Os roubos de catalisadores em automóveis têm vindo a aumentar nos últimos anos e já se tornaram um problema frequente em várias regiões de Espanha. Esta peça, integrada no sistema de escape, é um alvo apetecível para os ladrões por conter metais preciosos cujo valor no mercado disparou.
De acordo com o site Motor Pasión, site espanhol especializado em automóveis e mobilidade, os catalisadores são relativamente fáceis de retirar e, no caso de veículos estacionados na via pública ou em parques pouco vigiados, tornam-se um alvo preferencial.
A reposição, além de cara, pode ser complicada, sobretudo em modelos mais antigos, e em muitos casos o seguro não cobre o prejuízo. Sem o catalisador, o carro fica inoperacional, já que não cumpre as normas de emissões em vigor.
Metais preciosos escondidos no escape
O catalisador, também conhecido como conversor catalítico, é responsável por reduzir os gases poluentes resultantes da combustão do motor. Visualmente, parece uma caixa metálica incorporada na linha de escape. No interior, contém um bloco cerâmico revestido com metais como o platino, o paládio e o ródio.
Segundo o Motor Pasión, são precisamente estes metais que explicam o interesse dos criminosos. Atualmente, o preço do paládio ronda os 70 euros por grama, o platino cerca de 30 euros e o ródio pode atingir os 500 euros por grama. Valores que justificam o crescimento deste tipo de crime, muito acima da procura causada pela escassez de componentes.
A seguradora Mapfre revelou ao jornal 20minutos, jornal diário espanhol, que entre janeiro de 2021 e agosto de 2022 foram registados mais de 3.600 processos relacionados com roubos de catalisadores. Só nesse período, o número de ocorrências aumentou de forma significativa.
Situação em Portugal
Em Portugal também se têm registado casos recentes. A PSP deteve em Lisboa no mês de agosto três homens com vários catalisadores furtados encontrados no veículo, segundo noticia o Correio da Manhã.
Em Tomar, foram denunciadas múltiplas ocorrências de roubo de catalisadores, inclusive em parques de estacionamento do hospital, conforme relato do jornal regional português O Mirante. Em Águeda, foi furtado um catalisador durante a tarde em zona central da cidade, de acordo com o Notícias de Águeda, jornal regional português.
Vale notar que, segundo um artigo da Caetano Auto, grupo empresarial ligado ao setor automóvel, estima-se que sejam roubados cerca de 20 catalisadores por dia em Portugal, e esse tipo de crime já estava em alerta entre PSP e GNR desde 2021, face ao aumento da valorização dos metais raros como o ródio, platino e paládio.
SUV no topo da lista dos alvos
As forças de segurança espanholas têm também dado o alerta. A Ertzaintza, polícia do País Basco, refere que em apenas um ano os roubos aumentaram 20%, segundo o jornal El Correo, jornal regional espanhol sediado em Bilbau.
Em Valência, a situação é semelhante, com várias detenções relacionadas. A Cadena Ser, rádio generalista espanhola, noticiou recentemente a detenção de dois indivíduos em Jerez de la Frontera, acusados de roubar quatro catalisadores avaliados em cerca de mil euros.
O Motor Pasión sublinha que os SUV e os veículos todo-o-terreno estão entre os mais visados. A maior altura ao solo destes carros facilita a remoção da peça e, além disso, os catalisadores são maiores e mais valiosos. Como este segmento está em crescimento, criou-se o ambiente ideal para o aumento de furtos.
Ainda assim, a idade e a mecânica também influenciam. A Ertzaintza indica que automóveis com mais de 12 anos e modelos híbridos estão a ser frequentemente atacados. Os roubos não acontecem apenas em carros estacionados na rua: há registos em parques de empresas de aluguer e até em desmantelamentos ilegais.
Modus operandi rápido e eficaz
O método utilizado é relativamente simples e requer normalmente duas ou três pessoas. Um dos indivíduos levanta o carro, outro retira a peça e um terceiro vigia. Todo o processo pode demorar apenas alguns minutos, o que torna difícil a prevenção.
Nos Estados Unidos também se registou uma onda de roubos semelhante, com uma rede criminosa detida recentemente depois de acumular catalisadores avaliados em mais de um milhão de dólares.
A tendência, conclui o Motor Pasión, mostra que este tipo de crime vai continuar a crescer enquanto o valor dos metais preciosos mantiver níveis elevados, colocando cada vez mais proprietários em risco de ver o seu carro parado e a carteira mais leve.
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