Durante este domingo, 19 de julho, os cerca de 1.400 alunos que encontraram a indicação “suspenso” nas classificações dos exames do ensino secundário vão conhecer a nota obtida, depois de as escolas terem recebido novos ficheiros para corrigir a falha, anunciou o representante dos diretores.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, explicou que os estabelecimentos de ensino receberam ficheiros atualizados para resolver as situações em que, em vez de uma classificação entre 1 e 20 valores, surgia a palavra “suspenso”.
“As escolas receberam novos ficheiros, sobretudo para colmatar aquela falha de 1.400 situações em que, em vez de aparecer um algarismo de 1 a 20, uma classificação, aparecia a palavra suspenso”, afirmou.
Informação chega aos alunos de diferentes formas
Segundo Filinto Lima, cada escola está a definir a forma de comunicar as classificações aos alunos e às famílias. Alguns diretores estão a contactar diretamente os pais, enquanto muitos estudantes poderão consultar a nota através do programa Inovar.
“Durante o dia de hoje, esta situação será corrigida e os alunos terão conhecimento [da nota] de diversas formas, depende de cada escola, depende de cada diretor”, adiantou, referindo que “alguns estão a telefonar aos pais, a informar da alteração”.
“Quase todos estão com o programa Inovar e os alunos, através deste programa, têm logo acesso à sua classificação”, acrescentou.
O responsável disse que a informação transmitida aos diretores aponta para a resolução das 1.400 situações pendentes, substituindo a indicação “suspenso” pela respetiva classificação.
“Penso que esta situação da palavra suspenso vai ser, de facto, erradicada das pautas e, portanto, [para] todos os alunos, se não todos, o grosso, a situação irá ser regularizada”, salientou.
Alunos podem pedir reapreciação a partir de segunda-feira
Filinto Lima revelou que, no sábado, 18 de julho, muitos diretores já tinham enviado aos alunos cópias das provas em formato PDF, acompanhadas pelas respetivas classificações, para permitir uma primeira análise antes de um eventual pedido de reapreciação.
Os alunos poderão exercer esse direito a partir de segunda-feira, através de uma plataforma. O presidente da associação aconselhou-os a consultar rapidamente as provas e a avaliarem com atenção se pretendem avançar com o pedido.
Filinto Lima acredita que o número de reapreciações poderá “aumentar bastante este ano, em virtude da situação que, de facto, não foi nada pacífica”.
O responsável alertou, contudo, que o procedimento implica o pagamento de uma taxa e que a classificação também pode descer.
“Se reclamarem, se pedirem a reapreciação, além de terem de pagar uma taxa, a nota pode baixar. Portanto, é bom que os alunos tenham consciência disso”, afirmou.
Cada reapreciação custa 25 euros, valor que é devolvido ao requerente caso a nova classificação seja superior à inicialmente atribuída.
De acordo com o Despacho Normativo n.º 3/2026, de 23 de fevereiro, que regula as provas do ensino básico e secundário, os alunos dispõem de dois dias úteis após terem acesso à prova corrigida para apresentar o pedido.
“As provas não foram mal corrigidas”
Filinto Lima sublinhou que as falhas verificadas não estão relacionadas com a correção ou classificação das provas, mas com o funcionamento do processo.
“As provas não foram mal corrigidas. As provas nem foram mal classificadas”, garantiu, acrescentando que “o processo é que não ajudou”.
O responsável lembrou que os alunos poderão ter a expectativa de subir a classificação, mas alertou para a possibilidade de existir “aquela ilusão” de que os exames foram mal corrigidos.
Pela primeira vez, os exames nacionais do ensino secundário, realizados este ano por 166 mil alunos, foram corrigidos em formato digital. O processo registou falhas técnicas desde o início, levando o Ministério da Educação a adiar os prazos inicialmente previstos.
A.Pinto / HDF
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