Conduzir com o depósito na reserva pode danificar o carro, comprometer em muito a vida útil do motor, resultar em multas de até 1.250€ em Portugal e ainda pôr a segurança do condutor e de terceiros em risco. Especialistas britânicos, citados pelo Birmingham Mail, alertam que esta prática muito comum entre condutores a gasolina e gasóleo pode levar a avarias graves e sanções legais, sobretudo se o veículo bloquear a estrada ou provocar um acidente.
Recomendação dos especialistas
A recomendação é clara: não espere pela luz da reserva para abastecer. Segundo Gordon Wallis, especialista em combustíveis da plataforma WeCompareFuelCards.com, citado pela mesma fonte, a luz de aviso acende-se quando restam apenas 10 a 15% da capacidade do depósito. Este valor pode parecer suficiente para alguns quilómetros, mas a margem de erro é elevada, sobretudo se ficar preso em trânsito ou conduzir por zonas rurais.
O problema vai além da autonomia. Circular com níveis de combustível muito baixos força componentes como a bomba de combustível a trabalhar em condições adversas. Com o tempo, isso acelera o desgaste e pode encurtar significativamente a vida útil do motor, originando despesas de reparação elevadas.
Além do risco mecânico, a nível da vida útil do motor, há também o risco legal. No Reino Unido, por exemplo, ficar parado por falta de combustível em plena estrada pode ser interpretado como condução descuidada ou negligente, refere a fonte acima citada. As multas por esta infração rondam as 100 libras (aproximadamente 115 euros), podendo, segundo a mesma fonte, aumentar em casos mais graves, nomeadamente se houver acidentes ou bloqueio de vias.
A legislação portuguesa
E embora a legislação portuguesa não seja exatamente igual, a lógica aplica-se: qualquer situação que comprometa a segurança rodoviária pode ser punida como contraordenação grave, com coimas, pontos retirados na carta e possível inibição de conduzir.
Em Portugal, ficar imobilizado na estrada por falta de combustível pode ser considerado uma infração grave, já que o Código da Estrada obriga todos os condutores a garantir que o veículo circula em segurança e sem criar perigo ou embaraço para o trânsito. O artigo 11.º estabelece o dever geral de cuidado, enquanto os artigos 71.º e 72.º proíbem a paragem ou estacionamento que impeça ou perturbe a circulação, nomeadamente em autoestradas, onde a falta de combustível não é vista como uma emergência legítima.
Quando esta situação acontece, as autoridades podem interpretar a conduta como negligência evitável e, por isso, aplicar uma contraordenação grave.
Coimas
As coimas variam entre 60 e 300 euros, mas podem subir até 1.250 euros se o veículo ficar a bloquear vias de circulação, especialmente em autoestradas.
Além da multa, este tipo de infração retira 2 pontos na carta de condução e pode dar origem a inibição de conduzir por um período entre 1 mês e 1 ano, conforme previsto no artigo 147.º. A mensagem das autoridades é clara: abastecer antes da luz da reserva acender é essencial não só para proteger a mecânica do carro e o motor, mas também para evitar sanções legais e garantir a segurança de todos os utentes da via.
Britânicos em mudança
Este alerta surge numa altura em que o governo britânico procura acelerar a transição para veículos elétricos. Foi anunciado um novo incentivo de até 3.750 libras (aproximadamente 4.325 euros) para quem adquirir carros elétricos novos, numa tentativa de tornar estes modelos mais acessíveis.
De acordo com Aidan Rushby, CEO da plataforma de financiamento automóvel Carmoola, citado pela mesma fonte, a combinação entre incentivos e a recente queda do preço da eletricidade poderá marcar uma viragem no mercado. Só este mês de julho, os condutores britânicos deverão poupar cerca de 1,7 milhões de libras (1.960.780 euros) em carregamentos, graças à nova tarifa de energia mais baixa.
Estes dados mostram que carregar um carro elétrico em casa pode custar apenas entre 6 e 9 cêntimos por quilómetro, dependendo do modelo e da eficiência, refere o Birmingham Mail. Para muitos consumidores, esta poupança representa uma alternativa cada vez mais viável face aos combustíveis fósseis.
Já em Portugal, embora o valor dos incentivos seja mais reduzido, continuam disponíveis apoios à compra de elétricos, bem como benefícios fiscais. Ainda assim, a mudança de mentalidade começa por evitar maus hábitos: manter o depósito quase vazio não é poupança, é um risco evitável.
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