Foi no dia 1 de agosto que Espanha deixou temporariamente de ter soberania sobre uma pequena ilha situada junto à fronteira com França. Este território, considerado o ‘menor condomínio’ do mundo, passa agora para a administração francesa durante seis meses, até 31 de janeiro de 2026, cumprindo um acordo diplomático estabelecido há mais de 160 anos.
Falamos da Ilha do Faisão, um pequeno ilhéu fluvial no rio Bidasoa, na fronteira entre Irún, em Guipúzcoa, e Hendaye, em França. De acordo com o jornal La Razón, esta alternância de soberania acontece duas vezes por ano, de forma cerimonial e sem qualquer tensão fronteiriça.
O ato de entrega é conduzido pelos comandantes navais de San Sebastián e de Bayonne, com a presença dos presidentes de câmara de Irún e de Hendaye. Não há desfiles nem operações militares, apenas a assinatura de documentos que formalizam a transferência temporária do território.
Um enclave sem habitantes
A Ilha do Faisão tem apenas 6.820 metros quadrados e está coberta por vegetação. Segundo a mesma fonte, não existem construções permanentes, nem qualquer tipo de habitação ou atividade económica regular. O acesso é estritamente controlado e só é permitido em ocasiões especiais, como visitas oficiais ou dias do património, o que tem contribuído para a preservação do seu ambiente natural.
Escreve o jornal que esta pequena ilha foi palco de acontecimentos decisivos para a história europeia. Em 1659 recebeu as conferências que culminaram na assinatura do Tratado dos Pirenéus, pondo fim a décadas de conflito entre as coroas de Espanha e França. Um ano depois, os dois monarcas ratificaram o acordo no mesmo local, selado pelo casamento de Luís XIV com a infanta Maria Teresa da Áustria.
Um símbolo de cooperação duradoura
Acrescenta a publicação que, ao longo dos séculos, o ilhéu também serviu para trocas de prisioneiros e outros atos protocolares entre os dois países. Para evitar disputas locais, especialmente entre pescadores das duas margens, foi criado em 1856 o regime de condomínio que ainda hoje vigora, através do Tratado de Bayonne.
Refere a mesma fonte que, durante o período em que cada país detém a jurisdição, as responsabilidades resumem-se à manutenção e ao cuidado do espaço natural. Não existe uma presença humana regular, e a ilha permanece praticamente intocada ao longo do ano.
Uma curiosidade diplomática na Europa
Conforme o La Razón, este regime partilhado tornou-se um caso singular de cooperação diplomática. A cada seis meses, a entrega da ilha simboliza o respeito por acordos históricos e demonstra como fronteiras podem também ser espaços de entendimento. Para os habitantes locais, o momento é tradicional, ainda que discreto e longe do circuito turístico.
De salientar que a Ilha do Faisão é um lembrete de como pequenos territórios podem ter um peso histórico significativo. Hoje, o seu papel é sobretudo simbólico, mas continua a representar a persistência da paz entre dois países vizinhos e um modelo de diplomacia pouco comum.
Por fim, acrescenta a publicação que o ilhéu do Bidasoa permanece como um testemunho de cooperação internacional, em contraste com muitos conflitos territoriais modernos. Num espaço de apenas alguns milhares de metros quadrados, Espanha e França mantêm há gerações um acordo que sobreviveu ao tempo e que continua a ser respeitado.
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