Aos 63 anos, Lena decidiu fazer algo que durante décadas tinha ficado adiado: tirar a carta de condução. A decisão surge numa fase da vida em que muitas pessoas acreditam que já é tarde para enfrentar um desafio desta dimensão. No entanto, especialistas garantem que a idade, por si só, não impede ninguém de aprender a conduzir nem de obter habilitação legal para o fazer.
De acordo com o Notícias ao Minuto, que cita o CNS Lisboa, centro especializado na avaliação e reabilitação psicológica de condutores, não existe em Portugal qualquer limite legal de idade para iniciar o processo de obtenção da carta de condução. A aptidão para conduzir depende antes da capacidade física, cognitiva e psicológica de cada pessoa, fatores que são avaliados antes e durante o processo de licenciamento.
Nunca é tarde para aprender
A condução é uma atividade exigente, que obriga à integração permanente de informação visual, auditiva e motora. Exige capacidade de atenção, rapidez de reação, coordenação de movimentos e tomada de decisões em frações de segundo. Embora o envelhecimento esteja naturalmente associado a um declínio gradual de algumas destas capacidades, isso não significa que uma pessoa mais velha esteja automaticamente impedida de conduzir ou de aprender a fazê-lo.
O caso de Lena é apontado como um exemplo de que a mobilidade pode continuar a ser uma prioridade em qualquer fase da vida. Para muitas pessoas mais velhas, a possibilidade de conduzir representa muito mais do que um meio de transporte. Significa autonomia, independência e liberdade para manter rotinas, visitar familiares, participar em atividades sociais ou resolver tarefas do dia a dia sem depender de terceiros.
A importância da mobilidade na idade sénior
Esta realidade ganha particular importância em zonas onde a oferta de transportes públicos é limitada ou insuficiente. Nesses contextos, possuir carta de condução pode fazer a diferença entre uma vida ativa e uma situação de maior isolamento social. A mobilidade é hoje considerada um dos fatores mais relevantes para a manutenção da qualidade de vida durante o envelhecimento.
A avaliação da aptidão para conduzir em idades mais avançadas é feita através de exames médicos periódicos previstos na legislação. Entre os aspetos analisados encontram-se a visão, a audição, a funcionalidade dos membros, a força física e a eventual presença de doenças que possam afetar a segurança rodoviária, como patologias neurológicas, cardiovasculares ou diabetes.
Como é avaliada a capacidade para conduzir
Além das avaliações médicas, existem situações em que pode ser recomendada uma avaliação psicológica especializada. Estes exames procuram analisar capacidades cognitivas, percetivas e comportamentais diretamente relacionadas com a condução. Em determinados casos, pode ainda ser realizada uma prova prática para observar o comportamento do condutor em contexto real.
Os especialistas alertam também para a existência de sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. Entre eles estão episódios de desorientação, dificuldade em reconhecer sinais de trânsito, decisões inadequadas ao volante, velocidade irregular, sucessivos pequenos embates ou envolvimento frequente em situações de risco.
Existe uma idade para deixar de conduzir?
Apesar disso, não existe uma idade de referência para deixar de conduzir. Algumas pessoas mantêm condições para o fazer em segurança durante muitos anos, adaptando os seus hábitos às limitações que surgem com o passar do tempo. Há quem opte por evitar a condução noturna, percursos mais longos ou situações de trânsito mais complexo, reduzindo assim os riscos associados.
Quando a condução deixa de ser compatível com as capacidades da pessoa, o processo nem sempre é fácil.
O impacto emocional de abandonar o volante
Segundo a mesma fonte, deixar de conduzir pode ter um forte impacto emocional, sobretudo por representar uma perda de independência. Por esse motivo, os especialistas defendem que estas situações devem ser acompanhadas com sensibilidade, procurando explicar os motivos da decisão e identificando alternativas que permitam preservar a mobilidade e a participação ativa na vida quotidiana.
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