A NASA está a avançar com o programa Artemis para regressar à Lua, mas o objetivo oficial já não é apenas repetir as missões do passado. Segundo a agência, a meta passa por estabelecer uma presença humana e robótica de longo prazo na Lua e usar essa experiência para preparar futuras missões a Marte.
O próximo passo é a missão Artemis II, apresentada pela NASA como o primeiro voo tripulado do programa Artemis à lua. A missão deverá levar quatro astronautas numa viagem em torno da Lua, testar pela primeira vez com tripulação o foguetão SLS e a cápsula Orion e servir de base para as etapas seguintes da exploração em espaço profundo. O lançamento está apontado para não antes de 1 de abril e a duração prevista é de cerca de 10 dias.
Novo calendário da NASA
Neste mês de março, a agência norte-americana atualizou a arquitetura do programa e confirmou uma mudança relevante. A Artemis III, agora prevista para 2027, deixará de ser apresentada como a primeira aterragem lunar tripulada desta fase e passará a centrar-se em testes de sistemas e de capacidades operacionais em órbita baixa da Terra, incluindo manobras de encontro e acoplagem com um ou ambos os módulos comerciais de aterragem desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin.
De acordo com a mesma atualização oficial, a Artemis IV ficou apontada para o início de 2028 e será uma missão de alunagem tripulada. A NASA diz que dois membros da tripulação deverão descer à superfície perto do polo sul lunar, onde passarão cerca de uma semana a realizar observações, recolher amostras e conduzir trabalho científico antes de regressarem à órbita lunar.
A escolha do polo sul não é casual. A agência identificou nove regiões candidatas para a Artemis III, todas nessa zona da Lua, e explica que se trata de uma área com elevado interesse científico, incluindo terrenos nunca explorados por missões tripuladas e regiões permanentemente sombreadas que poderão conservar recursos como água.
Infraestruturas e tecnologia
A agência também está a apoiar uma infraestrutura mais permanente para operações lunares. Nos materiais oficiais do programa, a NASA refere que quer usar novas tecnologias, parceiros comerciais e internacionais e sistemas capazes de sustentar uma presença duradoura na Lua.
Entre esses meios estão os módulos de aterragem humana, os fatos espaciais, os sistemas de comunicações e navegação e o Lunar Terrain Vehicle, um veículo lunar que poderá transportar astronautas, carga e instrumentos científicos, além de poder ser operado remotamente entre missões.
Outro eixo do programa é o CLPS, iniciativa através da qual a NASA compra serviços a empresas para enviar instrumentos científicos e tecnológicos para a superfície lunar. Segundo a própria agência, estes voos servem para testar tecnologia, integrar sistemas e recolher dados que possam apoiar futuras missões tripuladas e uma presença humana de longo prazo.
O que mudou na estratégia
Num anúncio oficial de 24 de março, a NASA disse ainda que, depois da Artemis V, quer recorrer a mais hardware comercial e reutilizável para tornar as missões tripuladas à superfície lunar mais frequentes e mais acessíveis.
Na mesma comunicação, a agência afirmou que pretende seguir uma abordagem faseada para construir uma base lunar e que tenciona pausar o Gateway na sua forma atual para concentrar recursos em infraestruturas de superfície.
Assim, o quadro oficial aponta para uma transição clara: primeiro, testes com tripulação e validação dos sistemas; depois, regresso à superfície lunar; a seguir, missões mais regulares, com apoio de tecnologia comercial, veículos reutilizáveis e infraestrutura pensada para operações prolongadas. É essa a base que a agência diz querer usar para sustentar a presença humana na Lua e preparar o caminho para Marte.
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