developmental change over time, violent and triumphal. Though having been a unified country for so long, unlike say Spain, Italy or Germany, there is an added dimension of it being a more consistent Portuguese history. That’s what makes it enjoyable. There is often grumbling from both expats and the Portuguese about how the country doesn’t work the way it should, but one just has to pause and look at the built environments around them and realise there’s also a reason why they live here, and that reason is born from the country’s history. An oversized history for what is an objectively geographically small country, which almost by default makes that history inspiring.
Q – More than just a travel guide, this book comes across as a personal itinerary, reflecting your own discovery of the country, along with your impressions. But there are also several places you visit where your attention seems to focus mainly on the archaeology of the site. In other words, your interest appears to be more centered on the past than the present. Would you agree?
R – There are many places I visit that are mere shadows of their former selves. Often towns and villages in the interior, where once they were bustling hives of activity, are now sleepy homes to the elderly. Which is a global phenomenon rather than a Portuguese one, as people concentrate themselves increasingly in cities. So, in that instance, yes, the past is much more exciting than the present. And of course, my book is about retelling the history of the country, so naturally the focus will be on the past. With my own day to day considerations though, and in relation to Lisbon and Porto, my focus is absolutely on the future where the change taking place in Portugal is so much more conspicuous.
Q – It’s very interesting that, while dividing the journey by regions (North, Centre, Algarve), the book contains a separate section dedicated to the Ocean – in other words, the archipelagos of the Azores and Madeira. For a New Zealander, how does an islander feels when discovering the Portuguese islands?
R – Being in a distant corner of the globe where we are hemmed in on our west by a nation of drunks (Australians), our only travel destinations in comfortable reach are Fiji and the Cook Islands, which we consider to be true islands. All of which is to say we New Zealander’s often forget and don’t really regard ourselves as islanders. With that being said, what I did find fascinating was how similar the Azores nature was to that of New Zealand, possibly because they sit in very similar (albeit opposite) latitudes. The first time I visited the islands, I took a friend of mine who had grown up on a farm in the very north of New Zealand. And who was astounded as she pointed out flowers in the Azores that her father had once told her only existed in New Zealand. But most notably are the Pohutukawa trees which are – to a New Zealander – almost emblematic of our country. So, it was with some surprise to have seen them lining the streets of Ponta Delgada. I discovered, they’d been introduced to the Azores in the 19th century.
The first time I travelled to Maderia though, in 2018 when the only SEF office my lawyers could find with an availability, and drove to its western tip, standing above cliffs that dropped steeply into a crashing ocean, I did feel very isolated. There was a time – roughly ten years ago – when Portugal felt exotic. And taking that extra step of jumping onto a regional airline and flying across a blue ocean for three hours to get to the edge of the nation, felt more exotic still. Now there’s a Starbucks on the island.

Q – When you introduce us to Lisbon, you mostly talk about the city as you first encountered it, while still discovering the country, before deciding to move here. How would you present Lisbon today?
R – A city that is now on the map. That is desired by international investors, travellers and immigrants. Desired for the same reason as it was for me. A city bathed in sunlight and comfortable temperature year-round, constructed with 19th century baroque-decorated buildings that – owing to the city’s topography – presents the viewer with stimulating layered vistas, and surrounded by nature a mere 45 minute in all direction. Safe, beautiful and sunny, and an entry point into that (now) enlightened European continent. Though a city that has changed significantly since I first arrived, largely owing to those new investors, travellers and immigrants. A city that now boasts cosmopolitan amenities servicing a cosmopolitan populace. But a city that also is beginning to show signs of struggle under its own weight. With pressure on its health care, on its schooling and most of all on its housing. Going from 0 to 100 in the space of decade has proven too quick for both the country’s and the municipal governments to keep up with, only slowly catching on to the challenges of processing so many immigrants, only slowly catching on to the need to ramp up house building.
The city of today presents both new opportunities, especially in the aspects of jobs and indeed in finding a partner as so many new people arrive – perhaps the two most important aspects in one’s life, and new challenges. Principally in finding a house.
Lisbon is at risk of becoming a victim of its own success, and it will be up to the governments and their constituents to chart the appropriate course.
Q – In a very brief, yet clearly well-thought-out epilogue, there is a horizon of hope, where you touch on youth, creativity, and above all, the growing interest of foreigners in Portugal. Not only those who come as tourists, but also those who choose to stay – and not just seasonally. Do you think Portugal still holds great potential?
R – Not that long ago, Portugal was one of, if not the, poorest country in Western Europe. In recent times it has become one of the fastest growing. For better or worse, the country’s airports are overflowing. The unemployment rate is at historic lows, the government has shown a budget surplus while dropping taxes, the construction industry is booming, and the real wages (adjusted for inflation) are rising fast. A lot of this owes to the country being “discovered”, as it were. Discovered by over a million new foreign residents in the past six years alone who have brought with them ideas, entrepreneurship, money… But they were arriving when there the fruit to pick hung much lower.
There is still fruit today, but its much harder to reach, though likely comes with a higher reward. A fruit that will allow Portugal to shed its low wage economy, and start focusing on generating real wealth, in which we finally close the gap between our economy and that of our richer EU peers.
Connecting our Iberian grid to the wider European grid, connecting high speed rail into Spain, building out our infrastructure including expanding Porto airport, and finally starting work on Lisbon’s second. Finishing the new metro lines and continuing their expansion in both Porto and Lisbon. And, something whose opposition particularly irks me, approving the lithium mines in this country. I was born in New Zealand but grew up in Australia. A country with not that many more people than Portugal’s, yet one of the richest nations in the world owing to the development of its resource wealth. And a country with an exceptionally high standard of living because of it. The largest lithium deposit in Europe exists in Portugal. With enough lithium to power the batteries of 500,000-1m electric cars a year. Putting aside the strategic benefits this brings Europe, putting aside the environmental benefits this brings the world through new electric vehicles, this would bring massive revenue to Portugal. Massive revenue to be shared and spent on a small population of 10.5 million.
Portugal suffers more than most, I fear, of that modern 21st century curse of NIMBYism. But if we have the political will to break through it, then that is where I believe the next opportunity, the new potential for Portugal will stem from.
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