Face aos problemas registados nos exames nacionais, José Luís Carneiro defendeu este domingo, 19 de julho, que o Governo pondere prolongar o prazo das candidaturas ao ensino superior e admita adiar por um ou dois dias a realização da segunda fase das provas.
Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do PS considerou urgente que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o Governo se reúnam com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas para encontrarem uma solução para o atual cenário de “instabilidade e de imprevisibilidade”.
Segundo José Luís Carneiro, continuam por resolver dúvidas relacionadas com as classificações suspensas, os pedidos de reapreciação das provas e a entrada no ensino superior.
“Neste momento, há ainda um quadro de grande imprevisibilidade e de instabilidade em relação aos termos em que os alunos conhecem as notas que se encontram suspensas, quanto ao pedido de revisão de provas e em relação ao processo de candidatura ao ensino superior”, afirmou.
Reunião urgente com reitores
O líder socialista defendeu que o Governo deve ouvir com urgência o Conselho de Reitores, de forma a assegurar a articulação entre as classificações dos exames e os prazos de inscrição nas instituições de ensino superior.
“Por um lado, é preciso conferir total fiabilidade às classificações e, por outro lado, é preciso dar tranquilidade às famílias e, igualmente, tranquilidade às instituições do ensino superior”, sustentou.
José Luís Carneiro acrescentou ser “muito relevante” que as instituições sejam ouvidas pelo primeiro-ministro e pelo Ministério da Educação, uma vez que é necessário garantir a ligação entre o ensino secundário e o superior.
A reunião, segundo o secretário-geral do PS, deverá servir para avaliar o prolongamento do período de candidatura, sem impedir que os alunos que já conhecem e têm validadas as suas classificações avancem com o processo na data prevista.
“Aqueles que têm as suas classificações já realizadas devem arrancar com as candidaturas, como está previsto, a partir de segunda-feira. Mas, do ponto de vista da segurança do processo, é desejável que possa haver prolongamento do prazo de candidaturas ao ensino superior”, explicou.
Adiamento da segunda fase também em cima da mesa
José Luís Carneiro admitiu igualmente um adiamento “por um ou dois dias” da segunda fase dos exames nacionais, por considerar que ainda não existe total segurança em torno das classificações atribuídas.
O líder do PS lembrou que alguns alunos vão pedir a reapreciação das provas e defendeu que um curto adiamento poderia dar mais estabilidade aos estudantes e às famílias.
“É desejável que possa haver um eventual adiamento, por um ou dois dias, pelo menos, para que este processo possa ser feito com segurança, com estabilidade, quer para os alunos, quer também para as próprias famílias”, afirmou.
Na sua perspetiva, esta solução permitiria maior segurança na divulgação das notas suspensas, daria mais tempo aos alunos para analisarem as classificações e prepararem eventuais pedidos de reapreciação e criaria melhores condições para a realização da segunda fase.
PS aponta desigualdade entre alunos
José Luís Carneiro considerou que os problemas no processo já criaram uma desigualdade entre os estudantes que conhecem as respetivas notas e aqueles que continuam sem acesso às classificações.
Os primeiros, observou, podem avançar com maior tranquilidade para a candidatura ao ensino superior, enquanto os restantes enfrentam um prejuízo pessoal e familiar devido a falhas que atribuiu ao Ministério da Educação e ao Governo.
“Com esta solução, cria-se uma almofada que vai aliviar a sobrecarga temporal que resultará dos pedidos de reapreciação de provas. Julgo que as instituições de ensino superior verão com bons olhos esta possibilidade”, concluiu.
A.Pinto / HDF
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