Confiar demais na tecnologia pode ‘sair caro’, sobretudo quando o que está em jogo é a ‘carteira’, e a pontuação da carta. Um novo estudo europeu revela que muitos condutores que usam apps de navegação com alerta de radares, como o Waze, têm mais multas por excesso de velocidade do que quem conduz ‘à moda antiga’.
Num contexto em que milhões de portugueses usam diariamente o Waze ou o Google Maps, esta conclusão levanta novas dúvidas sobre até que ponto estas ferramentas ajudam ou distraem.
Um quarto dos condutores foi multado. Mas há um padrão
De acordo com o estudo realizado nos Países Baixos e citado pelo Le Journal du Net, 25% dos automobilistas receberam pelo menos uma multa de velocidade no último ano.
Entre os que usam aplicações como o Waze, esse número sobe, e muito.
Segundo os dados, 42% dos homens que usam este tipo de apps foram multados, enquanto entre os que não usam a percentagem desce para 19%. Uma diferença que não passou despercebida aos investigadores.
Um ‘pé mais leve ou mais atrevido’?
A explicação pode estar num fenómeno simples: o efeito psicológico de ter um “olho digital” no bolso.
Ou seja, ao confiar que a app vai avisar quando há radar à frente, o condutor tende a acelerar mais, sentindo-se protegido.
Mas se o alerta falha, ou chega tarde, o resultado é uma multa, sem apelo nem agravo.
Especialistas citados no estudo alertam: “a confiança excessiva nestes sistemas pode levar a comportamentos mais arriscados, sobretudo quando se ignora o facto de que nem todos os radares estão sinalizados pelas apps”.
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Quando o Waze o deixa mal
O sistema de alertas comunitários, base do Waze, depende de utilizadores que assinalem os radares. Mas nem sempre há tempo, rede ou intenção de o fazer.
E isso significa que pode estar a conduzir confiando num aviso que nunca vai aparecer.
Em França, por exemplo, essa prática nem sequer é legal. É o único país europeu que proíbe explicitamente a sinalização de radares móveis em apps. E por cá? A lei permite, mas o risco continua a ser seu.
O que dizem os especialistas?
Para quem pensa que este tipo de tecnologia é imune a falhas, o aviso é claro: “é melhor reduzir a velocidade por razões de segurança, e não porque o Waze mandou”.
A frase é de um analista de risco de uma seguradora europeia, que participou na elaboração do estudo.
O Le Journal du Net sublinha que, embora o Waze e o Google Maps possam ser úteis, não devem substituir o bom senso nem a atenção ao volante.
O alerta final (que vale mais que um aviso de radar)
Reduzir a velocidade quando há dúvida continua a ser o melhor conselho. As multas por excesso de velocidade não só pesam na carteira como podem levar à perda de pontos ou à inibição de conduzir. E a app? Pode até avisar, mas não o vai livrar da carta registada a chegar a casa.
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