Um cidadão britânico viveu uma situação inesperada ao regressar de férias e encontrar quatro multas de estacionamento no para-brisas do seu carro, todas relacionadas com a ocupação de um lugar reservado a pessoas com deficiência. O caso relatado pelo canal de notícias britânico BBC ocorreu no Reino Unido e levantou dúvidas sobre procedimentos das autoridades locais e falhas de comunicação com os residentes.
Antes de viajar, o proprietário deixou o veículo estacionado numa zona sem qualquer restrição especial. Durante a sua ausência, o local foi transformado num lugar de estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida, sem que o carro fosse removido ou o dono notificado da alteração.
A situação só se tornou clara quando o homem teve acesso às imagens de videovigilância da rua, que mostravam o momento exato em que a sinalização foi criada em redor do automóvel já estacionado.
Lugar alterado sem aviso prévio
De acordo com a mesma fonte, as câmaras de vigilância de New Addington, a sul de Londres, registaram todo o processo de transformação do estacionamento no dia 17 de outubro. As imagens mostram um trabalhador a medir a área e a pintar, passo a passo, as marcas de um lugar reservado à volta do carro. Após concluir o trabalho, o funcionário abandonou o local, sem que o veículo fosse deslocado ou deixada qualquer notificação visível para o proprietário, que se encontrava fora do país.
Quatro dias depois, a 21 de outubro, uma funcionária da autoridade responsável pela fiscalização identificou o veículo estacionado num lugar de deficientes e emitiu a primeira multa. No dia seguinte, regressou e voltou a assinalar a infração. A publicação acrescenta que este procedimento se repetiu até o regresso do proprietário, acumulando um total de quatro multas, duas das quais desapareceram entretanto do para-brisas, retiradas por um desconhecido.
A reação do proprietário durante as férias
À BBC, o dono do carro explicou que acompanhou a situação à distância, através das imagens de videovigilância, o que acabou por afetar o seu descanso. “Eu deixei de querer sair e de fazer as coisas que eu queria fazer, porque estava preocupado com a quantidade de multas que se estavam a acumular”, afirmou.
O homem, que optou por manter o anonimato, disse compreender a necessidade de criar lugares reservados, mas criticou a ausência total de comunicação por parte das autoridades locais.
Críticas públicas e resposta das autoridades
Refere a mesma fonte que o caso ganhou visibilidade nas redes sociais, onde alguns residentes acusaram o proprietário de ter estacionado deliberadamente num lugar para pessoas com deficiência. Para contrariar essa perceção, decidiu divulgar o vídeo que mostrava a criação do estacionamento à volta do carro.
“Deixou-me muito transtornado. Eu só pensei: ‘Porque é que estão a olhar para mim como se eu fosse o mau da fita?’”, confessou, explicando que a situação resultou de um mal-entendido.
Em resposta, o governo local justificou que é um procedimento habitual delimitar estes lugares mesmo com carros estacionados, evitando atrasos que poderiam durar semanas. As autoridades reconheceram, no entanto, uma falha interna de comunicação, garantindo que as multas nunca chegaram a ser processadas e foram canceladas antes da divulgação pública do vídeo.
















