As rotundas fazem parte do dia a dia de qualquer condutor, mas continuam a ser palco de dúvidas, manobras arriscadas e acidentes evitáveis. Quando a situação envolve uma rotunda com dois carris de saída, a confusão pode aumentar. É por isso que a Direção-Geral de Tráfego (DGT) espanhola, cujas regras, em muitos aspetos, são idênticas às aplicadas em Portugal, definiu orientações muito claras sobre como entrar, circular e sair em segurança.
As glorietas, como também são chamadas, exigem atenção redobrada, sobretudo em horas de maior tráfego. Apesar de parecer simples, a sua utilização incorreta é uma das causas mais frequentes de colisões urbanas, refere o jornal espanhol AS.
O primeiro princípio é claro: quem já está dentro da rotunda tem sempre prioridade. Este direito de passagem só pode ser alterado se houver sinalização específica, como um semáforo ou outra indicação que obrigue a ceder a passagem. Ao aproximar-se de uma rotunda, é fundamental moderar a velocidade e avaliar o movimento do tráfego no seu interior. Esta decisão pode significar ter de parar completamente antes de entrar.
A importância de escolher a via certo na entrada
A entrada deve, por regra, fazer-se pela via da direita, refere a mesma fonte. É a via natural e a mais segura para quem pretende sair nas primeiras saídas. No entanto, há uma exceção prevista: se o carril direito estiver congestionado, é permitido aceder pela via da esquerda.
Esta flexibilização serve para melhorar a fluidez, evitando filas que bloqueiem cruzamentos ou causem atrasos excessivos. Ainda assim, quem entra pelo carril esquerdo deve ter plena consciência de que terá de adaptar a sua trajetória mais tarde. Uma má escolha logo na entrada pode obrigar a mudanças de via abruptas, e isso aumenta o risco de acidente.
Circular dentro da rotunda sem sobressaltos
Uma vez no interior, a recomendação principal é manter-se na via exterior, sobretudo se vai sair na primeira ou segunda saída. Esta posição reduz a necessidade de cruzar outras trajetórias.
A via de dentro deve ser usada principalmente para ultrapassar ou para preparar saídas mais distantes. Nesse caso, é necessário planear a mudança para o exterior com antecedência suficiente, usando sempre a sinalização adequada. As mudanças devem ser graduais, evitando desvios bruscos que possam surpreender outros condutores.
A saída: onde se cometem mais erros
Segundo a regra geral, sair da rotunda deve fazer-se sempre a partir da via exterior. Isto exige que o condutor se posicione corretamente logo antes da saída anterior à desejada, de acordo com a fonte anteriormente citada. Ao sinalizar com o pisca direito e manter uma velocidade constante, a manobra torna-se previsível para todos os outros utilizadores da via. É esta previsibilidade que reduz incidentes.
A DGT reconhece uma situação especial: se existir sinalização no pavimento (como setas direcionais) que permita sair diretamente pela via interior, e se a via exterior estiver ocupada, a saída pode ser feita a partir de dentro. Este cenário é pensado para evitar que o trânsito fique preso, especialmente em horas de ponta. Mas deve ser encarado como uma solução excecional, não como regra de condução.
Quando não houver condições seguras para sair, o mais prudente é dar outra volta à rotunda e posicionar-se corretamente.
Consequências de não cumprir as regras
Ignorar a prioridade nas rotundas (dever imposto pelo artigo 31.º, n.º 1, alínea c) do Código da Estrada) ou realizar manobras que ponham em risco a segurança rodoviária, enquadradas como contra‑ordenação grave pelo artigo 145.º, n.º 1, alínea f), é punível com coima de 120 € a 600 € e implica a subtração de dois pontos na carta de condução; se a manobra for qualificada como contra‑ordenação muito grave nos termos do artigo 146.º, a coima torna‑se mais elevada e a perda ascende a quatro pontos.
Entre 2015 e 2019, registaram-se mais de 45 mil acidentes com vítimas em rotundas, segundo dados oficiais espanhóis fornecidos pelo jornal AS. A estatística sublinha a necessidade de maior cuidado. Grande parte destes sinistros resulta de cortes diretos desde o carril interior ou de falta de sinalização na mudança de faixa.
O que deve ter sempre presente
- Planeie sempre a sua manobra antes de entrar na rotunda. Saber qual a saída que vai tomar ajuda a escolher o carril certo desde o início;
- Utilize sempre os espelhos retrovisores, sinalize as intenções e mantenha uma condução suave, sem acelerações ou travagens desnecessárias;
- A regra de ouro é simples: numa rotunda, segurança e previsibilidade são inseparáveis;
- Ao circular de forma correta, não só protege a sua integridade física, como também contribui para a fluidez do tráfego urbano;
- Mesmo em rotundas movimentadas, a condução defensiva e o respeito pelas regras são a melhor garantia para evitar multas e acidentes.
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